23.7.07

Hostel (O Albergue)





2005
Terror
Direção: Eli Roth
Roteiro: Eli Roth





Com seus fãs incondicionais, O Albergue até tem lá suas qualidades, mas, em meio a um roteiro mal elaborado, elas não conseguem torná-lo um filme bom.

Paxton (Jay Hernandez) e Josh (Derek Richardson) estão fazendo um mochilão pela Europa em busca do de sempre: sexo; e logo conhecem Oli (Eythor Gudjonsson), que é basicamente um tarado na mesma situação dos dois. Em um de seus passeios, eles ficam sabendo de um albergue na Eslováquia onde lindas mulheres têm uma certa tara por americanos. Quando a esmola é muita, o santo desconfia, mas como eles são tudo menos santos, os três partem para um lugar distante e estranho, onde não farão falta a ninguém.

A primeira hora de filme serve basicamente para nos apresentar os personagens (da qual quinze minutos foi o suficiente para destrinchar suas personalidades de cabo a rabo – elas têm a profundidade de um pires). Eli Roth também aproveita essa parte do filme para levantar algumas questões sociais, como a facilidade de se conduzir as pessoas desde que se satisfaçam as suas necessidades pessoais, a corrupção e a criminalidade infantil. Sendo um filme de terror, até entendo que Eli Roth não tenha destrinchado mais esses assuntos, porém para essa citação seriam necessários no máximo mais quinze minutos de filme.

Assim, na pior das hipóteses, O Albergue precisaria de 30 minutos para fazer uma coisa que ele enrolou por pornográficos 60. Entendam, o filme tem um total de 94 minutos, dos quais cerca de 60 minutos são de apresentação dos personagens, levantamento de questões sociais e MUITOS peitos; e apenas uns 35 minutos (repito, 35) são do que se pode chamar terror.

O Albergue é um filme de terror, cujo terror só é passado em um terço do filme. E pior. O terror é relegado APENAS a esses 35 minutos finais. Não há um só suspensezinho que seja durante a incansável primeira hora de filme. Filme de terror que apela para peitos? Ta cheio! Vocês nunca me viram reclamando disso aqui, mas nesse caso é uma hora de filme pornô contra 35 minutos de terror. Essa proporção está completamente invertida!!!!!!!!! Será que ninguém consegue ver isso????

A preocupação de Eli Roth em levantar problemáticas para se pensar após o filme é visível. Em seu final, outras questões que o filme levanta são qual é o limite para o que o dinheiro pode comprar, até onde um ser humano pode chegar, e qual o limite entre o prazer e o doentio. Toda essa citação de temas psicológicos e sociais, somados às ótimas cenas de tortura, são o que fazem com que eu não considere O Albergue um filme péssimo. São o que fazem com que eu veja que o Eli Roth até tem um bom feeling para a coisa, mas ele não soube conduzi-la, ponderar as proporções, lapidar o roteiro de modo a transformá-lo no filme genial que ele poderia ter sido.

15.7.07

Dark Water (Água Negra)

Título original: Honogurai mizu no soko kara

2002
Terror/Drama
Direção: Hiedo Nakata e Kyle Jones (versão em inglês)
Roteiro: Yoshihiro Nakamura, Kenichi Suzuki, Takashige Ichise (não creditado), Hideo Nakata (não creditado) e Kyle Jones (versão em inglês)






2005
Suspense/Drama
Direção: Walter Salles
Roteiro: Rafael Yglesias




Um filme lindo e delicado e uma refilmagem, já de se esperar, inferior. Mas se é para comparar, então vamos comparar mesmo!

Dark Water conta o drama de uma mãe que luta para manter a guarda da filha Ikuko/Ceci (Rio Kanno/Ariel Gade). Yoshimi/Dahlia (Hitomi Kuroki/Jennifer Connelly) é uma mãe carinhosa e dedicada, porém está enfrentando uma péssima fase no âmbito pessoal e profissional. Ela acabou de se mudar para um apartamento pequeno e conseguir um emprego razoável, e a duras penas precisa provar ser capaz de criar e sustentar sua filha. No novo edifício, coisas estranhas começam a acontecer, atormentando ainda mais essa frágil família.

Dentre os filmes de terror asiático, Dark Water é obviamente um dos mais leves. É um filme lindíssimo, que mantém um ritmo suave, mas que consegue deixar quem assiste tenso nas horas certas. O filme, apesar de ser vendido como terror, possui uma carga muito grande de drama, como é sempre comum nos filmes asiáticos. Isso, também como sempre, pode gerar uma certa decepção em quem o assiste buscando por sustos.

O elenco é primoroso. Rio Kanno é a coisa mais fofa que já se fez no mundo, e sua interpretação é fabulosa. A fantasminha Mitsuko (Mirei Oguchi) é assustadora (jogada de mestre de Nakata não mostrar o rosto dela durante o filme inteiro) e Hitomi Kuroki está fantástica evidenciando todas as aflições pela qual sua personagem passa.

Mas com certeza o final foi a parte mais emocionante do filme. E digo emocionante mesmo, Rio Kanno me fez derramar rios de lágrimas em uma das cenas mais lindas do cinema. Além disso, essa cena (a cena do elevador) eu suspeito que seja uma homenagem que Hideo Nakata fez a O Iluminado de Stanley Kubrick.

Já a refilmagem, dentre as tantas refilmagens que saíram por aí, acho que é uma das melhores (senão a melhor) já feita. Walter Salles fez umas mudancinhas, mas não matou a obra original. Porém, ele apostou muito pouco nas cenas assustadoras e a sua fantasminha não chega nem aos pés da Mitsuko de Nakata.

Outro defeito da refilmagem Água Negra é que Walter Salles não soube conduzir a dramaticidade e a ligação entre Dahlia e Ceci tão bem quanto eu gostaria. Mãe e filha me comoveram muito mais no filme original. Talvez isso aconteça porque Salles foca muito mais em Dahlia do que no relacionamento dela com Ceci. Porém, destaco a ótima atuação de Jennifer Connelly, que leva o filme nas costas. E a atuação de Ariel Gade como Ceci é convincente.

Recomendo ambos os filmes pelo diferente enfoque que cada um dá. Claro, a fotografia do primeiro roubou meu coração, mas vale a pela conhecer a interpretação de Walter Salles para tão linda obra.

10.7.07

King Kong



2005
Aventura, Ação
Direção: Peter Jackson
Roteiro: Fran Walsh e
Philippa Boyens



Quer se divertir, rir e não precisar pensar? Assista esse filme! Peter Jackson cruza a fronteira entre o impossível e o completamente absurdo com uma segurança de quem sabe o que faz e a única coisa que consegui pensar quando me defrontava com os absurdos do filme era “Foda-se, tá muito legal!”.

Ann Darrow (Naomi Watts) é uma atriz desempregada que aceita trabalhar em um filme sobre o qual desconhece tudo por ser fã do roteirista Jack Driscoll (Adrien Brody). Carl Denham (Jack Black) é o diretor que após apresentar sua idéia à Universal Studios (rodar seu filme em uma misteriosa ilha deserta), percebe que esta será rejeitada. Assim, Denham “rouba” o navio que lhe seria disponibilizado, levando Ann, Jack e os outros envolvidos em sua produção rumo a um lugar habitado por enormes e perigosos seres pré-históricos.

King Kong, o gorila mais famoso dos cinemas, teve sua história contada pela primeira vez em 1933. Tendo este arrecadado US$ 90 mil em seu final de semana de estréia e evitado que a produtora RKO Radio Pictures falisse, em 1976 foi feita uma refilmagem que ao que parece não superou em nada o original. Quisera eu ter assistido a ambos para ter uma opinião formada a respeito disso. Porém posso apenas discorrer sobre a mais nova versão para esse clássico, feita em 2005 por Peter Jackson.

Soube que o roteiro manteve-se fiel à obra de 1933, e um marco como foi este primeiro na história do cinema, Peter Jackson tinha um belo desafio pela frente se ele não quisesse que a sua versão virasse apenas mais um King Kong. Por incrível que pareça, o desafio foi cumprido com sucesso.

Peter Jackson não tem medo de chutar o pau da barraca. Ele exagera nas intempéries que os personagens enfrentam de forma tão descarada que fazem quem está assistindo nem se importar com as bizarrices que acontecem. Desde um navio-pimball, passando por uma avalanche da pesada e uma protagonista que poderia-se julgar ser feita de borracha, até chegar ao gorila de 8 metros de altura, nada é impossível depois que você entra no clima do filme.

E o Kong propriamente dito é de fato apaixonável. Se eu fosse a Ann, largava o Jack pra lá e ficava na ilha com o gorila! Que monstrengo mais fofo. Claro, que ele continua sendo uma fera assassina e descontrolada a maior parte do filme, mas que ele é super fofo com ela, isso ele é.

Claro que 3 (três!!!) horas de filme não é pouca coisa e ouvi dizer que tem louco que se cansou do filme na metade (essa é pra você, marido), mas eu nem vi a hora passar de tão empolgada que estava. Se você, assim como eu, é fã do cinema fantástico, vai gostar desse filme!




1.7.07

The Stuff (A Coisa)



1985
Terror
Direção: Larry Cohen
Roteiro: Larry Cohen




A Coisa é o típico filme B dos anos 80, ruim e bom ao mesmo tempo. O IMDb também o classifica como comédia, mas eu tenho a sensação de que essa não era exatamente a intenção do Larry Cohen. O que acontece é que ele é tão trash que chega a ser cômico, talvez um pouco propositalmente.

David “Mo” Rutherford (Michael Moriarty) é um ex-integrante do FBI contratado pelos donos de fábricas de sorvete para investigar uma estranha e nova sobremesa que tem tomado conta do mercado. Enquanto isso, um garoto chamado Jason (Scott Bloom) descobre que esse mesmo produto parece ter vida própria ao vê-lo se mover em sua geladeira.

Apesar de A Coisa ter passado praticamente semanalmente no SBT durante a minha infância, com certa relutância devo admitir que nunca havia assistido esse filme. Foi apenas há alguns meses atrás que eu tive a oportunidade de conferir essa pérola. E que surpresa, apesar da expectativa, ele não me decepcionou!

A Coisa é um filme divertido pelos mesmos motivos que o torna trash. O roteiro e os personagens são tão absurdos e caricatos que só pode ser piada. Personagens como ‘Chocolate Chip’ Charlie (Garrett Morris) e o Coronel Malcolm Spears (Paul Sorvino) são impossíveis de se levar a sério, e a introdução desse último num roteiro já duvidoso apenas serviu para deixar tudo ainda mais ridículo.

Porém, Larry Cohen se aproveita desses apetrechos para fazer algumas críticas. Em diversos momentos A Coisa (esse é nome da coisa) é tratada por alguns personagens como se fosse uma arma usada para escravizar os cidadãos (como se houvesse alguém por trás dela), uma clara metáfora à paranóia contrária ao comunismo que o mundo viveu após a Segunda Guerra. O filme também critica abertamente o consumismo desmedido e o poder da propaganda. E fica difícil não se lembrar da Coca-Cola: um produto de receita desconhecida, que dominou o mercado tendo como principal motivo para isso o fato de viciar o consumidor.

O que acontece é que, no final das contas, os absurdos, clichês, furos e efeitos especiais de mau gosto são tantos que acabamos chutando o balde e entrando nessa onda risível. O negócio é desencanarmos de todas as baboseiras e apreciarmos o filme sem medo de ser feliz!