28.12.07

Selo "Escritores da Liberdade"







Surpresa (boa)





O Pipoca no Edredom foi indicado para receber o selo "Escritores da Liberdade" pelo Fernando Assad do Novelo Digital. A modéstia que se phoda, fiquei feliz demais. O prêmio foi criado por Batom Cor de Rosa e segue abaixo a descrição que a criadora faz em seu blog:

"Todos temos blogs pelo fato de gostarmos de escrever. Por prazer, profissionalismo, ou qualquer motivo pessoal.
E a maioria gosta de escrever para liberar algum sentimento profundo, seja ele bom ou ruim. Escreve para se encontrar, para analisar a situação depois de algum tempo, ou naquela mesma hora, e também por essa paixão de pôr tudo no 'papel'.
E estou chamando esses blogueiros de Escritores da própria liberdade.
Escritores sim, mesmo que amadores, que escrevem suas emoções, que não guardam tudo para sí. Que compartilham tudo com pessoas muitas vezes estranhas(entre as conhecidas)... Escritores que admiro muito, por vários motivos, que se destacam de um jeito único, para cada uma das pessoas que os conhecem.
Blogueiros que publicam a sua liberdade de expressão.

Estou passando esse selo para 5 blogs que leio muito, que gosto muito.

E isso não significa que eu desconsidere os outros.
Vocês conhecem o 'sistema'. Passe adiante para outros 5 blogs amigos, copiem esse texto se quiserem, parabéns, escritores da Liberdade! =) "

Mesmo não sendo um prêmio daqueles que diversas pessoas votam antes de a gente ganhar, pois nesse caso basta um só, me senti honrada por ser lembrada por alguém (que foi lembrado duas vezes, diga-se de passagem). Valeu, Fernando!

E não se esqueçam que eu voto em 5 porque não posso votar em mais. Aqueles alí do ladinho são blogs que eu recomendo, tanto em assuntos cinematográficos, como outros tantos diversos.

Bom, meus indicados:

- Adoro Cinema
- Cinefagia
- Eco Social
- Hunny Bunny
- Registro Dissonante

E aproveito para dizer a todos que espero que tenham tido um ótimo Natal e que tenham uma passagem de ano ainda melhor.

Beijos!

21.12.07

Zodiac (Zodíaco)



2007
Suspense
Direção: David Fincher
Roteiro: James Vanderbilt





Mais uma obra de destaque sob direção de David Fincher. Não dá pra negar mesmo, o cara é um diretor e tanto.

Uma série de assassinatos chocam os americanos da bahia de São Francisco. A tentativa de descobrir quem é o Zodíaco, apelido dado ao serial-killer, acaba mudando a vida do inspetor David Toschi (Mark Ruffalo) e dos jornalistas Paul Avery (Robert Downey Jr.) e Robert Graysmith (Jake Gyllenhaal).

Todos aqui já devem saber, mas vivo numa constante disputa entre os clássicos e os atuais e, assumo, muitas vezes os mais antigos acabam me seduzindo. Aí, dá no que dá e eu fico tempos sem saber o que rola no mundo dos vivos. Ok, há vezes que a desgraça é tanta que nem do mundo dos mortos eu não sei mais...

Porém, me rendi a esse título, me rendi ao nome sedutor que vem na direção, me rendi pelos atores. Assisti Zodíaco em uma noite chuvosa de inverno, ao lado do meu maridinho – tinha tudo pronto para cairmos de sono na primeira hora de filme, mas nós dois permanecemos atentos durante a sua longuíssima duração todinha. Repito: Fincher é muito bom!

Sobre a direção, acho difícil comentar. David Fincher é bom demais. Um filme como esse, baseado em fatos reais, cujo final é super aberto só nos pode dar duas opções: ou apela totalmente para a ficção e inventa um monte de coisa para a trama principal da história, ou tenta ser o mais realista possível. Ambas as saídas são perigosas e complicadas, porém a segunda é ainda mais arriscada. David Fincher escolheu essa segunda opção e conseguiu fazer um filmaço de primeira. O enfoque que ele dá na vida dos três homens que se seduzem por tentar descobrir quem é o Zodíaco foi uma sacada de gênio. Com isso, ele aproxima ainda mais a história do espectador, e o modo como ele conta a história, faz com que esse espectador também acabe se seduzindo pelo mesmo motivo. E claro, por tudo isso, temos que parabenizar também o roteirista.

Apesar da longa duração, a história consegue ser envolvente o bastante para que a atenção não seja perdida. Porém, admito que no finalzinho eu já estava um pouco esgotada. E falando no finalzinho, tem algo nele que me incomoda um pouco, mas não consigo precisar o que. Talvez seja o fato de ter terminado com tantas "letrinhas", mas quanto mais eu penso nisso, mais eu acho que se mudasse alguma coisa estragaria tudo. É, eu não faço muito sentido mesmo...

Como disse, um dos motivos de eu ter ficado com tanta vontade de ver o filme foi os atores principais. Jake Gyllenhaal eu me envergonho em dizer que não conhecia - é, nunca assisti Donnie Darko nem Brokeback Mountain - e me impressionei com o rapaz, ele é bom mesmo. Já Robert Downey Jr., eu sou apaixonada por ele desde que assisti Chaplin, a vida pessoal dele pode ser bem complicada, mas que ele trabalha bem, isso ele trabalha. E minha mais nova paixão, Mark Ruffalo... cada vez que assisto um filme com ele, fica mais comprovado que ele é muito f@%*#! Ele faz qualquer papel e se transforma (ai, como prezo esses camaleões), mas nesse filme ele tá muito bem, muuuito diferente.

No fim das contas, eu só sei que em meio a esses atores, à essa direção, roteiro, fotografia, edição e trilha sonora, temos um provável ganhador de muitos prêmios.

15.12.07

The Haunting (Desfio do Além)






1963
Terror, Suspense
Direção: Robert Wise
Roteiro: Nelson Gidding







Baseado no livro "Assombração na Casa da Colina" de Shirley Jackson, Desafio do Além, juntamente com A Casa da Noite Eterna e Os Inocentes, faz parte do trio mais marcante da história do cinema quando o assunto é "mansões assombradas".

Eleanor Lance (Julie Harris) é convidada pelo antropólogo Dr. John Markway (Richard Johnson) para permanecer durante alguns dias em uma suposta casa mal-assombrada, e tentar desvendar a veracidade das assombrações. Junto com eles estão o jovem Luke Sanderson (Russ Tamblyn) e a misteriosa Theodora (Claire Bloom).

A história é, novamente, similar a tantas outras, mas a maneira como foi abordada é o que a diferencia dessas tantas. O terror psicológico e o fato de o filme ter sido apresentado pela visão de Eleanor fazem com que a tensão esteja presente durante praticamente toda a sua duração.

Bons atores compõem o elenco, mas Julie Harris e Claire Bloom, principalmente quando estão contracenando juntas, são quem constroem os momentos mais perturbadores do filme. Com o passar do tempo, dentro da casa, Eleanor começa a se sentir perseguida e injustiçada pelos outros. E Theodora muitas vezes parece querer levá-la à loucura, enquanto em outras mostra-se como uma boa amiga preocupada. Eleanor cada vez mais se envolve com a casa, e chega o ponto em que não sabemos mais se ela já não está completamente perdida, ou mesmo completamente louca. Inclusive, essa polaridade de Theodora pode muito bem ser fruto da visão distorcida de Eleanor, apesar de eu não acreditar muito nessa hipótese.

Apesar de haver esse enfoque na suposta loucura de Eleanor, tudo nos leva a crer que a casa é de fato mal assombrada. O que ajuda a nos aproximarmos ainda mais da personagem, pois nós tambem começamos a sentir seu desespero conforme seus companheiros a desdenham. Não que eles a tratem mal, ao contrário, apenas se preocupam com ela, mas não deixa de ser um pouco frustrante de se ver a maneira como eles a tratam.

E isso tudo também é mérito de uma segura direção. Robert Wise foi muito hábil em transformar um filme de assombração, onde os fantasmas são fato e são hostís, de tal modo que esses fantasmas passam a ser o que menos há a se temer. Pois, em Desafio do Além, os fantasmas internos são, na verdade, os mais perigosos.

Desafio do Além é mais um filme das antigas que está caindo no esquecimento, o que é uma pena. Pois não há um só filme atual (de casas mal-assombradas) que consiga ser tão bom.


9.12.07

The Abominable Dr. Phibes (O Abominável Dr. Phibes)


1971
Terror, Comédia
Direção: Robert Fuest
Roteiro: James Whiton e
William Goldstein




Comédia e terror? É, basicamente um belo de um humor-negro. É o riso nervoso causado pela desgraça e pelos receios dos personagens. Mas é de certa forma leve, quero dizer o humor é leve, não algo forçado. É o resultado da sensação de estranhesa que as mortes nos trazem, de um certo absurdo que gira em torno delas todas. Você ri, mas sabe que algo naquilo te incomoda, e com o tempo você percebe que o que te incomoda é basicamente o Dr. Phibes.

Nove médicos terão suas mortes inspiradas nas 10 pragas do Egito do Antigo Testamento. O Ispetor Trout (Peter Jeffrey) se encarregará de tentar desvendar quem é o serial-killer responsável por tão ediondas mortes, mas ele parece sempre chegar um minuto tarde demais. O serial-killer é Dr. Anton Phibes (Vincent Price), um famoso organista tido como morto, que busca vingança contra os que ele acredita serem responsáveis pela morte de sua esposa (Caroline Munro).

Outro dia eu estava lendo o blog de uma amiga minha - que nada tem a ver com cinema, diga-se de passagem - e lá ela falava sobre aquela música "More than Words". Pois essa música ilustra muito bem o que eu penso do Vincent Price nesse filme. O homem não fala uma palavra o filme inteiro - quer dizer, fala mas não fala - e consegue passar tudo, e mais um pouco, somente através de sua interpretação corporal e facial. E isso, porque uma das características mais marcantes de Vincent Price é sua voz (lembrem-se da introdução que ele fez em Thriller de Michael Jackson), e nesse filme ele faz uma atuação impressionante sem usá-la.

Os outro atores? Bem, o inspector dá o tom cômico do filme e o faz muito, muito bem. A maior parte do restante é formada por praticamente figurantes, fora o Dr. Versalius (Joseph Cotten) que tem um pouco mais de presença no filme - e também é bom. Agora, a tal da ajudantezinha do Dr. Phibes é uma lástima! E olha que ela também nem abre a boca. O papel dela exigia muito charme, elegância e ela tinha que, pelo menos saber dançar; mas a moça é sem graça, dura que nem um pau, dança parecendo um robô e não chega a ter 1 milésimo da beleza da falecida. Na verdade, acho que aquela moça é a única coisa que impede esse filme de ser perfeito.

Ah, mas a história do filme é ótima e a direção é primorosa. Robert Fuest soube criar um filme onde tudo está exatamente na medida certa. Como uma pequena ilustração do que digo, veja a imagem no início do post. Que enquadramento! E o figurino é maravilhoso, as músicas, o humor, as mortes. As mortes!! Nunca o cinema tinha conhecido tamanha criatividade envolvendo o quesito "assassinato".

Aí, um dia ouvi uma mocinha dizer que Jogos Mortais era tido como uma cópia de O Abominável Dr. Phibes, mas que aquilo era um absurdo. Eu particularmente nunca tinha ouvido essa comparação antes - e nem depois. Mas se eu tivesse que dizer que algum filme se aproxima da proposta de O Abominável Dr. Phibes, esse filme seria Seven, não Jogos Mortais. Claro que não há um pingo sequer de humor-negro em nenhum desses dois filmes, mas Seven também trata de punição, também usa a religião como base para essa punição. E mesmo assim, Seven tem seus méritos próprios que o fazem se distanciar, e muito, do filme estrelado por Price. Quanto a Jogos Mortais, Dr. Phibes não quer dar uma chance de vida às suas vítimas - a não ser em apenas um dos casos - ele quer matá-las mesmo.

Em todo caso, levemente parecidos ou não, O Abominável Dr. Phibes é um filme maravilhoso. É daqueles que merecem ser vistos diversas vezes para que se possa atentar para todos os detalhes. Ele merece ser assistido sempre e sempre será bom, independente da época em que isso for ocorrer.