28.12.07

Selo "Escritores da Liberdade"







Surpresa (boa)





O Pipoca no Edredom foi indicado para receber o selo "Escritores da Liberdade" pelo Fernando Assad do Novelo Digital. A modéstia que se phoda, fiquei feliz demais. O prêmio foi criado por Batom Cor de Rosa e segue abaixo a descrição que a criadora faz em seu blog:

"Todos temos blogs pelo fato de gostarmos de escrever. Por prazer, profissionalismo, ou qualquer motivo pessoal.
E a maioria gosta de escrever para liberar algum sentimento profundo, seja ele bom ou ruim. Escreve para se encontrar, para analisar a situação depois de algum tempo, ou naquela mesma hora, e também por essa paixão de pôr tudo no 'papel'.
E estou chamando esses blogueiros de Escritores da própria liberdade.
Escritores sim, mesmo que amadores, que escrevem suas emoções, que não guardam tudo para sí. Que compartilham tudo com pessoas muitas vezes estranhas(entre as conhecidas)... Escritores que admiro muito, por vários motivos, que se destacam de um jeito único, para cada uma das pessoas que os conhecem.
Blogueiros que publicam a sua liberdade de expressão.

Estou passando esse selo para 5 blogs que leio muito, que gosto muito.

E isso não significa que eu desconsidere os outros.
Vocês conhecem o 'sistema'. Passe adiante para outros 5 blogs amigos, copiem esse texto se quiserem, parabéns, escritores da Liberdade! =) "

Mesmo não sendo um prêmio daqueles que diversas pessoas votam antes de a gente ganhar, pois nesse caso basta um só, me senti honrada por ser lembrada por alguém (que foi lembrado duas vezes, diga-se de passagem). Valeu, Fernando!

E não se esqueçam que eu voto em 5 porque não posso votar em mais. Aqueles alí do ladinho são blogs que eu recomendo, tanto em assuntos cinematográficos, como outros tantos diversos.

Bom, meus indicados:

- Adoro Cinema
- Cinefagia
- Eco Social
- Hunny Bunny
- Registro Dissonante

E aproveito para dizer a todos que espero que tenham tido um ótimo Natal e que tenham uma passagem de ano ainda melhor.

Beijos!

21.12.07

Zodiac (Zodíaco)



2007
Suspense
Direção: David Fincher
Roteiro: James Vanderbilt





Mais uma obra de destaque sob direção de David Fincher. Não dá pra negar mesmo, o cara é um diretor e tanto.

Uma série de assassinatos chocam os americanos da bahia de São Francisco. A tentativa de descobrir quem é o Zodíaco, apelido dado ao serial-killer, acaba mudando a vida do inspetor David Toschi (Mark Ruffalo) e dos jornalistas Paul Avery (Robert Downey Jr.) e Robert Graysmith (Jake Gyllenhaal).

Todos aqui já devem saber, mas vivo numa constante disputa entre os clássicos e os atuais e, assumo, muitas vezes os mais antigos acabam me seduzindo. Aí, dá no que dá e eu fico tempos sem saber o que rola no mundo dos vivos. Ok, há vezes que a desgraça é tanta que nem do mundo dos mortos eu não sei mais...

Porém, me rendi a esse título, me rendi ao nome sedutor que vem na direção, me rendi pelos atores. Assisti Zodíaco em uma noite chuvosa de inverno, ao lado do meu maridinho – tinha tudo pronto para cairmos de sono na primeira hora de filme, mas nós dois permanecemos atentos durante a sua longuíssima duração todinha. Repito: Fincher é muito bom!

Sobre a direção, acho difícil comentar. David Fincher é bom demais. Um filme como esse, baseado em fatos reais, cujo final é super aberto só nos pode dar duas opções: ou apela totalmente para a ficção e inventa um monte de coisa para a trama principal da história, ou tenta ser o mais realista possível. Ambas as saídas são perigosas e complicadas, porém a segunda é ainda mais arriscada. David Fincher escolheu essa segunda opção e conseguiu fazer um filmaço de primeira. O enfoque que ele dá na vida dos três homens que se seduzem por tentar descobrir quem é o Zodíaco foi uma sacada de gênio. Com isso, ele aproxima ainda mais a história do espectador, e o modo como ele conta a história, faz com que esse espectador também acabe se seduzindo pelo mesmo motivo. E claro, por tudo isso, temos que parabenizar também o roteirista.

Apesar da longa duração, a história consegue ser envolvente o bastante para que a atenção não seja perdida. Porém, admito que no finalzinho eu já estava um pouco esgotada. E falando no finalzinho, tem algo nele que me incomoda um pouco, mas não consigo precisar o que. Talvez seja o fato de ter terminado com tantas "letrinhas", mas quanto mais eu penso nisso, mais eu acho que se mudasse alguma coisa estragaria tudo. É, eu não faço muito sentido mesmo...

Como disse, um dos motivos de eu ter ficado com tanta vontade de ver o filme foi os atores principais. Jake Gyllenhaal eu me envergonho em dizer que não conhecia - é, nunca assisti Donnie Darko nem Brokeback Mountain - e me impressionei com o rapaz, ele é bom mesmo. Já Robert Downey Jr., eu sou apaixonada por ele desde que assisti Chaplin, a vida pessoal dele pode ser bem complicada, mas que ele trabalha bem, isso ele trabalha. E minha mais nova paixão, Mark Ruffalo... cada vez que assisto um filme com ele, fica mais comprovado que ele é muito f@%*#! Ele faz qualquer papel e se transforma (ai, como prezo esses camaleões), mas nesse filme ele tá muito bem, muuuito diferente.

No fim das contas, eu só sei que em meio a esses atores, à essa direção, roteiro, fotografia, edição e trilha sonora, temos um provável ganhador de muitos prêmios.

15.12.07

The Haunting (Desfio do Além)






1963
Terror, Suspense
Direção: Robert Wise
Roteiro: Nelson Gidding







Baseado no livro "Assombração na Casa da Colina" de Shirley Jackson, Desafio do Além, juntamente com A Casa da Noite Eterna e Os Inocentes, faz parte do trio mais marcante da história do cinema quando o assunto é "mansões assombradas".

Eleanor Lance (Julie Harris) é convidada pelo antropólogo Dr. John Markway (Richard Johnson) para permanecer durante alguns dias em uma suposta casa mal-assombrada, e tentar desvendar a veracidade das assombrações. Junto com eles estão o jovem Luke Sanderson (Russ Tamblyn) e a misteriosa Theodora (Claire Bloom).

A história é, novamente, similar a tantas outras, mas a maneira como foi abordada é o que a diferencia dessas tantas. O terror psicológico e o fato de o filme ter sido apresentado pela visão de Eleanor fazem com que a tensão esteja presente durante praticamente toda a sua duração.

Bons atores compõem o elenco, mas Julie Harris e Claire Bloom, principalmente quando estão contracenando juntas, são quem constroem os momentos mais perturbadores do filme. Com o passar do tempo, dentro da casa, Eleanor começa a se sentir perseguida e injustiçada pelos outros. E Theodora muitas vezes parece querer levá-la à loucura, enquanto em outras mostra-se como uma boa amiga preocupada. Eleanor cada vez mais se envolve com a casa, e chega o ponto em que não sabemos mais se ela já não está completamente perdida, ou mesmo completamente louca. Inclusive, essa polaridade de Theodora pode muito bem ser fruto da visão distorcida de Eleanor, apesar de eu não acreditar muito nessa hipótese.

Apesar de haver esse enfoque na suposta loucura de Eleanor, tudo nos leva a crer que a casa é de fato mal assombrada. O que ajuda a nos aproximarmos ainda mais da personagem, pois nós tambem começamos a sentir seu desespero conforme seus companheiros a desdenham. Não que eles a tratem mal, ao contrário, apenas se preocupam com ela, mas não deixa de ser um pouco frustrante de se ver a maneira como eles a tratam.

E isso tudo também é mérito de uma segura direção. Robert Wise foi muito hábil em transformar um filme de assombração, onde os fantasmas são fato e são hostís, de tal modo que esses fantasmas passam a ser o que menos há a se temer. Pois, em Desafio do Além, os fantasmas internos são, na verdade, os mais perigosos.

Desafio do Além é mais um filme das antigas que está caindo no esquecimento, o que é uma pena. Pois não há um só filme atual (de casas mal-assombradas) que consiga ser tão bom.


9.12.07

The Abominable Dr. Phibes (O Abominável Dr. Phibes)


1971
Terror, Comédia
Direção: Robert Fuest
Roteiro: James Whiton e
William Goldstein




Comédia e terror? É, basicamente um belo de um humor-negro. É o riso nervoso causado pela desgraça e pelos receios dos personagens. Mas é de certa forma leve, quero dizer o humor é leve, não algo forçado. É o resultado da sensação de estranhesa que as mortes nos trazem, de um certo absurdo que gira em torno delas todas. Você ri, mas sabe que algo naquilo te incomoda, e com o tempo você percebe que o que te incomoda é basicamente o Dr. Phibes.

Nove médicos terão suas mortes inspiradas nas 10 pragas do Egito do Antigo Testamento. O Ispetor Trout (Peter Jeffrey) se encarregará de tentar desvendar quem é o serial-killer responsável por tão ediondas mortes, mas ele parece sempre chegar um minuto tarde demais. O serial-killer é Dr. Anton Phibes (Vincent Price), um famoso organista tido como morto, que busca vingança contra os que ele acredita serem responsáveis pela morte de sua esposa (Caroline Munro).

Outro dia eu estava lendo o blog de uma amiga minha - que nada tem a ver com cinema, diga-se de passagem - e lá ela falava sobre aquela música "More than Words". Pois essa música ilustra muito bem o que eu penso do Vincent Price nesse filme. O homem não fala uma palavra o filme inteiro - quer dizer, fala mas não fala - e consegue passar tudo, e mais um pouco, somente através de sua interpretação corporal e facial. E isso, porque uma das características mais marcantes de Vincent Price é sua voz (lembrem-se da introdução que ele fez em Thriller de Michael Jackson), e nesse filme ele faz uma atuação impressionante sem usá-la.

Os outro atores? Bem, o inspector dá o tom cômico do filme e o faz muito, muito bem. A maior parte do restante é formada por praticamente figurantes, fora o Dr. Versalius (Joseph Cotten) que tem um pouco mais de presença no filme - e também é bom. Agora, a tal da ajudantezinha do Dr. Phibes é uma lástima! E olha que ela também nem abre a boca. O papel dela exigia muito charme, elegância e ela tinha que, pelo menos saber dançar; mas a moça é sem graça, dura que nem um pau, dança parecendo um robô e não chega a ter 1 milésimo da beleza da falecida. Na verdade, acho que aquela moça é a única coisa que impede esse filme de ser perfeito.

Ah, mas a história do filme é ótima e a direção é primorosa. Robert Fuest soube criar um filme onde tudo está exatamente na medida certa. Como uma pequena ilustração do que digo, veja a imagem no início do post. Que enquadramento! E o figurino é maravilhoso, as músicas, o humor, as mortes. As mortes!! Nunca o cinema tinha conhecido tamanha criatividade envolvendo o quesito "assassinato".

Aí, um dia ouvi uma mocinha dizer que Jogos Mortais era tido como uma cópia de O Abominável Dr. Phibes, mas que aquilo era um absurdo. Eu particularmente nunca tinha ouvido essa comparação antes - e nem depois. Mas se eu tivesse que dizer que algum filme se aproxima da proposta de O Abominável Dr. Phibes, esse filme seria Seven, não Jogos Mortais. Claro que não há um pingo sequer de humor-negro em nenhum desses dois filmes, mas Seven também trata de punição, também usa a religião como base para essa punição. E mesmo assim, Seven tem seus méritos próprios que o fazem se distanciar, e muito, do filme estrelado por Price. Quanto a Jogos Mortais, Dr. Phibes não quer dar uma chance de vida às suas vítimas - a não ser em apenas um dos casos - ele quer matá-las mesmo.

Em todo caso, levemente parecidos ou não, O Abominável Dr. Phibes é um filme maravilhoso. É daqueles que merecem ser vistos diversas vezes para que se possa atentar para todos os detalhes. Ele merece ser assistido sempre e sempre será bom, independente da época em que isso for ocorrer.

30.11.07

Spider-Man (Homem-Aranha) - do 1 ao 3



2002 / 2004 / 2007
Ação, Aventura
Direção: Sam Raimi
Roteiro: David Koepp / Alvin Sargent / Sam Raimi, Ivan Raimi e Alvin Sargent



Digam o que quiserem, mas atualmente Homem-Aranha é a franquia de filmes baseados em quadrinhos de maior sucesso. É sempre um dos mais esperados (senão o mais) e que até agora conseguiu ser surpreendente em cada filme. No primeiro porque ninguém botava tanta fé assim nele, no segundo porque ninguém bota fé sem sequências - mas todos ficamos de queixo caído ao ver que ficou melhor ainda, e no terceiro... bem, porque ninguém esperava por aquilo.

Peter Parker (Tobey Maguire) é um daqueles CDFs desajeitados que existem em qualquer lugar, porém, ao ser picado por uma aranha, vê seu corpo passar por algumas mudanças, ganhando mais força, destreza, sua visão melhora, além de desenvolver perícias tipicamente aracnídeas, como a habilidade de andar pelas paredes e de fazer teias de aranha. Agora, Peter vê sua vida girar em torno de ganhar algum dinheiro como fotógrafo, cuidar de sua tia May (Rosemary Harris), tentar conquistar a bela Mary Jane (Kirsten Dunst) e salvar o mundo de diversos bizarros vilões.

Fato: Sam Raimi se encontrou nessa franquia. Dá pra ver que ele se diverte fazendo-a, dá pra ver que todo mundo se diverte fazendo esse filme. Talvez por isso tenha dado tão certo. Fiquei sabendo (por fontes diversas, nenhuma que seja seguuuura) que Tobey Maguire e Kirsten Dunst adoram fazer os filmes e que sempre esperam ansiosos pelo próximo. Há quem diga que estão enterrando sua carreira por causa disso. Eu acho que se você pode ganhar dinheiro (e bastante) fazendo algo que te dá prazer, por que parar? Eles nem precisam de carreira, graças a esses filmes ambos ficarão imortalizados, para o bem ou para o mal!

E não dá pra comparar, Homem-Aranha é muito mais divertido que qualquer outro filme de super-herói que saiu nos últimos anos. Teve o ótimo Batman Begins, Super-Homem também ficou muito bom, mas divertidos como Homem-Aranha nenhum foi. Quando assisti o primeiro filme eu não estava num dia muito feliz da minha vida, não estava nem em uma época muito feliz da minha vida. Aí, a minha querida atual madrinha - praticamente uma fada-madrinha - teve a feliz idéia de me levar no cinema para ver se eu me animava um pouco (ela me conhece muito bem): "está passando aquele filme novo do Homem-Aranha, é legal..." Eu não estava com muita vontade de assistir isso não, mas me deixei levar. E, caracoles!, eu saí do cinema jubilante!!!

Olha, nunca li um quadrinho do Homem-Aranha, mas já tinha visto o desenho animado, e achei que o Tobey Maguire caiu como uma luva para esse personagem. E a tia May está perfeita, o dono do jornal Jameson (J.K. Simmons) também, e o Norman Osborn (Willen Dafoe) chega a ser uma falta de respeito!

O segundo filme foi o que eu mais gostei, e o motivo principal é a simpatia que sinto pelo vilão Octuplus, ou Dr. Otto Octavius (Alfred Molina). Alfred Molina é sempre extremamente seguro em seus papéis e nesse caso não foi diferente, conseguiu passar a complexidade de um vilão ao mesmo tempo carismático e temível. Além disso, nesse filme parece que o humor está mais afiado e bem dosado. Ao meu ver, Homem-Aranha 2 ficou perfeito!

Chegamos finalmente ao terceiro filme. O mais polêmico. Mas depois que eu percebi que o próprio Sam Raimi participou do roteiro desse, tudo passou a fazer mais sentido: ficou a cara dele - isso não é uma crítica. Está certo, imagino que existe pelo menos um consenso aqui, em Homem-Aranha 3 o Sam Raimi chutou o pau da barraca! Isso é bom, isso é ruim? Ainda não sei. O filme está divertido? Ô!

É nesse filme que finalmente James Franco parece se encontrar como Harry Osborn. Mas também nunca vi alguém ser tão disperdiçado como foi a Bryce Dallas Howard como a insípida Gwen Stacey! Topher Grace como Eddie Brock também deixou muito a desejar e parece que só deslanchou mesmo quando incorporou o Venom (talvez pq a partir daí a computação gráfica fez boa parte do trabalho).

As cenas de comédia estão muito mais exageradas - na verdade TODAS as cenas estão muito mais exageradas. Uma enormidade de vilões aparece, e, como se isso já não fosse o bastante, uma meleca preta extra-terreste resolve se amigar com Peter Parker transformando-o num EMO!! Nesse momento eu não sabia mais se ria ou se chorava, as cenas chegavam a ser constrangedoras! É tudo tão ridículo que eu acabei gostando. Sabe, quando o cara sabe que está fazendo algo absurdo e tem cacife para ir além do absurdo,
exagerar o que já era impossível, piorar o que já era ridículo, eu acabo me afeiçoando à sua coragem. Sam Raimi não teve medo de fazer loucuras, na verdade ele só estava dizendo "Acha que eu não sei que tudo isso é absurdo? Eu SEI e vou deixar isso muito claro!".

Posso estar criando uma tremenda polêmica agora, mas simplesmente não posso deixar de dizer: Parabéns, Sam Raimi.

14.11.07

1408


2007
Suspense, Terror
Direção: Mikael H
åfström
Roteiro: Matt Greemberg e
Scott Alezander


1408 é um filme repleto de efeitos especiais. Não traz absolutamente nada de novo, mas é incrivelmente gostoso de se assistir. Em produções recentes isso chega a ser louvável.

Mike Enslin (John Cusack) é um especialista em desmascarar supostas assombrações. Ao ficar sabendo de um quarto de hotel almaldiçoado, cujo número é 1408, decide ir até o hotel para passar a noite e verificar a veracidade dos fatos lá ocorridos. O gerente do hotel Gerald Olin (Samuel L. Jackson) está decidido a não permitir que Mike fique no quarto 1408, porém não consegue convencê-lo do perigo que corre.

Mais um filme baseado em uma história de Stephen King. Para quem assistiu o filme, isso é extremamente óbvio. A história me é bem familiar, em vários momentos lembrando O Iluminado, mas esse é o máximo de semelhança que ambos os filmes têm. Primeiro porque apesar de competente, o diretor de 1408 não é nem um Kubrick; segundo porque a história só lembra a de O Iluminado, mas é bem mais simples.

John Cusack, como sempre, dá um show à parte, mas Samuel L. Jackson, em sua curta participação, é competente, mas traz um ar de "já te vi". O roteiro é bem elaborado para o que se propõe (que eu suponho ser o entretenimento puro e simples) e proporciona um crescente nos fatos que atinge facilmente o objetivo de nos envolver. Clichês esse filme tem de monte, mas são todos muito bem utilizados. Os efeitos especiais são quase a alma do filme - não fosse a presença marcante de Cusack roubando a cena - mas são precisos e acabam funcionando bem.

Apenas o final me inquietou um pouco, pois não deixa dúvidas para a veracidade ou não dos fatos. Era melhor ter deixado as coisas mais "no ar" e ter acabado o filme antes.

Emfim, para quem gosta de filme de terror descompromissado, está aí uma ótima pedida. Garanto muitos sustos e cia!


29.10.07

The Messengers (Os Mensageiros)





2007
Suspense
Direção: irmãos Pang
Roteiro: Mark Wheaton







Taí um típico filme que não acrescenta nada, a ponto de sequer ficar na memória depois de 15min do término. É um bom entretenimento? É. É um bom filme? Ah... até que é, vai. Mas é um típico "irmãos Pang": muito alarde e pouco fato.

Jess Solomon (Kristen Stewart) é uma menina que está enfrentando problemas no seu relacionamento com seus pais Roy (Dylan McDermott) e Denise (Penelope Ann Miller). Os três e seu irmão caçula Ben (Evan Turner / Theodore Turner) se mudam para um sítio em uma pacata cidade. Jess e o pequeno Ben começam a perceber que a casa pode ter sido palco de estranhos acontecimentos, mas o único que parece acreditar na garota é Burwell Rollins (John Corbett), o novo ajudante de seu pai.

Irmãos Pang... Primeiro vem aquele auê todo por causa de A Herança (The Eye). Achei muito bom, mas tb não era pra tanto. Depois mais auê por causa de Visões (The Eye 2), e esse nem bom eu achei. Aí vem Assombração, e sobre esse prefiro nem falar mais nada. Tudo isso já me fez ficar com os dois pés atrás antes de ver Os Mensageiros.

O filme tem uma fotografia muito boa - e a isso tenho que dar o braço a torcer, os Irmãos Pang sabem como deixar um filme "belo". Tem cenas de suspense ótimas, atores competentes e uma hisória muito boa. Parece quase unânime que a cena dos corvos ficou no ponto, e foi obviamente inpirada em Os Pássaros.

Porém, o roteiro deixa muito a desejar (é, não se pode confundir história com roteiro). As cenas foram construídas de modo a deixar o filme muito previsível. E me fica a dúvida se no fim das contas aquele final não acabou ficando até mesmo forçado...

É, nada de novo no Reino da Babilônia...


21.10.07

House on Haunted Hill (A Casa dos Maus Espíritos)




1959
Terror
Direção: William Castle
Roteiro: Robb White





Da última vez falei sobre terror com classe, hoje falo de ator com classe. Um filme ótimo, cuja história foi recontada inúmeras vezes de diversas formas diferentes; mais um filme sobre mansões mal-assombradas, mais um clássico para a minha coleção. Mas acima de tudo, um filme estrelado por Vincent Price, primoroso, sublime.

Frederick Loren (Vincent Price) e sua esposa Annabelle Loren (Carol Ohmart) decidem dar uma estranha festa. Poucos são os convidados, escolhidos aparentemente aleatóriamente, e todos receberão 10 mil dólares ao final da festa, caso sobrevivam (senão o pagamento será feito aos seus herdeiros). Uma casa mal-assombrada será palco da suposta festa, e seu amedrontado proprietário, Watson Pritchard (Elisha Cook Jr.), também estará presente. Para conseguir o dinheiro, os convidados têm apenas uma condição, passar uma noite inteira na casa, cujas portas se trancarão a partir da meia-noite.

Vincent Price é um dos ícones do cinema de terror. Estrelou filmes como Museu de Cera (53), o Poço e o Pêndulo (61), O Corvo (63), O Abominável Dr. Phibes (71), As Sete Máscaras da Morte (73) e Edward Mãos de Tesoura (90) - este, seu último filme, fechando sua carreira com chave de ouro. Seus papéis, que quase sempre envolviam loucos excêntricos e cheios de classe, preencheram os filmes de terror com uma elegância há muito perdida.

A Casa dos Maus Espíritos é um filme ótimo. É dotado de efeitos especiais divertidíssimos de se ver nos dias de hoje (e que até me impressionaram por sua qualidade), efeitos sonoros recheados de gritos e gargalhadas - hoje tão relacionadas às casas mal-assombradas - e um cenário fantástico. A casa onde ele se ambienta tem uma arquitetura que me lembrou muito uma mistura de Flávio de Carvalho com um toque Frank Loyd Right (é pena que poucos compreenderão o que isto significa), uma construção robusta e com ares faraônicos.

As atuações são todas realmente ótimas. A mocinha Nora Manning (Carolyn Craig) deve ter ficado rouca no final das filmagens de tanto que gritou. E que gritos! Porém, acredito que posso afrimar que foi Price quem carregou o filme todo e ajudou a embutir nele todo o clima de apreensão e desconfiança que o mesmo possui.

O remake, A Casa da Colina (99) - dirigido por William Malone e com roteiro de Dick Beebe - agregou muita coisa à história original, atribuindo um novo passado à casa e um motivo para que cada personagem tivesse sido convidado. São idéias muito boas, porém que da forma como foram trabalhadas acabaram agregando um toque muito grande de "teen" no filme. Os anfitriões da fatídica noite de "festa" passam a se chamar Sr. e Sra. Price (Geoffrey Rush e Famke Janssen) - claríssima homenagem a quem? E pode-se dizer que Geoffrey Rush fez um trabalho interessante como o excêntrico milionário, deixando o personagem mais canastrão, porém que não sai do caricato se comparado à fantástica atuação de Vincent Price.











À Esquerda Geoffrey Rush e à direita Vincent Price, ambos como "o anfitrião".

14.10.07

The Legend of Hell House (A Casa da Noite Eterna)




1973
Terror
Direção: John Hough
Roteiro: Richard Matheson




Se existe terror com classe, esse filme é praticamente seu símbolo. Com uma atmosfera envolvente e poucos efeitos especiais, é o filme perfeito para se assistir em uma noite chuvosa.

Depois de comprar uma mansão famosa por ser mal-assombrada, o Sr. Deutch (Roland Culver) propõe ao médium físico Benjamin Fischer (Roddy McDowall) - único sobrevivente lúcido de uma tentativa anterior de estudar a mansão -, à medium psíquica Florence Tanner (Pamela Franklin) e ao físico Lionel Barrett (Clive Revill) que passem uma semana na mansão estudando a veracidade das lendas que a envolvem. Para isso, oferece 100 mil libras para cada um, independente do resultado dos estudos. Assim, os três - juntamente com Ann Barrett (Gayle Hunnicutt), a esposa do Sr. Barrett - aceitam a proposta e se preparam para a pior semana de suas vidas - e, para alguns, a última.

Já fazia um bom tempo que eu estava com esse filme em casa. Selecionei-o juntamente com outras obras antigas que tratam do mesmo tema, casas mal-assombradas, na ansia de ampliar meu curto repertório - já que é um tema que sempre me interessou muito. Porém, acabei esquecendo-os distraida com filmes mais novos.

O tempo passa, o tempo voa, e eu aqui pensando no que fazer enquanto meu querido computador não volta do conserto. Mas, ei, tem aqueles filmes velhos que eu ainda não assisti... E qual não é a minha surpresa ao ver que toda a minha espectativa foi superada! Que delícia de filme!

Há de se convir que a história já não era lá muito original nem para a sua época. Um grupo de pessoas desafiados a passar uma (ou várias) noites em uma suposta casa mal-assombrada é um enredo já usado em A Casa dos Maus Espíritos, de 1959, mas, claro, não era algo tão batido como hoje em dia. Porém, a destreza com que esse filme foi feito, destaca-o em meio à esse bolo de filmes iguais que temos atualmente. É uma grande injustiça ele já não ser mais muito conhecido.

Direção primorosa de John Hough e roteiro muito bem construído por Richard Matheson (também roteirista de Encurralado) criaram um clima mais que perfeito, com tomadas sombrias, por entre estátuas estranhas e objetos empueirados. Soma-se a isso, as atuações extremamente consistentes - destaque para o fantástico Roddy McDowall. E uma curiosidade: o filme conta com uma participação mais que especial de Michael Gough (o querido mordomo Alfred dos primeiros filmes do Batman).

Enfim, para quem gosta de filmes de mansões e fantasmas, está aí um prato cheio. Um ícone, impossível de se encontrar na atualidade outro à altura.


30.9.07

Devil’s Rejects (Rejeitados Pelo Diabo)




2005
Terror
Direção: Rob Zombie
Roteiro: Rob Zombie





Se eu tinha gostado de A Casa dos 1000 Corpos, eu me apaixonei por Rejeitados Pelo Diabo! Isso é que é seqüência!

Depois de descoberta as atrocidades que a família cometia, o xerife John Quincy Wydell (William Forsythe) está no encalço de Baby (Sheri Moon Zombie), Otis (Bill Moseley) e do Capitão Spaulding (Sid Haig). Agora os três estão fugindo e deixando morte por onde passam.

Rob Zombie fez em Rejeitados Pelo Diabo tudo o que eu queria. Pegou as grandes qualidades de A Casa dos 1000 Corpos e lapidou, lapidou, lapidou até sair um filme praticamente perfeito. Nesse filme continua claro que Rob Zombie se criou cinematograficamente em meio ao vídeo-clipe, mesmo assim Rejeitados Pelo Diabo tem cara de obra finalizada, de cinema.

Além disso, é obvia a influência de Quentin Tarantino em diversas seqüências e, venhamos e convenhamos, não há ninguém melhor para se ter como influência. O único pecado do filme todo acontece bem próximo ao desfecho do filme, quando Rob Zombie insere várias tomadas externas (onde se pode até ouvir grilos) em meio a uma cena pesada e, de certa forma, dramática; o que resultou na quebra do ritmo e do clima tenso da cena em questão.

A edição, a trilha sonora, a fotografia, o cenário... Tudo no filme é digno de nota. A seqüência dos créditos iniciais já valeria pelo filme inteiro, mas não nos prepara para um final perfeito ao som de Free Bird, de Lynyrd Skynyrd. Quanto à maquiagem: acreditar que a expressão do Capitão Spaulding perdeu um pouco a força, por causa dos seus dentes mais sujos, pode ser chamado de defeito em meio a todo o resto?

Falando em Capitão Spaulding, Rob Zombie foi esperto o suficiente para selecionar os personagens mais carismáticos de A Casa dos 1000 Corpos e fazer deles os principais de Rejeitados Pelo Diabo. Personagens fortes, interpretados por atores competentíssimos, que fazem o que querem com o filme. Você os ama e os odeia. Sabe que eles merecem, mas não quer que eles se dêem mal. Nem você sabe mais o que pensar quando o filme já está lá pelos finalmentes. Para quem eu devo torcer mesmo? Ah, precisa ter muita manha pra conseguir manipular o espectador dessa maneira!

No mais, acho que a melhor maneira de definir Rejeitados Pelo Diabo seria dizendo (com o perdão da palavra): Que filme foda!

23.9.07

House of 1000 Corpses (A Casa dos 1000 Corpos)





2003
Terror
Direção: Rob Zombie
Roteiro: Rob Zombie





Criativo, inovador e radical, A Casa dos 1000 Corpos é uma grande homenagem aos antigos filmes de terror, recheado de uma boa quantidade de humor-negro.

Dois jovens casais estão fazendo uma pesquisa a respeito das coisas estranhas que se pode encontrar nas estradas e acabam passando pelo bizarro posto de gasolina de Capitão Spaulding (Sid Haig), que lhes conta a respeito da lenda do louco Dr. Satan (Walter Phelan). Na busca pelo local onde o Dr. Satan teria sido enforcado, os jovens acabam se deparando com a caronista Baby (Sheri Moon) e sua estranha família.

Primeiro, sobre o Rob Zombie. Ex integrante da banda White Zombie, Rob Zombie é um músico americano que mantém uma carreira solo ao estilo do “metal industrial” (seja lá o que isso for...). Apaixonado por cinema, já havia feito alguns videoclipes quando decidiu escrever e dirigir seu próprio filme de terror. Eis que nasce A Casa dos 1000 Corpos.

Ao meu ver, o defeito desse filme está na edição. O filme se perde um pouco no exagero. Muito exagero. Tem longas passagens com muita cara de videoclipe. Mesmo assim, toda a estética psicodélica, os cenários e a edição são completamente inovadores, e são o que eu considero o ponto alto do filme. É o que o diferencia de todos os outros (atuais ou não), é o que o tira da grande massa e lhe dá o devido destaque. Só achei que o Rob Zombie pesou um pouco a mão. Se ele tivesse perdido mais tempo nesse filme, acho que aí sim chegaria num ponto ótimo. Mas o resultado final ficou parecendo uma colcha de retalhos, onde cada retalho é uma idéia legal (várias poderiam ter sido melhor trabalhadas), e cada retalho compete entre si.

Existem diversas cenas muito boas. Adorei o Capitão Spaulding, a família maluca – pincipalmente a Baby e o Otis (Bill Moseley), e as cenas do subsolo. Cenário e maquiagens ficaram muito bons. A história é simples e direta ao ponto, sem muita lenga-lenga. Curta, grossa e eficaz. Muitos clichês recheiam o filme, porém são bem utilizados (como é o caso do final: clichê e previsível, mas não poderia ser diferente).

A alusão ao halloween ficou completamente desnecessária e os personagens “vítimas” são extremamente fracos, o único que me cativou foi o pai de uma das meninas, Don Willis (Harrison Young) - e talvez só porque os velhinhos sempre me cativam mesmo. Mas no geral, achei o filme divertidíssimo e mostra que o Rob Zombie tem um belo potencial para a coisa toda.

Em resumo, não é perfeito, mas adorei o filme!! E agora estou louca para ver The Devil’s Rejects, a "sequência"!

25.8.07

Haute Tension (Alta Tensão)



2003
Terror
Direção: Alexandre Aja
Roteiro: Alexandre Aja e Grégory Lavasseur




Esse é um dos raros filmes (senão o único) que ao terminar eu pensei: dane-se a veracidade, que me importa a possibilidade! O final gerou furos de roteiro? Talvez, mas to me lichando pra isso!!!

Marie (Cécile de France) e Alex (Maïwenn Lê Besco) são duas universitárias que vão passar alguns dias no sítio, com a família de Alex. Na mesma noite em que elas chegam, um sórdido assassino (Philippe Nahon) surge para acabar com suas vidas das maneiras mais sanguinárias imaginadas.

Fazia muito tempo (talvez desde O Massacre da Serra Elétrica e Ju-On: The Grudge) que eu não via um filme que tenha me deixado TÃO tensa durante o filme INTEIRINHO. O nome desse filme lhe caiu como uma luva mesmo.

Alexandre Aja foi como todos os diretores de filmes de terror deveriam ser: sem medo de ser feliz. Ele é sem dúvida nenhuma uma das grandes revelações do cinema de horror. Dirigiu também Viagem Maldita, mas, talvez por ser um remake, este é apenas um filme bom, nada perto de Alta Tensão. Espero ansiosa que Alexandre Aja não seja o diretor de um filme só...

Cécile de France simplesmente destrói! Lembra da Sally (Marilyn Burns), a loirinha do Massacre? Pois é, a Marie não tem nada a ver com ela! Gritos de pânico, desespero e fuga a todo o vapor são coisas que não fazem parte do vocabulário dela. Isso ela deixaria para a pobre Alex, se esta tivesse a chance - tenho CERTEZA que ela faria tudo isso, pois a Maïwenn é f*** também. E “Le Tueur” (“O Matador”) dá um show à parte, não precisa de máscara, só com a sua barriga nojenta e suas unhas encardidas ele já é horrível o bastante (visualizou um bugre, né? pois não deve ser tão blerg quanto este).

Finalmente um filme de terror que de fato serve para aterrorizar. Era tudo o que eu queria e foi o que eu consegui. E nem a enorme expectativa que o rodeada serviu para amenizar o impacto.

Dicas para gostar ainda mais do filme*:

- Em certa passagem do filme toca uma música do New Born. Descubra a letra da música e relacione com a cena correspondente.

- Existe uma cena dentro de um banheiro público, preste atenção na inscrição que aparecerá no banheiro e depois pesquise a respeito dela.



SPOILER:

Ao terminar o filme você fica com algumas dúvidas. Mas que diabos? Como que a garota conseguiu guiar dois automóveis ao mesmo tempo? Como ela conseguiu guiar o furgão e estar na caçamba ao mesmo tempo? DE ONDE VEIO AQUELE FURGÃO?????

Bom, a maneira mais sadia (leia-se “de modo a não enlouquecer de tanto pensar”) de interpretar isso é supondo que a maior parte do filme é proveniente da imaginação grotesca da Marie. Só o que temos certeza que aconteceu foi: Marie matou pai, mãe e irmãozinho da Alex (e o cachorro, e os periquitos...), depois o pobre do rapaz do posto de gasolina e, por fim, o fulaninho que tava só passando por ali de carro (uma das mortes mais legais do filme – finalmente alguém teve coragem de usar uma moto-serra como ela merece!); de resto, tudo pode ser simplesmente invenção da louquinha.

Puxa, essas mortes... Caraca, muito boas! Talvez a do pai seja um pouco demais para uma menina daquelas ter conseguido de fato realizar, mas vale por ela ter imaginado que seria assim (e nós termos visto, claro). Outra que é imaginária, mas é uma das minhas preferidas, é a do pau-farpado. Nossa, haja paulada com arame-farpado na cara do grotesco, meu! E depois ela puxando o plástico todo grudado nos buracos da cara dele! Ah, eu sou fã dessa Marie!!!!

Bom, voltando às suposições. Será que Marie e Alex eram realmente amigas de faculdade? Será que elas sequer se conheciam? Eu começo a acreditar que não. E aí está a beleza do filme (fora o fato de ele ser ENERVANTE!), não dá pra saber e cada um acredita no que quer. Se você quiser acreditar que isso é tudo balela e o filme é uma bosta, pode também! Vale tudo.

Há quem acha até que a Marie se auto-mutilou para tentar provar que sua história era verdade (senão, como explicar a existência dos ferimentos que ela ganhou no acidente de carro se não é possível ter havido nenhum?). Eu particularmente não sou muito fã dessa interpretação, acho até que prefiro uma versão onde a Marie volta a pé pro posto, cata o carro do mortinho e capota sozinha. E por que ela faria isso? Porque ela é uma doida que hora acha que é uma menina que enfrenta um assassino, hora acha que é um barrigudo nojento. Eu sei lá porque ela faria isso, caramba!

Diz aí o que VOCÊ achou, e depois conversamos...


* Dicas de JP.

5.8.07

Black Christmas (Noite do Terror)




1974
Susense/Terror
Direção: Bob Clark
Roteiro: Roy Moore





Junte Black Christmas e O Massacre da Serra Elétrica e você terá toda essa bananada de slashers que tomaram conta dos anos 80. Billy e Leatherface, juntos, são os precursores de Michael Meyers, Jason Vorhees e Freddy Krueger. E são muito melhores que estes.

Durante o Natal, um grupo de garotas que vive em uma espécie de pensão começa a ser molestado por estranhos telefonemas. Logo, uma a uma, as meninas serão vítimas de um louco assassino.

Filme ótimo, surpreendentemente bom. Talvez o único pecado de Black Christmas seja o fato de ficar um pouco em cima do muro. Não sei se é suspense ou se é terror. Isso pode ser uma coisa boa, mas nesse caso pode ter prejudicado um pouco. Quem não gosta de terror não se sentirá impelido a assisti-lo, e quem busca pelo terror incessante ficará desapontado com sua moderação em usá-lo. Já o público que se encanta com ambos encontra nesse filme um prato cheio!

Bob Clark nunca foi um diretor que tenha despontado completamente em sua carreira. E Black Christmas fez sucesso em sua época, mas o tempo e os novos slashers o fizeram perder o brilho. Ele acabou se perdendo principalmente atrás do seu “filho” Halloween, e digo filho porque Halloween foi feito a partir de um roteiro criado para ser a continuação de Black Christmas. O mesmo aconteceu com Mensageiro da Morte, e ambos acabaram sendo lançados como filmes independentes.

Foram dois os títulos que renderam a fama de Clark: a clássica comédia Poky’s e seu maior sucesso Uma História de Natal. A partir daí nota-se que este não era um homem de uma faceta só. A única semelhança que esses filmes possuem (incluindo Black Christmas) é o fato de todos serem precursores dentro de seus gêneros. E esse mérito Bob Clark terá pela eternidade.

Fora a originalidade (e só por isso esse filme já merece respeito), Black Christmas possui o clima sombrio na medida certa, com tomadas muito bem feitas e consegue se manter intrigante durante todo o tempo, sem precisar apelar para a beleza das atrizes. E olha que temos Margot Kidder – a Louis Lane dos filmes do Superman – no elenco! (soma-se a isso o fato de que Clark também dirigiu Porky’s e aí sim, essa informação se torna realmente notável)

Além disso, o serial-killer Billy é de fato assustador, algo importantíssimo num filme desse tipo. Nós nunca o vemos diretamente, mas sua silhueta e sua voz já são o suficiente para gelar a espinha.

Com tantas qualidades, é claro que Black Christmas não conseguiu ficar fora da onda de remakes (e falta de criatividade) que assola Hollywood. E corre o boato que novamente a refilmagem não conseguiu atingir nem metade do que o original conseguiu. Assim, fico até com medo de assistir o novo! Para quem, assim como eu, não quiser assistir o remake, pegue o original e não se arrependerá. Ah, que diabos, isso vale para quem assistiu o remake também!

23.7.07

Hostel (O Albergue)





2005
Terror
Direção: Eli Roth
Roteiro: Eli Roth





Com seus fãs incondicionais, O Albergue até tem lá suas qualidades, mas, em meio a um roteiro mal elaborado, elas não conseguem torná-lo um filme bom.

Paxton (Jay Hernandez) e Josh (Derek Richardson) estão fazendo um mochilão pela Europa em busca do de sempre: sexo; e logo conhecem Oli (Eythor Gudjonsson), que é basicamente um tarado na mesma situação dos dois. Em um de seus passeios, eles ficam sabendo de um albergue na Eslováquia onde lindas mulheres têm uma certa tara por americanos. Quando a esmola é muita, o santo desconfia, mas como eles são tudo menos santos, os três partem para um lugar distante e estranho, onde não farão falta a ninguém.

A primeira hora de filme serve basicamente para nos apresentar os personagens (da qual quinze minutos foi o suficiente para destrinchar suas personalidades de cabo a rabo – elas têm a profundidade de um pires). Eli Roth também aproveita essa parte do filme para levantar algumas questões sociais, como a facilidade de se conduzir as pessoas desde que se satisfaçam as suas necessidades pessoais, a corrupção e a criminalidade infantil. Sendo um filme de terror, até entendo que Eli Roth não tenha destrinchado mais esses assuntos, porém para essa citação seriam necessários no máximo mais quinze minutos de filme.

Assim, na pior das hipóteses, O Albergue precisaria de 30 minutos para fazer uma coisa que ele enrolou por pornográficos 60. Entendam, o filme tem um total de 94 minutos, dos quais cerca de 60 minutos são de apresentação dos personagens, levantamento de questões sociais e MUITOS peitos; e apenas uns 35 minutos (repito, 35) são do que se pode chamar terror.

O Albergue é um filme de terror, cujo terror só é passado em um terço do filme. E pior. O terror é relegado APENAS a esses 35 minutos finais. Não há um só suspensezinho que seja durante a incansável primeira hora de filme. Filme de terror que apela para peitos? Ta cheio! Vocês nunca me viram reclamando disso aqui, mas nesse caso é uma hora de filme pornô contra 35 minutos de terror. Essa proporção está completamente invertida!!!!!!!!! Será que ninguém consegue ver isso????

A preocupação de Eli Roth em levantar problemáticas para se pensar após o filme é visível. Em seu final, outras questões que o filme levanta são qual é o limite para o que o dinheiro pode comprar, até onde um ser humano pode chegar, e qual o limite entre o prazer e o doentio. Toda essa citação de temas psicológicos e sociais, somados às ótimas cenas de tortura, são o que fazem com que eu não considere O Albergue um filme péssimo. São o que fazem com que eu veja que o Eli Roth até tem um bom feeling para a coisa, mas ele não soube conduzi-la, ponderar as proporções, lapidar o roteiro de modo a transformá-lo no filme genial que ele poderia ter sido.

15.7.07

Dark Water (Água Negra)

Título original: Honogurai mizu no soko kara

2002
Terror/Drama
Direção: Hiedo Nakata e Kyle Jones (versão em inglês)
Roteiro: Yoshihiro Nakamura, Kenichi Suzuki, Takashige Ichise (não creditado), Hideo Nakata (não creditado) e Kyle Jones (versão em inglês)






2005
Suspense/Drama
Direção: Walter Salles
Roteiro: Rafael Yglesias




Um filme lindo e delicado e uma refilmagem, já de se esperar, inferior. Mas se é para comparar, então vamos comparar mesmo!

Dark Water conta o drama de uma mãe que luta para manter a guarda da filha Ikuko/Ceci (Rio Kanno/Ariel Gade). Yoshimi/Dahlia (Hitomi Kuroki/Jennifer Connelly) é uma mãe carinhosa e dedicada, porém está enfrentando uma péssima fase no âmbito pessoal e profissional. Ela acabou de se mudar para um apartamento pequeno e conseguir um emprego razoável, e a duras penas precisa provar ser capaz de criar e sustentar sua filha. No novo edifício, coisas estranhas começam a acontecer, atormentando ainda mais essa frágil família.

Dentre os filmes de terror asiático, Dark Water é obviamente um dos mais leves. É um filme lindíssimo, que mantém um ritmo suave, mas que consegue deixar quem assiste tenso nas horas certas. O filme, apesar de ser vendido como terror, possui uma carga muito grande de drama, como é sempre comum nos filmes asiáticos. Isso, também como sempre, pode gerar uma certa decepção em quem o assiste buscando por sustos.

O elenco é primoroso. Rio Kanno é a coisa mais fofa que já se fez no mundo, e sua interpretação é fabulosa. A fantasminha Mitsuko (Mirei Oguchi) é assustadora (jogada de mestre de Nakata não mostrar o rosto dela durante o filme inteiro) e Hitomi Kuroki está fantástica evidenciando todas as aflições pela qual sua personagem passa.

Mas com certeza o final foi a parte mais emocionante do filme. E digo emocionante mesmo, Rio Kanno me fez derramar rios de lágrimas em uma das cenas mais lindas do cinema. Além disso, essa cena (a cena do elevador) eu suspeito que seja uma homenagem que Hideo Nakata fez a O Iluminado de Stanley Kubrick.

Já a refilmagem, dentre as tantas refilmagens que saíram por aí, acho que é uma das melhores (senão a melhor) já feita. Walter Salles fez umas mudancinhas, mas não matou a obra original. Porém, ele apostou muito pouco nas cenas assustadoras e a sua fantasminha não chega nem aos pés da Mitsuko de Nakata.

Outro defeito da refilmagem Água Negra é que Walter Salles não soube conduzir a dramaticidade e a ligação entre Dahlia e Ceci tão bem quanto eu gostaria. Mãe e filha me comoveram muito mais no filme original. Talvez isso aconteça porque Salles foca muito mais em Dahlia do que no relacionamento dela com Ceci. Porém, destaco a ótima atuação de Jennifer Connelly, que leva o filme nas costas. E a atuação de Ariel Gade como Ceci é convincente.

Recomendo ambos os filmes pelo diferente enfoque que cada um dá. Claro, a fotografia do primeiro roubou meu coração, mas vale a pela conhecer a interpretação de Walter Salles para tão linda obra.

10.7.07

King Kong



2005
Aventura, Ação
Direção: Peter Jackson
Roteiro: Fran Walsh e
Philippa Boyens



Quer se divertir, rir e não precisar pensar? Assista esse filme! Peter Jackson cruza a fronteira entre o impossível e o completamente absurdo com uma segurança de quem sabe o que faz e a única coisa que consegui pensar quando me defrontava com os absurdos do filme era “Foda-se, tá muito legal!”.

Ann Darrow (Naomi Watts) é uma atriz desempregada que aceita trabalhar em um filme sobre o qual desconhece tudo por ser fã do roteirista Jack Driscoll (Adrien Brody). Carl Denham (Jack Black) é o diretor que após apresentar sua idéia à Universal Studios (rodar seu filme em uma misteriosa ilha deserta), percebe que esta será rejeitada. Assim, Denham “rouba” o navio que lhe seria disponibilizado, levando Ann, Jack e os outros envolvidos em sua produção rumo a um lugar habitado por enormes e perigosos seres pré-históricos.

King Kong, o gorila mais famoso dos cinemas, teve sua história contada pela primeira vez em 1933. Tendo este arrecadado US$ 90 mil em seu final de semana de estréia e evitado que a produtora RKO Radio Pictures falisse, em 1976 foi feita uma refilmagem que ao que parece não superou em nada o original. Quisera eu ter assistido a ambos para ter uma opinião formada a respeito disso. Porém posso apenas discorrer sobre a mais nova versão para esse clássico, feita em 2005 por Peter Jackson.

Soube que o roteiro manteve-se fiel à obra de 1933, e um marco como foi este primeiro na história do cinema, Peter Jackson tinha um belo desafio pela frente se ele não quisesse que a sua versão virasse apenas mais um King Kong. Por incrível que pareça, o desafio foi cumprido com sucesso.

Peter Jackson não tem medo de chutar o pau da barraca. Ele exagera nas intempéries que os personagens enfrentam de forma tão descarada que fazem quem está assistindo nem se importar com as bizarrices que acontecem. Desde um navio-pimball, passando por uma avalanche da pesada e uma protagonista que poderia-se julgar ser feita de borracha, até chegar ao gorila de 8 metros de altura, nada é impossível depois que você entra no clima do filme.

E o Kong propriamente dito é de fato apaixonável. Se eu fosse a Ann, largava o Jack pra lá e ficava na ilha com o gorila! Que monstrengo mais fofo. Claro, que ele continua sendo uma fera assassina e descontrolada a maior parte do filme, mas que ele é super fofo com ela, isso ele é.

Claro que 3 (três!!!) horas de filme não é pouca coisa e ouvi dizer que tem louco que se cansou do filme na metade (essa é pra você, marido), mas eu nem vi a hora passar de tão empolgada que estava. Se você, assim como eu, é fã do cinema fantástico, vai gostar desse filme!




1.7.07

The Stuff (A Coisa)



1985
Terror
Direção: Larry Cohen
Roteiro: Larry Cohen




A Coisa é o típico filme B dos anos 80, ruim e bom ao mesmo tempo. O IMDb também o classifica como comédia, mas eu tenho a sensação de que essa não era exatamente a intenção do Larry Cohen. O que acontece é que ele é tão trash que chega a ser cômico, talvez um pouco propositalmente.

David “Mo” Rutherford (Michael Moriarty) é um ex-integrante do FBI contratado pelos donos de fábricas de sorvete para investigar uma estranha e nova sobremesa que tem tomado conta do mercado. Enquanto isso, um garoto chamado Jason (Scott Bloom) descobre que esse mesmo produto parece ter vida própria ao vê-lo se mover em sua geladeira.

Apesar de A Coisa ter passado praticamente semanalmente no SBT durante a minha infância, com certa relutância devo admitir que nunca havia assistido esse filme. Foi apenas há alguns meses atrás que eu tive a oportunidade de conferir essa pérola. E que surpresa, apesar da expectativa, ele não me decepcionou!

A Coisa é um filme divertido pelos mesmos motivos que o torna trash. O roteiro e os personagens são tão absurdos e caricatos que só pode ser piada. Personagens como ‘Chocolate Chip’ Charlie (Garrett Morris) e o Coronel Malcolm Spears (Paul Sorvino) são impossíveis de se levar a sério, e a introdução desse último num roteiro já duvidoso apenas serviu para deixar tudo ainda mais ridículo.

Porém, Larry Cohen se aproveita desses apetrechos para fazer algumas críticas. Em diversos momentos A Coisa (esse é nome da coisa) é tratada por alguns personagens como se fosse uma arma usada para escravizar os cidadãos (como se houvesse alguém por trás dela), uma clara metáfora à paranóia contrária ao comunismo que o mundo viveu após a Segunda Guerra. O filme também critica abertamente o consumismo desmedido e o poder da propaganda. E fica difícil não se lembrar da Coca-Cola: um produto de receita desconhecida, que dominou o mercado tendo como principal motivo para isso o fato de viciar o consumidor.

O que acontece é que, no final das contas, os absurdos, clichês, furos e efeitos especiais de mau gosto são tantos que acabamos chutando o balde e entrando nessa onda risível. O negócio é desencanarmos de todas as baboseiras e apreciarmos o filme sem medo de ser feliz!

24.6.07

Janghwa, Hongryeon (Medo)

Título internacional: A Tale of Two Sisters






2003
Terror/Drama
Direção: Ji-Woon Kim
Roteiro: Ji-Woon Kim






A Tale of Two Sisters é um filme baseado em um conto coreano a respeito de duas irmãs: Janghwa (“Rosa”) e Hongryeon (“Lótus Vermelha”). Assim, apesar de contar uma outra história, Ji-Woon Kim mantém o nome do conto a fim de que o público coreano já tenha em mente pelo que esperar. Estratégia inteligente adotada no título original e medíocre no nosso nacional. Por isso, me recuso a usar o título Medo aqui.

Depois de passarem uma temporada fora, as irmãs Soo-Mi (Su-Yeong Lim) e Soo-Yeon (Geun-Yeong Mun) voltam para casa e para a convivência com seu pai Moo-Hyeon (Kap-Su Kim) e a madastra Eun-Joo (Jung-Ah Yum). Logo, a madrasta transforma o regresso ao lar em um pesadelo.

Esse é um filme sublime. Belíssimo em termos de fotografia, cenário e trilha sonora. Na verdade, não sei o que me encantou mais. Parece que estamos assistindo a uma poesia visual e auditiva. A música suave que acompanha o filme é deliciosa e delicada, contrapondo com o drama que se desenvolve. O cenário inteiro se resume em uma casa e suas imediações campestres. As cores usadas do chão às paredes, os desenhos das cortinas e papéis de parede, tudo parece ter sido meticulosamente pensado para deixar o filme ainda mais pesado (e em alguns momentos mais leve). Simplesmente perfeito.

O roteiro é um item à parte. Complexo, denso e paradoxalmente suave, quase lento demais. À medida que se desenrola, ao invés de esclarecer, vai-nos deixando cada vez mais confusos e requer algumas (várias, diversas) horas de tutanos cozidos para conseguir encaixar tudo em seus lugares. E ainda não sei se o fiz por completo.

Com indícios do que virá pelo final, o filme vai se desenrolando num clima de disputa familiar entre Soo-Mi e a madrasta Eun-Joo (pela atenção do pai Moo-Hyeon e pela proteção de Soo-Yeon), e entre Soo-Mi e Moo-Hyeon (numa incansável cobrança pela presença e atitude deste último). Ficou confuso? Bom, em resumo, é a família mais desajustada que eu já vi. A única coisa harmoniosa que existe nela é a relação entre Soo-Mi e Soo-Yeon.

Nesse clima tenso, em que o pai está na maior parte do tempo ausente, a madrasta começa uma sessão de tortura psicológica (e no final física) contra as duas irmãs. Eun-Joo durante o filme todo se comporta como uma louca, com longos momentos de uma histeria patética em que seu marido a olha com desprezo e logo depois lhe entucha dois comprimidos para que ela não fique “doente” novamente.

Enquanto isso, Moo-Hyeon NUNCA se dirige à filha mais nova, inclusive não olha diretamente para Soo-Yeon nenhuma vez. Além disso, ele parece não se importar com o modo como sua esposa trata suas filhas, e se porta como se nada estivesse acontecendo. Apenas algumas vezes ele olhou com uma certa pena (misturado com um pouco de desprezo e vergonha, talvez) hora para Soo-Mi, hora para Eun-Joo; e em outras ocasiões ele pediu para que elas (separadamente) parassem de dizer disparates. No restante do tempo, ele parece fingir sequer estar lá.

SPOILER:

Esses são os maiores indícios do que realmente está acontecendo. Pois na verdade, Soo-Mi e seu pai são os únicos moradores daquela casa. Soo-Mi tem dupla personalidade e acredita ser sua madrasta (que de fato aparece na casa somente no final do filme). E Soo-Yeon... está morta.

Apenas no final do filme é que as coisas começam a ser desvendadas. Oras, é por isso que o pai não ligava para os mau-tratos, é por isso que ele olhava para Soo-Mi e Eun-Joo da mesma maneira, é por isso que ele não falava com Soo-Yeon. Mas, como Soo-Yeon morreu? E quem era a mulher que veio visitar Soo-Mi durante a noite (numa das cenas mais assustadoras do filme)? A resposta veio fragmentada, em meio às lembranças de Soo-Mi e Eun-Joo.

Eun-Joo era a outra, ela havia tirado Moo-Hyeon da mãe das meninas. Sem poder suportar, num dia em que seu marido aparece na casa com Eun-Joo, a mãe resolver dar fim à sua própria vida se enforcando dentro do armário de Soo-Yeon. A pobre menina, desconhecendo o fato, abre seu armário pela manhã e se depara com o corpo da mãe. Num rompante de desespero ela tenta tirar a mulher, derrubando o armário sobre si. Eun-Joo é a única que vê a menina altamente machucada e presa sob o armário, mas nada faz. Essa omissão custa a vida de Soo-Yeon.

E aquela mulher que veio ao quarto de Soo-Mi era sua mãe morta, que agora quer se vingar da rival Eun-Joo e, diga-se de passagem, no final parece que consegue.

As atuações são perfeitas. As duas meninas têm a força e a delicadeza (respectivamente) que a história pede. A madrasta passa por tantos momentos que é quase impossível acreditar que era a mesma personagem, e Jung-Ah consegue diferenciar cada nuance e ainda assim mantê-la a mesma. Do pai poderia-se pensar que seu papel é até fácil de fazer, mas como demonstrar preocupação e ausência ao mesmo tempo? Kap-Su faz isso.

Mas e o terror? Tem quem diga que esse filme é puramente drama, mas eu acho essa afirmação tendenciosa e inverossímil. O que prejudicou o filme foi o marketing errado (o trailer chega a ser ridículo). Com grandes doses de drama, o público pode se sentir enganado sim, mas o terror está lá. E apesar de proporcionalmente serem poucas, existem cenas em que eu estava pronta para arrancar o braço do sofá se a minha cama fosse um sofá com braços (e eu queria que fosse, para eu poder arrancá-los).

A Tale of Two Sisters chegou para se fixar como um dos meus filmes prediletos. E deixe o gênero para lá, pois não falo somente dentre os filmes de terror.