29.10.06

LUTO

"Nos deram espelhos
E vimos um mundo doente.
Tentei chorar,
Mas não consegui."

Renato Russo

22.10.06

The Birds (Os Pássaros)





1963
Suspense
Direção: Alfred Hitchcock
Roteiro: Evan Hunter





Gênio, Alfred Hitchcock é literalmente um gênio quando o assunto é suspense. Isso é o que chamo de clássico!

Melanie Daniels (Tippi Hedren) vai para uma pequena cidadezinha litorânea levando um casal de periquitos para Cathy Brenner (Veronica Cartwright), com o intuito de encontrar seu charmoso irmão Mitch Brenner (Rod Taylor). Porém algo estranho está acontecendo com os pássaros, que começam a atacar a cidade em bandos cada vez maiores.

Esse filme de Alfred Hitchcock é baseado no conto homônimo de Daphne Du Maurier, porém pouco mantém da história original. Intrigado pelo conto, Hicthcock descobre que de fato existiram algumas ocorrências reais de pássaros que atacaram pessoas sem o menor motivo aparente. Isso foi o que o seduziu: a possibilidade de a história acontecer (claro, não exageradamente como o filme conta); o fato de o conto de Daphne usar pássaros comuns, tidos por todos como criaturinhas inocentes; e a aparente falta de motivo dos ataques.

Tippi Hedren era o tipo de mulher que atraía Hitchcock para seus filmes: desconhecida, linda e blasé; visto que ele preferia muito mais que a Câmera desse o tom do filme do que os atores.

Isso acontece na cena em que Melanie vai buscar Cathy na escola. Ela senta-se em um banco ao lado do playground para fumar um cigarro enquanto dentro da escola as crianças cantam com a professora. A primeira cena mostra Melanie sentada no banco com o trepa-trepa logo atrás tendo um corvo ali pousado. Um corte na cena nos leva a ver agora apenas o rosto de Melanie e logo em seguida mostra-se apenas o playground, com mais dois corvos junto ao outro. A cena volta para Melanie novamente e então para o playgraund, onde outros corvos agora se juntam àqueles três. É nessa hora que a câmera se volta para Melanie e vai se fechando lentamente até chegar a um close de seu rosto em uma cena muito demorada. A maestria com que as coisas vão sendo mostradas, juntamente com o som da música cantada pelas crianças ao fundo, nos causa um desespero sufocante, pois sabemos que enquanto a câmera se demora no belo rosto de Tippi Hedren, mais e mais pássaros estão se juntando no playground. E de fato, quando Melanie se vira para o playground ele já está apinhado de corvos e nós, espectadores, finalmente podemos soltar o ar que inconscientemente estávamos prendendo em nossos pulmões.

Outra cena que eu gostaria de detalhar aqui é uma incansavelmente copiada pelos filmes de suspense e terror que vieram a seguir. A mãe de Mitch, Lydia (Jéssica Tandy), vai à uma fazenda para tratar sobre os modos estranhos dos pássaros. Lydia entra na casa à procura do dono da fazenda e vai caminhando pelos cômodos até culminar num quarto completamente destroçado. Vemos alguns pássaros mortos, as janelas espatifadas e então, num canto atrás da porta está o homem morto. Primeiro a câmera mostra apenas os pés, então Lydia abre mais a porta e a câmera incorpora o homem inteiro. É nesse momento que há uma seqüência rápida de três imagens seguidas do pobre morto: primeiro do corpo inteiro, depois da cintura para cima e finalmente um close de seu rosto sem olhos (foram comidos pelos pássaros). Uma das coisas que eu acho fantástica nessa sucessão de imagens que culmina no rosto desfigurado do fazendeiro é que ela copia o movimento involuntário dos nossos olhos ao ver algo inesperado. E as imagens não são acompanhadas de nenhum som, nenhuma trilha sonora, dando um desconforto ainda maior.

A quase total ausência de trilha sonora no filme foi uma decisão de Hicthcock que aparentemente teve dois motivos. O filme já era tenso o bastante e Hitchcock acreditava que se ainda fosse inserida uma trilha sonora aos moldes de Psicose, as pessoas não agüentariam ver o filme de tanto nervoso. A outra razão foi que ele descobriu com Bernard Herrmann um instrumento musical similar ao teclado que conseguia capturar e manipular sons naturais. Utilizando, assim, os sons dos próprios pássaros como principal trilha sonora do filme.

Outra coisa que Hitchcock usa no filme é o contraponto entre os periquitos (lovebirds em inglês) e os pássaros, digamos, assassinos, quando no final a pequena Cathy pergunta “Posso levar os periquitos?”, mostrando que algo de bom ainda sobrevive graças a esse casal de lovebirds. Hitchcock também usa os lovebirds em diálogos em que se fala de amor, enchendo-os de duplo-sentidos e, nas palavras do próprio diretor, “isso prova muito bem que a palavra ‘amor’ é uma palavra cheia de suspeição”.

E para finalizar, falemos do final. Spoiler:

O filme termina da forma mais inesperada possível, com o famoso “Acabou? E o que aconteceu?”. Pois, pouco depois da alucinante cena do ataque à Melanie, onde ela quase morre, a família entra no carro e vai embora. Os pássaros completamente amontoados na frente da casa começam a fazer cada vez mais barulho conforme o carro se afasta, nos dando a sensação de que eles levantarão vôo a qualquer momento para mais uma ataque. Porém, isso não acontece e o filme simplesmente acaba. Além disso, o final não nos dá nenhuma explicação para o modo como os pássaros vinham agindo.

E essa é a principal razão para o filme manter-se tão bom quanto realmente o é. Se Hitchcock inventasse um motivo, provavelmente ele não seria bom o bastante para agradar a todos seus espectadores. Dessa forma, ele apenas coloca uma cena onde os personagens debatem as possíveis razões dos ataques, mas sem chegar à nenhuma conclusão, para mostrar que nós não somos os únicos confusos. Estamos no mesmo barco que os personagens. E sem saber o motivo, qualquer pássaro inocente na sua janela pode se transformar da noite para o dia em um monstro assassino.

20.10.06

When A Stranger Calls (Quando um Estranho Chama)


2006
Suspense
Direção: Simon West
Roteiro: Jake Wade Wall



Outro remake... Por sinal, a crítica do original, Mensageiro da Morte, foi a última publicada aqui, e, como sempre, é muito melhor do que o remake.

Jill Johnson (Camilla Belle) é contratada como babá dos filhos do rico casal Mandrakis. Enquanto as crianças dormem, estranhos telefonemas começam a atormentar a garota, que logo se vê aterrorizada na estranha mansão.

Eu tinha muita esperança com esse filme. Mensageiro da Morte possuía uma longa sequência de perseguição que eu esperava ser encurtada e eu acreditava que era um filme com muito potencial de melhora. Porém, Quando um Estranho Chama perdeu-se na vontade de se tornar um thriller aterrorizante e acabou caindo na mesmice dos Pânicos da vida... (Inclusive, Pânico foi inspirado no original)

O principal erro do filme foi a mudança exorbitante feita no roteiro original. Os primeiros vinte minutos de Mensageiro da Morte foram alongados aqui à exaustão e todo o resto do roteiro original foi cortado. Apesar de muito longo e cansativo, no original, a sequência da perseguição ao assassino era uma parte muito interessante, assinalando algo que muitos filmes posteriores mostraram: quem você menos espera pode ser um assassino.

Quando um Estranho Chama passou a se tornar cansativo justamente ao tentar não fazê-lo. Para que o filme todo pudesse se passar contando a terrível noite de uma babá, incansáveis trechos de suspense onde nada acontece foram introduzidos. Até a mais do que tradicional cena do "era só o gatinho..." foi incluida.

A atuação de Camilla Belle também deixa a desejar, provavelmente por culpa do diretor. Jill já anda pela casa morrendo de medo antes de qualquer coisa estranha acontecer. Ela se assusta com sons comuns a uma casa nas dimensões da mansão Mandrakis, produzindo cenas de suspense "à força" em momentos em que não há nada a temer. A própria frase marcante "Você já checou as crianças?" foi dita apenas duas vezes durante todo o filme.

Tudo bem, há de se convir que em matéria de susto até que o filme se sai bem, pois conseguiu arrancar dois legítimos berros da minha garganta. Porém, quem acompanha o blog está careca de saber que, ao meu ver, susto por susto não é sinônimo de bom filme.

28.8.06

Aviso Atrasado de Férias Prolongadas

Bem, acho que já deu pra notar que eu não pude mais postar filmes aqui no Pipoca no Edredon, né... Estou tendo sérios contratempos que me impedem tanto de assistir filmes quanto de escrever sobre eles.

Mas isso já está chegando ao fim, pois em algumas semanas poderei voltar à rotina normal! Me aguardem!

Até breve e mil desculpas pela ausência desavisada...

9.4.06

When A Stranger Calls (Mensageiro da Morte)


1979
Suspense
Direção: Fred Walton
Roteiro: Fred Walton, Steve Feke


Esse é mais um filme antigo. Na verdade, acho difícil que ele possa ser encontrado nas locadoras. Eu o consegui na internet, mas não foi possível achar a legenda...

Jill Johnson (Carol Kane) é contratada para cuidar de duas crianças enquanto o casal Mandrakis sai para jantar fora. As crianças já estão dormindo e Jill resolve estudar, mas telefonemas freqüentes (“Você já checou as crianças?”) começam a assustá-la. Ela liga para a polícia e decobre que os telefonemas vêm de dentro da casa.

Mensageiro da Morte foi originalmente criado para ser uma seqüência de Black Christmas, assim como Haloween. Mas como Haloween foi lançado como filme independente, Mensageiro da Morte seguiu o mesmo caminho. Em 1993 o filme ganhou uma seqüência, Um Estranho à Minha Porta, e atualmente uma refilmagem foi feita e lançada agora em 2006, Quando um estranho Chama.

De qualquer forma, é um filme bem interessante. Só os primeiros 20 minutos já valem pelo filme todo, apesar de sua qualidade cair muito depois disso. Essa seqüência inicial do filme é a óbvia inspiração dos criadores de Pânico: o assassino que faz ameaças pelo telefone. E é uma pena que o filme não se concentre mais nesse tema.

Inclusive, a partir desses primeiro 20 minutos, Mensageiro da Morte passa de um bom suspense para um filme de perseguição ‘meia boca’. Isso porque 7 anos depois de infernizar Jill, o terrível assassino Curt Duncan (Tony Beckley) foge do manicômio e o policial John Clifford (Charles Durning) que cuidou do caso anteriormente foi contratado para matá-lo pelo Sr. Mandrakis (Carmen Argenziano).

O problema é que nada mais acontece. O terrível assassino não nos parece mais tão terrível assim. Parece apenas um pobre coitado louco. Sim, ele é perigoso, mas nem medo ele não passa mais. Talvez o filme quisesse mostrar que mesmo o mais coitado dos homens pode ser um assassino saguinário. Mas é certo que na telinha isso ficou maçante demais, e o filme só conseguiu retomar o suspense nos últimos 10 minutos.

É uma pena, um filme que tinha tudo para ser um grande sucesso, mas não soube dosar as quantidades necessárias de suspense e mistério. Ainda assim, muito melhor do que grande parte dos filmes novos que se vê por aí.

3.4.06

See No Evil, Hear No Evil (Cegos, Surdos e Loucos)

1989
Comédia
Direção: Arthur Hiller
Roteiro: Earl Barret, Arn Sultan, Marvin Worth


Vamos direto à sinopse da caixinha do DVD, que eu tomei a liberdade de transcrever aqui.

Sinopse: Ocorreu um crime! O cara cego não pode vê-lo e o cara surdo não pode ouví-lo! Mas agora os dois são procurados pelo crime, nesta comédia maluca de matar (Cegos, Surdos e Loucos) que reúne o duo ultrajante de comediantes Richard Pryor e Gene Wilder (Loucos de Dar Nó). Uma hilariante caçada começa enquanto Wally e Dave fazem de tudo para levar o Departamento de Polícia de Nova Iorque até os verdadeiros culpados - a malvada e linda Eve (Joan Severance - Escorpião Negro) e seu comparsa de sangue frio, Kirgo (Kevin Spacey - Beleza Americana).

Você quer rir? Então assista esse filme! E se já assistiu, sabe do que eu estou falando. Primeiro porque os dois são hilários, e segundo porque... Bom, é isso, os dois são hilários!

É incrível como deu certo essa parceria. O jeito histérico de Richard Pryor contrabalanceou perfeitamente com o quieto, porém irônico, Gene Wilder. Parece que eles foram feitos um para o outro, no melhor dos sentidos.

Cena atrás de cena, os desacertos de Wally e os modos aparentemente calmos de Dave vão nos fazendo rir cada vez mais. Uma das minhas cenas preferidas é quando Wally tenta gritar no ouvido de Dave para ver se ele consegue ouvir. É impagável!

Não há muito o que dizer desse filme, a não ser que vale a pena ser assistido e reassistido muitas vezes, porque é engraçado demais! (Acho que já disse isso, não?!)

26.3.06

The Evil Dead (A Morte do Demônio)


1981
Terror
Direção: Sam Raimi
Roteiro: Sam Raimi



Um clássico do terror. Apesar disso, assisti pela primeira vez ontem. Resolvi assitir por duas razões: porque é um clássico do terror, e porque eu não dou ouvidos aos meus próprios conselhos... Me disseram que esse era bom, no orkut.

Sinopse: Ashley (Bruce Campbell), sua namorada Linda (Betsy Baker) e seus amigos, Scotty (Richard DeManincor), Cheryl (Ellen Sandweiss) e Shelly (Theresa Tilly) resolvem alugar uma cabana nas montanhas. No porão da cabana encontram um livro e uma fita, que ao ser ouvida por eles, libera um mal adormecido no local. Um a um, os jovem são transformados em zumbis, restando apenas um que deverá sobreviver a essa noite de horror.

Resumindo: não, não gostei... Não mesmo! Mas é um clássico, é o segundo filme do Sam Raimi (seu primeiro filme foi escrito, produzido e dirigido por ele: Within The Woods, de 1978). É gore, muito gore, e pra quem gosta, The Evil Dead é um prato cheio!

Eu posso estar sendo muito dura com o filme, posso ter sido influenciada pelos efeitos especiais de péssimo gosto e tudo mais, mas ainda tenho muita dificuldade em aceitar que esse possa ser um filme bom. Claro que devemos levar em consideração a época em que foi feito e o baixíssimo orçamento que levaram Sam Raimi a usar massinha de modelar para fazer os efeitos especiais. Também tenho que levar em conta que na época, as pessoas realmente se assustaram com o filme, que de certa forma trouxe coisas novas para o cinema de terror. O problema é que hoje ele já não assusta nem moscas (diferente de “outros filmes” também de baixo orçamento E ainda mais antigos que metem medo até hoje – preciso dizer de que filme estou falando)...

Bom, estou até agora sem entender porque diabos aqueles personagens jumentos se preocupavam tanto em trancar as portas se as janelas ficaram abertas (ou quebradas) quase o filme inteiro. Inclusive, eram janelas enormes, fechadas apenas com as frágeis folhas de vidro que se espatifavam o tempo todo. O ‘mal’ entrou pelas janelas no mínimo duas vezes e ‘zumbizou’ duas personagens dessa maneira, e mesmo assim ninguém se preocupava em fechar as folhas de madeira das janelas. Super lógico! Todas as janelas imensas abertas e quebradas, os zumbis entrando por elas e o mocinho desesperado em fechar as portas (pior: ele ficou tranqüilo depois que fechou as portas)!

Isso sem falar no ataque dos cipós malditos, que até estupraram a coitada da moça. Pensando bem, coitada nada, ela é que foi burra de sair sozinha pela floresta no meio da noite porque ouviu um barulho lá fora! Se EU tivesse ouvido um barulho lá fora, não sairia sozinha nem que me pagassem (e fecharia as folhas de madeira das janelas!!!!).

De qualquer forma, The Evil Dead já não é mais assustador, é apenas nojento. A trilha sonora é ruim de dar dó e os efeitos especiais... bem, já falei sobre eles, é melhor não me alongar mais nisso. O som também é bem ruim, dá pra perceber que foi dublado depois (praticamente todos filmes o são, mas não é para a gente perceber, né!). Mas pra quem gosta de terror gore, está mais do que indicado.

Parece que o Evil Dead 2 é quase igual ao primeiro, mas melhorado. Acho que vou me arriscar a assistir um dia desses.

21.3.06

Amityville 2: The Possession (Amityville 2: A Possessão)


1982
Terror
Direção: Damiano Damiani
Roteiro: Hans Holzer (livro) e Tommy Lee Wallace


Me disseram que esse era um filme muito bom. Tão bom quanto Terror em Amityville. Conselho: nunca confie plenamente em sugestões lidas no orkut...

Sinopse: A família Montelli chegou de mudança na velha mansão de Amityville. Mas para não perder o costume, a bela casa resolve mexer os pauzinhos novamente. Dessa vez seu alvo principal será Sonny (Jack Magner), o filho mais velho de Anthony (Burt Young) e Dolores (Rutanya Alda). Só que o demônio da mansão não se contenta apenas em influenciar o rapaz, Sonny é possuído por ele. Sua irmã Patrícia (Diane Franklin) parece ser a única que percebe as mudanças de Sonny, tentando buscar no Padre Adamsky (James Olson) ajuda para trazê-lo de volta.

Na verdade, esse filme é quase uma cópia mal feita do primeiro (algo normal em seqüências). A maior mudança gira em torno da possessão do garoto, mas só consegue produzir cenas ‘chocantes’ e sem conteúdo.

Inclusive parece que o filme perde totalmente o fio da meada, a história se perde por completo em meio a essas cenas supostamente assustadoras, mas que na verdade não o são.

Nesse filme tudo acontece rápido demais; poderia ter acabado na primeira hora, pois o resto é pura enrolação. Logo no começo uma sucessão de coisas estranhas vai acontecendo na casa, até culminar na possessão de Sonny. Segue-se a isso a cena mais esdrúxula que eu já vi: Sonny, obviamente possuído, vai até o quarto de sua irmã e a seduz da maneira mais besta. O pior de tudo não é Sonny tentar se deitar com Patrícia, mas Patrícia aceitar numa boa e depois tentar me convencer que é a santinha do filme. Não... Isso não é o pior. Patrícia diz a Sonny, dias depois, que não se arrepende do que aconteceu! Eles são irmãos!!!!!! Alooou!!! Até a Sol de América é mais santa que essa menina...

Segue um spoilerzinho básico. Mas se você quiser ler, acho que não vai perder muita coisa, não...

Então, faltando ainda muuuuuito para o fim do filme, o rapaz mata todo mundo! Todo mundo, até a ‘santinha’! Mas o Padre resolve salvá-lo. E depois de uma ridícula cena de exorcismo (em que até a face do menino apodrece e cai), o filme copia deslavadamente o final de O Exorcista: o demônio entra no corpo do Padre!

14.3.06

The Skeleton Key (A Chave Mestra)

2005
Suspense/Terror
Direção: Iain Softley
Roteiro: Ehren Krueger


Esses é um filme bom. Surpreendentemente bom. Um filme que te prende e que não se perde no meio da história, mantendo o mesmo ritmo até o final.

Sinopse: Sul dos Estados Unidos. Caroline (Kate Hudson) está à procura de um emprego que possa valer como estágio para completar seu curso de enfermagem e saciar sua vontade de ajudar as pessoas. É contratada por Violet Devereaux (Gena Rowlands), uma típica sulista vinda da França que precisa de uma enfermeira para cuidar de seu marido Ben (John Hurt), que sofreu um derrame no sótão da velha casa onde moram. O contrato de trabalho é intermediado pelo advogado da família, Luke (Peter Sarsgaard), que aparece vez ou outra na casa para falar com Violet.

Aos poucos Caroline vai descobrindo o que aconteceu com Ben, o que o tão estranho sótão tem a ver com o derrame e por que não há espelhos pendurados na casa. E, de cética, passará a supersticiosa demais.

O que ajuda muito a elevar a qualidade de A Chave Mestra é o excelente trabalho dos atores. De todos eles. Com grande destaque para Kate Hudson, que está maravilhosa, e John Hurt, apesar de ele não falar muito durante o filme...

Outra coisa que dá um ‘upgrade’ daqueles nesse filme é o final. Ainda faz parte daquela moda de ‘finais surpreendentes’ lançada com Sexto Sentido, mas ainda me seduz bastante. Mas devo adverti-los, o final do filme vem acompanhado de uma sensação de “Que horror!!!” e uma angústia que pode provocar insônia.

O ritmo do filme, ao qual me referi no começo da crítica, também faz parte do conjunto de qualidades que fazem de A Chave Mestra um filme bom. Com vários momentos de suspense seguidos de descobertas feitas pela personagem principal, no mínimo você vai querer continuar assistindo para ver se algum dos palpites que você foi acumulando durante o filme é o certo. E, provavelmente, nenhum o é.

De qualquer forma, não o classificaria com um filme ótimo, mas sinto não conseguir definir ainda o porquê. Acho que falta alguma coisa, uma ‘pimentinha’, algo que desse um ‘tchans’.

5.3.06

Favoritos: Aventura e Fantasia

Para mim é impossível fazer uma lista imparcial dos melhores filmes tanto de aventura quanto de fantasia. Os meus favoritos são, em sua maioria, filmes que marcaram a minha vida por serem adaptações de livros que eu gosto muito, ou por serem filmes vistos na minha infância/adolescência, mas raramente me chamam a atenção por razões mais intelectualmente elevadas (até porque são filmes de aventura e fantasia!).

Minha lista pode começar com Indiana Jones, na seguinte ordem: Os caçadores da Arca Perdida (1981), Indiana Jones e a Última Cruzada (1989), e Indiana Jones e o Templo da Perdição (1984). Sou viciada nesses três filmes, sabia de cor as falas dubladas de Os Cassadores da Arca Perdida e de O Templo da Perdição. Na verdade, eu preciso é postar um texto especial para esses 3 filmes.

Outros que entram na minha lista são: O Senhor dos Anéis: A Sociedade do Anel (2001); O Senhor dos Anéis: As Duas Torres (2002); O Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei (2003); Harry Potter e o Cálice de Fogo (2005); Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban (2004); Snatch – Porcos e Diamantes (2000); Jogos, Trapaças e Dois Canos Fumegantes (1998)... E tem também todos os Star Wars!!! TODOS!!!! Mas esses já até têm uma crítica aqui. Afinal, sou uma fã nova, mas sou uma fã!

Agora, não posso deixar de falar de Kill Bill Vol. I (2003) e Kill Bill Vol. 2 (2004)! As referências a mangás são maravilhosas, que fotografia!!! Que edição! Que roteiro! São dois filmes divertidíssimos e lindíssimos! E tem o irmão mais velho também, Pulp Fiction (1994), que é um clássico, inovador, chocante etc, etc, etc... Quentin Tarantino arrasa!

Por enquanto é só, pessoal!






Cena de Kill Bill Vol. 2

1.3.06

Ju-On: The Curse / Ju-On: The Curse 2 (A Maldição)

2000
Terror

Direção: Takashi Shimizu
Roteiro: Takashi Shimizu


Esses dois filmes foram feitos para TV pelo Takashi Shimizu e fizeram tanto sucesso no Japão que ele resolveu fazer uma versão para o cinema. Essa nova versão, justamente o famigerado Ju-On: The Grudge (O Rancor) já comentado aqui no Pipoca no Edredom, é mais como uma continuação desses dois primeiros do que um remake propriamente dito.

Sinopse: A história básica é a mesma em ambos os filmes (que praticamente se repete em Ju-On: The Grudge). A casa amaldiçoada pela tragédia da família (que prefiro não contar como foi, pois é mais legal descobrir aos poucos), está constantemente incorporando à maldição desavisados que nela entram.

Em ambos os filmes as mortes que iniciaram a maldição são contadas com tantos detalhes quanto necessários para o entendimento da mesma (e não são necessários muitos). A variação das histórias se dá no enfoque das diferentes personagens que entram na casa.

Digamos assim, que o primeiro filme é muito bom, muito original, conta bem a história inicial e é realmente beeeem assustador! Já o segundo filme acaba se tornando extremamente repetitivo, pois durante quase metade do filme se passa recontando o primeiro (usando, inclusive, as mesmas cenas); e tem muito menos cenas de terror propriamente dito.

De forma que Ju-On:The Curse 2 acaba se tornando um filme muito maçante, é como assistir Ju-On: The Curse pela segunda veze e as cenas mais legais não estarem lá!

O que é mais interessante é que, apesar de Ju-On: The Grudge usar a mesma linguagem dos dois primeiros e contar basicamente a mesma história, ele é sem sombra de dúvida o mais belo e mais assustador! Takashi Shimizu aperfeiçoou os filmes transformando-os numa obra prima. A linguagem usada mais apurada, a separação das pequenas histórias que formam o filme está mais bem distribuída e a ordem em que elas são dispostas está muito mais elaborada. As cenas de terror com a Kayako e o Toshio são as piores da história do terror, principalmente por causa da melhora significativa nos efeitos sonoros do filme.

É melhor eu parar por aqui, pois isso está quase se tornando uma crítica do filme errado...







Cena de Ju-On: The Curse 2

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Desculpe-me pela demora, fiquei sem computador durante o carnaval...

21.2.06

Sutís, porém não pouco importantes, mudanças.

Olá, olá!

A partir de hoje, o Pipoca no Edredom começará a sofrer algumas mudanças.


A principal delas é a minha mudança de atitude! Eu resolvi tomar vergonha na cara e levar esse blog (e vocês) a sério. Vou começar a atualizá-lo TODA SEMANA! Pois, sim! Estou falando sério! Todos os domingos pretendo ter uma postagem nova.

As outras mudanças serão menores, vou apenas arrumar umas coisinhas aqui, inserir uns links alí... A maioria das mudanças são inspiradas em blogs muito bons, como o CinemaXunga e o cinema notebook, que são blogs que também tratam sobre cinema, e os blogs super descolados e divertidos da Mirela e do Paulo.

Vão ser coisas pequenas, nada muito estrutural. Mas acho que vai ficar melhor, sim. Pelo menos, assim espero!



Então, não deixe de sempre vir dar uma olhada.
E até domingo que vem!



Cena do filme Ringu.

14.2.06

House of Wax (A Casa de Cera)

2005
Terror
Direção: Jaume Collet-Serra
Roteiro: Chad Hayes e Charles Belden (autor do livro)

Olá a todos!!!

Hoje vamos falar sobre mais um raríssimo caso de remake. O original, de mesmo nome, foi dirigido por André De Toth em 1953 (e já era um remake de Mystery of the Wax Museum de 1933) e baseado no livro de Charles Belden.

Carly Jones (Elisha Curtberth), seu irmão Nick (Chad Michael Murray), seu namorado Wade (Jared Padalecki) e seus amigos Paige (Pairs Hilton), Blake (Robert Richard) e Dalton (Jon Abrahams) estão a caminho de um jogo de futebol americano e pernoitam nas proximidades de uma pequena cidade chamada Ambrose. Quando um dos seus carros tem um problema, Carly e Wade resolvem ir até a cidade para tentar encontrar a peça que precisam.

A cidade resume-se em umas pouquíssimas casas, uma igreja, um posto de gasolina e a Casa de Cera, um museu de cera abandonado. Depois de importunar um velório para conseguir falar com Bo (Brian Van Holt), o dono do posto, os dois resolvem entrar na Casa de Cera e percebem que ela é, literalmente, feira de cera. Logo eles percebem que estão envolvidos em meio à loucura de dois irmãos siameses, que têm transformado pessoas em estátuas de cera.

Gente, esse filme não é apenas mais uma refilmagem de filmes clássicos do terror, ele é também mais um dos inúmeros filmes de terror para adolescentes (que já se tornou um novo gênero).

Mas não se deixe enganar por essas palavras duras, pois, dentro desse gênero, A Casa de Cera pode ser classificado como um ótimo filme! Pare de rir, não é gozação, não!!! Eu estou falando sério, o filme é bom mesmo! Quero dizer, se você estiver consciente que está assistindo um filme que VAI mostrar muito sangue, mulheres de calcinha (Paris Hilton, claaaaaro), e cenas bem grotescas, você vai adorar o filme.

As cenas com a cera, apesar de serem humanamente impossíveis de se acreditar, são realmente ótimas, muito bem feitas e te fazem esquecer por um momento que o que você está vendo é simplesmente absurdo. As mortes são incríveis (e eu nem gosto muito de filme ensangüentado, hein!), feitas com uma frieza de dar nervoso e de fazer você se remexer no sofá. E ver a Paris Hilton correndo de calcinha é impagável!

Em resumo, eu a-do-rei o filme!!! Afinal, se é pra fazer errado, é melhor fazer direito. Fazia tempo que eu não me divertia tanto em um filme de terror. Me senti como nos velhos tempos, vendo filmes absurdos, que hora me fazem rir pelo ridículo e hora me fazer tremer de susto!

Tá bom, talvez eu tenha me empolgado um pouco, mas eu gostei, viu!



Imagens de A Casa de Cera (2005)





Imagem de A Casa de Cera (1953)

3.2.06

The Amityville Horror (A Cidade do Horror / Horror em Amityville)

1979
Terror
Direção: Stuart Rosenberg
Roteiro: Standor Stern

2005
Terror
Direção: Andrew Douglas
Roteiro: Scott Kosar

Numa noite chuvosa e tempestuosa, na pacata cidade Amityville, um rapaz assassina a sua família inteira, composta de pai, mãe, dois irmãos e duas irmãs, com um rifle altamente sonoro. Detalhe: todos morrem na cama de bruços com um tiro nas costas. Isso significa que ninguém acordou com o som do rifle, morreram todos dormindo. Como pode ser?? Mistério... O rapaz alega ter feito isso por ordem de vozes que ele ouvia na casa.

Um ano depois uma família, composta por Kathy Lutz (Margot Kidder/ Melissa George), seus filhos Greg/Billy (K.C. Martel/Jesse James) e Matt/Michael (Meeno Peluce/Jimmy Bennett) e Amy/Chelsea (Natasha Ryan/ Chloe Moretz), seu marido (padrasto das crianças) George Lutz (James Brolin/ Ryan Reynolds) e o cão Harry, se muda para a tal casa. Em pouco tempo, várias coisas começam a acontecer com essa família, como o comportamento estranhamente agressivo do padrasto, a ‘chegada’ de uma amiguinha imaginária para a menininha (Jodie, uma das crianças falecidas da família anterior), o cachorro começar a latir mais do que o normal (principalmente no porão), etc.

Dois filmes baseados no livro de Jay Anson. E mais uma vez a refilmagem não consegue superar, ou pelo menos alcançar, a qualidade do filme original. Ainda não sei porque diabos as pessoas continuam insistindo em faze-las... Porque, meu Deus, o original é tão melhor! Não é assim um Massacre da Serra Elétrica (1974), mas é muito bom. Vale muito a pena! E quando eu digo que ele é melhor que a refilmagem, eu tenho várias razões.

O filme de 79 não precisou apelar mostrando mortinhos destroçados pra dar medo, ele não mostra um fantasma sequer. Enquanto o filme de 2005 usou e abusou de cenas onde apareciam os fantasmas das pessoas assassinadas na casa na tentativa de chocar e, assim, provocar medo.

O personagem do 'padrasto', George, parecia muito mais forte no original (ele conseguia resistir muito mais à casa). Além disso, o ator do filme de 79 interpreta-o muito melhor (aquela cara de doente louco dele é ó-te-ma!). Nesse primeiro filme, existe uma complexidade mais evidente envolvendo o personagem, que o tempo todo luta contra a dominação da sua mente pelas vozes, fato constantemente evidenciado quando, depois de agredir alguém, George sempre parece voltar a si e se mostrar confuso com a sua própria atitude. Entretanto, na refilmagem, George gradativamente é dominado pelas vozes, chegando a ponto de se perder completamente e ser totalmente dominado por elas.

O filme original não apela para o uso de tantos sustos gratuitos quanto a refilmagem (tá, tem a batida cena do gato, mas vamos combinar que foi um susto bão, vai!). O clima do filme de 79 é muito mais pesado, inclusive pelo maior uso da religião na história: o enfrentamento entre a igreja católica e o mal se tornou um artifício sabiamente usado para criar esse clima pesado; e o próprio desentendimento interno entre os padres da igreja é algo que serve para nos inquietar, nos deixar incomodados.

Quanto às crianças, existe uma tentativa de criar uma relação mais complexa entre os filhos de Kathy e George no filme de 2005. O filho mais velho Billy ganha mais espaço, e o garoto até que se sai bem. Mas me parece que ‘trocar’ a menina pelo menino não foi uma boa idéia. Explico. No outro filme, Amy é uma garotinha muito assustadora! Aquela menina tinha cara do demo!!! Que medo q ela me deu (e olha que ela nem precisou estar com um buraco na testa pra me provocar calafrios!). Na refilmagem, para que Billy ganhasse mais espaço, eles acabaram perdendo um pouco a pequena (que nesse filme se chama Chelsea) e ela passa a se tornar meiga e bonitinha demais. E para um filme de terror, na luta entre um menino revoltado e uma menina assustadora, desculpem, mas eu fico com a menina assustadora!

Depois de tudo isso vocês vão pensar: nossa a refilmagem é uma porcaria!!! Mas digo que não. É um fime de terror interessante, o único problema é que perde muito quando comparado ao original. E repito, o original é muito bom.





The Amityville Horror (1979)
Essa menina supostamente é assustadora...








The Amityville Horror (2005)
Esse cara é o máximo!