27.1.08

Saw II (Jogos Mortais 2)




2005
Terror
Direção: Darren Lynn Bousman
Roteiro:
Leigh Whannell e
Darren Lynn Bousman




Fãs. Como essa franquia tem fãs incondicionais! Chegam a ser cegos a seus defeitos e julgam os filmes todos como perfeitos, coisa que eles estão longe de ser.

Oito pessoas são presas em um jogo mortal pelo mais famoso serial-killer da atualidade, Jigsaw (Tobin Bell), sendo que uma delas é Amanda (Shawnee Smith), a única pessoa a já ter sobrevivido a um de seus jogos. O pai de uma dessas novas vítimas é Eric Matthews (Donnie Wahlberg), o detetive chamado para resolver ums dos crimes de Jigsaw. Frente à frente com Jigsaw, Eric é obrigado a ver os companheiros de seu filho Daniel (Erik Knudsen) morrendo enquanto ele tenta convencer o serial-killer a soltá-los.

Jogos Mortais 2 poderia ter sido chamado muito facilmente de Cubo 2. Uma das maiores qualidades de Jogos Mortais foi sua grande originalidade. Porém sua sequência joga esse trunfo fora quando mantêm uma linha em que, quando não é cópia do primeiro, é cópia de Cubo. Novamente aquela sensação de "já te vi" que poucas vezes me agrada.

E antes esse fosse o único defeito desse filme - pois nem seria um defeito tão grave assim se fosse o único. Mas a história toda é uma lástima, ou melhor, não há nenhuma. Os personagens são todos desinteressantes e supérfluos, com a única e admirável excessão de Jigsaw, que dessa vez aparece mais e deixa mais evidente sua fascinante personalidade.

É visível que Jogos Mortais 2 foi produzido únicamente para aproveitar o sucesso do primeiro. Tudo o que tornava Jogos Mortais diferente dos outros filmes que vinham sendo feitos na época foi esquecido nesse, ou copiado pelo simples motivo de se copiar. Aqui, a única coisa que interessa agora são as mortes, é um concurso de quem morre da maneira mais bizarra e nojenta. Sim, as mortes são bem boladas, mas elas deveriam ser o acompanhamento e não o prato principal.

Jogos Mortais 2 é um filme totalmente vazio.

23.1.08

Perdas

Eu já estava chocada com a notícia do Luiz Carlos Tourinho. 43 anos é muito novo. E eu gostava dele, principalmente por causa desse último papel que ele vinha fazendo, o Nezinho, de Desejo Proibido.

Atrasada, acabei de ficar sabendo de Heath Ledger. E eu ainda nem tinha assistido O Segredo de Brokeback Mountain. Mas já gostava bastante dele. Minha referência era 10 Coisas que Eu Odeio em Você. Ele está um fofo nesse filme. E também está ótimo em O Patriota. Eu realmente gostava dele.

E é por isso que eu fiquei tão empolgada quando soube que ele seria o próximo Coringa em Batman: The Dark Night. Eu adoro o Coringa, já gostava quando o Jack Nicholson o interpretou e eu estava botando muita fé que esse ia (vai) ser ainda melhor. E olha que o Jack Nicholson para mim é uó.

E, juro, não estou falando isso só porque o moço morreu. Acho péssimo isso de transformarem os mortos em mártires, só por terem morrido de repente. Essas eram as minhas impressões a respeito do Heath Ledger antes de saber que ele falaceu, de repente, e com 28 anos. E eu acho tudo isso, sem ter visto o que dizem ter sido seu maior papel.

Eu assumo, não tinha a menor vontade de assistir O Segredo de Brokeback Mauntain. E também assumo que agora que o moço morreu, vou querer assitir. Mas é que antes, eu achava que Heath Ledger ainda faria muitos filmes, que eu poderia ver sua ótima atuação inúmeras vezes, que tudo bem deixar passar esse do cowboy. Agora, a coisa mudou de figura, né.


Apesar de Coração de Cavaleiro. Em que ele tem uma atuação boa, mas o filme é bem bobo.



20.1.08

Saw (Jogos Mortais)





2004
Suspense, Terror
Direção: James Wan
Roteiro:
Leigh Whannell e James Wan




Finalmente resolvi colocar no blog minhas opiniões a respeito desses filmes. Hoje e nos próximos domingos, falarei sobre essa franquia que tantos fâs afobados conseguiu angariar.

Dr. Lawrence Gordon (Cary Elwes) e Adam (Leigh Whannell) são dois desconhecidos que acordam em uma espécie de banheiro, acorrentados e tendo por companhia um defunto. Através de uma fita, os dois virão a descobrir que fazem parte de um jogo, onde o perdedor pagará com a própria vida. Eles são as novas vítimas do serial-killer Jigsaw (Tobin Bell), cujos jogos possuem apenas um sobrevivente, Amanda (Shawnee Smith). Os detetives responsáveis pelo caso , David Tapp (Danny Glover) e Steven Sing (Ken Leung), devem correr contra o tempo para tentar salvar Gordon e Adam.

TGI (trabalho final da faculdade). Projetar? Ah, entre problemas que só quem esteve por perto conhece, resolvi ir sozinha no cinema, no meio da tarde, sem contar para ninguém. Eu sabia que ia levar bronca, mas não resisti. No poster, o filme se julgava melhor q Seven! Claaaro que eu não achava q poderia ser, mas queria conferir quanto pior era. E olha que me surpreendi.

Jogos Mortais foi um filme bom como eu não esperava. O roteiro foi caprichadinho, a história muito boa, a direção idem. A edição possui uma grande quantidade de flashbacks, que nos possibilitam conhecer os personagens do filme conforme eles tentam sair vivos do jogo, ou encontar o assassino. Nunca fui fã de torturas, mas nesse caso tive que dar o braço a torcer, os "jogos" foram muito bem bolados.

Assim, como Seven, Jogos Mortais apostou no final surpreendente, mas, diferente deste, também nos aproximou da execução dos assassinatos. Porém, perfeito o filme não é. Errinhos para lá e para cá. Mas também, como nada é perfeito, não acho que são erros que desvalorizem a qualidade geral do filme. Além disso, é de se adimirar que um filme com tão baixo orçamento (US$1,2 milhão), filmado em apenas 18 dias (!!) conseguisse ficar tão bem acabado e ter atuações tão boas.

Só sei que no fim das contas, Jogos Mortais é um filme bom como poucos.

13.1.08

O Cheiro do Ralo




2006
Comédia?
Direção: Heitor Dhalia
Roteiro: Marçal Alquino e Heitor Dhalia




Diz Selton Mello que esse filme não é comédia. Por que é que todo mundo ri? Eu também acho que não é comédia, mas por falta de como classificá-lo, resolvi deixar assim. Mas eu sei porque eu ri, foi de desconforto, foi uma risada nervosa. Afinal, o que é aquilo tudo?

Lourenço (Selton Mello) é o dono de uma casa de penhor que possui os mais estranhos clientes. Sua vidinha nada tem de especial, mas Lourenço parece acordar dela com o insuportável cheiro do ralo. Não é ele quem fede, é o ralo do banheiro que está com problema. As pessoas podem se confundir com isso... Com essa preocupação rondando sua cabeça, Lourenço vai a uma lanchonete e se apaixona pela bunda da garçonete (Paula Braun).

Dizer que virei fã do Heitor Dhalia talvez seja pouco. O cara é genial e dá orgulho de saber que ele é brasileiro - imagino o que sentem os pernambucanos. Ele conseguiu fazer um dos melhores filmes brasileiros que eu já assisti. É um diretor que sabe dirigir um filme de maneira inovadora. Cada tomada, cada cena! Ousaria dizer que ele bate no Fernando Meirelles - e o Fernando Meirelles, p*#% que pariu! Mas é realmente ousadia minha dizer isso tendo assistido apenas um filme do Sr. Dhalia. Veremos o que direi depois de ter assistido Nina. Mas sinceramente, ele não perde em nada para Spike Jonze (Quero ser John Malkovich) ou Wes Anderson (Os Excêntricos Tenembaums).

Acho que todos já estão carecas de saber, e duvido que alguém discorde, que Selton Mello faz miséria quando... quando nada, sempre. E ele se encontrou com o cult - vide seus últimos seriados na tv. Na verdade o elenco todo do filme é simplesmente ótimo, inclusive a dona da bunda, Paula Braun. Esta eu não conhecia e realmente é uma atriz excelente - ou assim ela foi, pelo menos nesse filme.

O Cheiro do Ralo é baseado em um livro de Lourenço Mutarelli. Não li o livro, mas o roteiro é ótimo. Ele vai aos poucos nos mostrando que o cheiro do ralo vem, sim, de Lourenço (o protagonista, não o escritor). E quanto mais Lourenço tenta acabar com aquele cheiro, mais podre ele próprio vai ficando. Obcecado pela tal bunda e com a certeza de que o dinheiro compra absolutamente tudo, Lourenço é a personificação do povo brasileiro.

Também edição, cenário, figurino, fotografia, tudo é moldado de forma a fazer o filme ainda mais perturbador e até mesmo claustrofóbico. E aí sou obrigada a voltar ao assunto da classificação do filme. É comédia? Cara, eu ri. Mas que filme estranho! Tudo é esquisito, todos são anormais, as situações beiram o absurdo - erro meu, elas são absurdas - e muitas vezes você fica extremamente desconfortável. E é aí que você ri. Você ri pelo desconforto em ver que aqueles absurdos todos estão, pelo menos um pouquinho, retratando você mesmo. Os diálogos são bizarros, a edição é primorosa e no final tudo o que me restou foi a sensação de que tinha acabado de ver um filme bom demais para mim.

Interessado em entender porque eu acho que esse filme é "esquisito"? Acho que sem assistir o filme é impossível, mas isso aqui dá uma idéia: www.ocheirodoralo.com.br

7.1.08

Shutter (Espíritos, A Morte está ao seu Lado)


2004
Suspense, Terror
Direção: Banjong Pisanthanakun e Parkpoom Wongpoom
Roteiro: Sopon Sukdapisit,
Banjong Pisanthanakun e Parkpoom Wongpoom


Não dá para tampar o sol com a peneira. O cinema oriental está cada vez mais encontrando seu espaço. Espíritos chegou (já faz um tempo, claro) com mais um "bum", um estrondo formado pelo côro de fãs.

O fotógrafo Tun (Ananda Everingham) e sua namorada Jane (Natthaweeranuch Thongmee) notam estranhas aparições em suas fotos e resolvem descobrir do que se tratam. Então, uma história que Tun gostaria de esquecer volta à tona e agora ele deve pagar pelos seus erros.

Apesar de existir uma grande parcela de frequentadores do cinema (não direi cinéfilos porque não são o mesmo) que ainda desconfia do sucesso que os asiáticos vêm fazendo. Parte disso é fruto do preconceito e outra parte do gosto pessoal. Espíritos, sendo um representante desse cinema controverso, não ficou fora dos ataques de sempre: filme japonês (há uma tendência de se chamar todos os filmes orientais de japoneses - mas nesse caso trata-se de um filme tailandês) é tudo igual, fantasminha azul, de olho puxado, cabelo no rosto e querendo se vingar.

Tenho que admitir que realmente, grande parte dos roteiros gira em torno disso, mas as tramas são bem diferentes umas das outras. Em Dark Water o a história se foca no drama da mãe que não quer perder a guarda da filha; A Tale of Two Sisters trata de um drama familiar causado pelo relacionamento complicado entre duas irmãs e sua madrasta; em Ju-On: The Grudge o roteiro é construído de uma maneira tão inovadora que a história acaba ficando em segundo plano de importância cenematográfica... Quanto aos fantasminhas azuis com cabelos no rosto, bem isso já é uma questão puramente cultural. Veja os zumbis americanos, quem é que vai me dizer que eles não são todos iguais?? E quem disse que isso significa falta de criatividade? Como eu disse, é uma questão cultural. Nós só não estamos acostumados com essa representação de fantasmas... ainda.

Em se tratando de Espíritos, todos os elementos acima existem, mas de uma maneira um pouco mais diluída. E talvez por isso o filme tenha sido menos afetado pelo preconceito e pelo gosto pessoal do que outros. E entre os fãs do cinema oriental, ele foi muitíssimo bem recebido. Afinal, falo de um filme muito bom. A direção é precisa, os atores são bons, a história é envolvente - eu gosto bastante de histórias que envolvem fotografias estranhas. A ambientação acinzentada ficou ótima e tem cenas de muito suspense, daquels que funcionam mesmo.

Porém, apesar disso tudo, não consigo tê-lo em tão alta conta assim. Eu, particularmente, não achei brilhante. Não há nada de especial na direção ou no roteiro que o fizesse se sobressair como aconteceu. O que eu acredito é que seu sucesso foi apenas resultado de um bom filme tailandês que conseguiu dosar a mão no seu lado oriental. Pois, mesmo dentre os filmes asiáticos (originais), não o considero melhor do que os supracitados A Tale of Two Sisters, Ju-On: The Grudge, Dark Water, ou até mesmo Ringu.

Além disso, o final é interessante, diferente e até surpreendente. Mas dá margem para o ridículo, o que me incomoda um pouco. Não que eu o tenha achado ridículo, mas eu vi muita gente que achou e consigo facilmente entender o motivo.

De qualquer maneira, Espíritos é um filme altamente recomendado para quem ainda não teve a oportunidade de assistí-lo. Inteligente e envolvente, a não ser aos mais fervorosos anti-ásia, duvido que alguém vá se arrepender de ter assistido.