23.12.10

Boas Festas!

Desde que retomei o Pipoca no Edredon, fiquei insatisfeita com inúmeras resenhas minhas, principalmente as primeiras. Acho que o tempo que fiquei de molho me deixou um pouco travada, mas acredito que aos poucos estou conseguindo reaver algo de alguma habilidade. Também tem um fator que parece ser determinante: eu sempre acho que o texto ficou mais bem desenvolvido quando a classificação do filme é suspense ou terror.

De qualque maneira, como o que se espera de qualquer pessoa, estou indo aproveitar os feriados de fim de ano. Que são os melhores, ao meu ver. E para o próximo ano, espero conseguir caprichar mais nas resenhas e postar sempre algo que satisfaça quem se dispuser a ler.

Então, desejo a todos um Feliz Natal e um Próspero Ano Novo!
Porque nem tudo o que é clichê é ruim!

Até breve!

19.12.10

Grindhouse





2007
Terror
, Ação



 


O termo 'grindhouse' vem de como se chamavam os cinemas dos anos 70 onde eram passadas sessões duplas de filmes de terror trash - ou, usando um termo mais técnico, filmes de "exploitation". O projeto Grindhouse, é assinado por Robert Rodriguez e Quentin Tarantino, com a colaboração de outros diretores familiarizados com a temática abordada, e que tem por finalidade homenagear aqueles filmes B que passavam nas tais sessões.

Grindhouse foi ao cinema americano levando os dois "curtas", Planeta Terror e À Prova de Morte (que acabaram ficando com 80 e 90 minutos respectivamente), e cinco trailers falsos. Os trailers são: Machete, de Robert Rodrigues (tendo este se tornado um filme de verdade lançado posteriormente); Werewolf Women of the SS, de Rob Zombie; Don't, de Edgar Wright; e Thanksgiving, de Eli Roth. Aliás, esses trailer são um show à parte! A vontade de assistir Don't e Thanksgiving é algo que me deixa triste até agora por serem filmes inexistentes.

A experiência de assistir os filmes juntos, da maneira como foram lançados no cinema, é algo indescritível. É como se tivessemos sido transportados a um túnel do tempo e caíssemos nos anos 70, desde a narração e das mensagens avisando que o filme está prestes a começar (mas fica também o aviso de que "um dos rolos dos filmes pode apresentar defeitos durante a sessão"), passando pela qualidade visual antiquada, pelos trailers e culminando nos próprios filmes. A trilha-sonora, em ambos os filmes, é simplesmente perfeita e nos enterra ainda mais fundo nessa viagem ao passado. Qualquer pessoa que tenha em seu repertório filmes como Encurralad
o, A Coisa, A Hora do Pesadelo, A Morte Pede Carona, ou qualquer filme de zumbi dos anos 70 e 80 - quer tenha gostado ou não desses filmes - provavelmente vai se deleitar com Grindhouse.




Planet Terror (Planeta Terror)
Direção: Robert Rodriguez
Roteiro: Robert Rodriguez


 
Um estranho gás venenoso que vazou de uma base militar começa a contaminar os moradores de uma pequena cidade do Texas, transformando seus moradores em algo próximo a zumbis que se alimentam de carne humana. Cherry Darling (Rose McGowan), El Wray (Freddy Rodríguez) e a Dra. Dakota Block (Marley Shelton) fazem parte de um grupo de sobreviventes que precisam enfrentar esses monstros para conseguir fugir de suas garras sanguinárias.

Contando com Bruce Willys no elenco, além de Josh Brolin, Rose McGowan, Stacy Ferguson - ou Fergie -, Naveen Andrews - mais conhecido como o Sayid de Lost -, Marley Shelton e até mesmo Quentin Tarantino, Planeta Terror já nos empolga a cada ator (ou não) que a gente vai reconhecendo na tela. E a partir daí é só alegria!

Como uma homenagem no melhor estilo 'paródia', o filme é um belo amontoado de clichês. Porém, estes são tão bem explorados que, somados a um roteiro que dá uma banana para a lógica ou para qualquer senso de possibilidade, fazem com que o espectador se deleite com o espetáculo, adrenalina e diversão pura. Até porque, além de ser simplesmente legal, Planeta Terror nos deixa com aquela sensação saudosista de quando eramos apenas uma molecada que adorava assistir filmes como A Noite dos Mortos Vivos.

Uma característica importante é que Planeta Terror possui personagens demais, fazendo com que demoremos a descobrir quem são os protagonistas, e esse personagens 'secundários' ainda criam suas próprias tramas paralelas. Porém, mesmo que isso possa inicialmente ser tido como defeito, essa característica é o que diferencia Planeta Terror de qualquer outro filme do gênero - apesar de à primeira vista ele nos passar a impressão de não ter absolutamente nada de original. Esse amontoado de personagens quase esdrúxulos, com suas particularidades e esquisitisses e que possuem problemas que vão além da existência de zumbis comedores de carne. É isso que ajuda a somar mais confusão ao roteiro que já está beirando o limite do aceitável.

Não, ele extrapola esse limite. E quando isso fica já claro logo nas primeiras cenas, a gente não se importa mais em procurar que as coisas sejam críveis. Então, lá pelas cenas finais do filme, com McGowan voando em sua verdadeira apoteóse, a pergunta "mas como ela fez isso?" é descartada da nossa mente antes mesmo de se formar por completo; afinal, como ela fez isso, diante de tudo o que já aconteceu nesse filme, é o de menos. E, mais uma vez, uma gargalhada alta reverbera na sala, após tantas outras anteriores. Pois Planeta Terror é diversão na forma mais crua e explícita.


Death Proof (À Prova de Morte)
Direção: Quentin Tarantino
Roteiro:
Quentin Tarantino


Stuntman Mike (Kurt Russel) é um ex-dublê de antigos filmes de ação . Depois de ver sua carreira finda, ele encontra um bom passatempo: perseguir garotas em seu carro 'à prova de morte'.

Em À Prova de Morte, temos dois novos nomes conhecidos no elenco: o já citado Kurt Russel e Rosario Dawson. Além destes, reaparecem aqui Quentin Tarantino e Rose McGowan em novos papéis, e Marley Shelton novamente como a Dra. Dakota Block de Planeta Terror. E uma curiosidade: uma atriz e dublê chamada Zoe Bell faz o papel de si mesma (a loirinha sobre o capô do carro na foto acima). Destaque para Russel, em uma performance extraordinária nesse papel maravilhosamente ambíguo - as aparições já no final do filme são absolutamente todas deliciosas.

Bastante diferente do filme de Rodriguez, que bebe exageradamente das fontes do cinema gore, Quentin Tarantino aposta num filme de perseguição e velocidade, num misto de Encurralado com A Morte Pede Carona. Aqui o sangue é muito mais moderado, mas a ação suplanta esse quesito sem deixar nada a desejar.

É verdade que o início do filme pode parecer bastante enfadonho (e, para muitos realmente o é), com uma longuíssima sequencia de diálogos entre quatro das mocinhas visadas por Mike. Porém, apesar de cansativa e quase excessiva, a sequencia é extremamente importante para coroar o que vem a seguir. A importancia não está exatamente no que é dito pelas personagens, mas no modo como a situação evolui para criar uma expectativa e uma pré-concepção do restante do filme (que será totalmente dizimada pelo talentoso diretor). Além disso, essa primeira metade do filme também serve de um contraponto com a segunda em um outro sentido: os dois tipos de mulheres apresentados no filme, somados ao tratamento técnico diferenciado que Tarantino dá às duas partes, pode estar representando as diferenças entre a mulher de ontem (época que o filme quer homenagear) e de hoje*.

Apesar das grandes diferenças entre os dois filmes, assim como Rodriguez, Tarantino não deixa de lado o bom humor que fica evidente no momento em que o 'possante' à prova de morte entra em ação pela primeira vez. Para completar, a cena que parte o filme em dois é impecável - e o diretor sabe isso tão bem que esta é apresentada mais de uma vez, mostrando os diversos ângulos possíveis para a sua melhor apreciação. Após essa cena, o espectador é facilmente levado a crer que já viu tudo o que À Prova de Morte tinha para oferecer. Alguns podem até mesmo querer parar o filme, ou adiantá-lo. Mas não faça isso, pois o melhor ainda está por vir. Porque é aí que Tarantino mostra toda a sua genialidade: quando estamos convencidos de que já conhecemos o filme como um todo, ele nos surpreende com algo muito melhor do que poderíamos imaginar. Aguente mais alguns minutos de diálogo (acredite, isso não será a tortura que se imagina) para que você se veja obrigado a se endireitar na poltrona, pois não vai querer perder nem um segundo do que está passando na tela.




* Essa sagacidade sobre as mulheres atuais versus do passado não é minha. A teoria vem de Leo Name, em um comentário deixado no blog Filmes do Chico.

12.12.10

A Mulher Invisível




2009
Comédia
, Romance
Direção: Cláudio Torres
Roteiro: Cláudio Torres,
Cláudio Paiva, Adriana Falcão
e Maria Luísa Mendonça



Aproveitando o momento Selton Mello, vamos a mais um dele. Afinal, nunca é demais.

Pedro (Selton Mello) foi abandonado pela esposa que amava. Sem conseguir lidar bem com a situação, criou em sua mente Amanda (Luana Piovani), a mulher perfeita, sem saber que ela não passava de fruto de sua imaginação.


Não há muito o que se dizer sobre A Mulher Invisível. É uma comédia e faz rir. Bastante. Por mim eu só escreveria isso, mas vou destrinchar um pouquinho minha opinião. Só vou pular a parte em que eu deveria tecer uma lista enorme de elogios ao Selton Mello porque... né? É chover no molhado.

O enredo é simples e cinematograficamente é tudo muito convencional. Nada de inovador, nada de surpreendente. Final previsível, dentro dos conformes. Porém as situações são muito bem exploradas de modo a retirar risos altos diversas vezes. E é para isso que serve uma comédia.

Os atores estão muito bem em seus papéis, mesmo levando em consideração que a maioria revisita papéis aos quais já estão mais do que acostumados. Não importa, estamos aqui para ver o Selton Mello se esfregando com o ar mesmo... E ele, pela milionésima vez, carrega o filme sem nenhuma dificuldade (ainda mais se tratando de uma comédia). A Luana Piovani poderia ser até de fato invisível. Capaz de que pouca diferença faria, porque as melhores cenas são aquelas em que Selton interage consigo mesmo. Ok, ok. Exagerei, pois Vladimir Brichta e Maria Manoella fazem um ótimo trabalho e tem papéis realmente importantes na história - sem falar na ponta da Fernanda Torres que já serve pra tirar gargalhadas nas poucas cenas em que aparece.

(Opa. Não consegui pular o Selton. Acho que não é só político que quebra promessa...)

Bem, o fato é que A Mulher Invisível é uma ótima comédia, que prende a atenção do início ao fim. Tem um final que agradará os fãs do romance e tem um enredo que agradará os que apenas querem rir bastante.

5.12.10

Meu Nome Não é Johnny




2008
Drama

Direção: Mauro Lima
Roteiro: Guilherme Fiúza,
Mariza Leão e Mauro Lima




Nunca foi tão difícil assistir um filme. Não pelo filme, mas por fatores externos. Cinema me está vetado, tentei locá-lo inúmeras vezes na época de lançamento e nada. Desisti e só assisti porque minha tia apareceu com ele outro dia. E o pior é que eu já nem estava mais no pique, nem queria mais... Ainda bem que não fui por mim.

O filme é baseado na história real da vida de João Guilherme Estrella (Selton Mello), um rapaz de classe média que conheceu as drogas muito cedo. Tendo crescido em uma família desestabilizada, acabou se envolvendo diretamente com tráfico e foi preso em flagrante.

Eu esperava algo diferente. Esperava mais degradação. Esperava um personagem mais anti-herói. Esperava não me afeiçoar a João. Mas o que vi foi um garotinho que caiu de para-quedas num mundo que ele não compreendia. Num mundo sedutor e fácil. Ele sabia que era errado, mas não sabia o quanto. Ele sabia que era perigoso, mas não sabia que pessoas que ele amava corriam tanto risco quanto ele. Ele achava que o mundo era dele e que o que ele fazia não era algo tão ruim assim. Afinal, usa droga quem quer. E se não fosse ele a vender, outra pessoa o faria, não é mesmo?

Pois é. Meu Nome Não é Johnny conta a história de um rapaz que não teve orientação nenhuma. Seu pai era um derrotado - não queria enfrentar sua doença e deu as costas para a vida. Sua mãe, revoltada com o marido, simplesmente o abandonou, deixando para trás também seu filho adolescente. João ficou assim, órfão de pais vivos, morando praticamente sozinho em uma casa grande e bonita, onde ele podia dar festas para os amigos e vender a droga que ele tinha. Ele suprimia a falta de família com a presença constante dos amigos - e clientes.

João era um jovem alegre, cativante, simpático e inconsequente. É difícil não gostar de João. Ou de Selton Mello? O personagem foi tão bem representado (e apresentado) que a gente perdoa seus erros, mesmo não se conformando com nenhum deles. O resto do elenco é resto. Cleo Pires, com o segundo personagem de maior destaque, está bem em seu papel, mas é só pano de fundo para a história de João. Selton Mello, pra variar, brilha e ofusca.

Só que eu não posso dar o crédito pelo personagem somente ao Senton Mello. Um detalhe que ajudou demais na criação da empatia entre espectador e personagem foi a inserção de vídeos caseiros mostrando a infãncia de João em alguns pontos do início e do final do filme. É um menininho fofo, peralta, sapeca, simpático, risonho, delicioso. E aí que a gente está vendo esse menininho inserido exatamente no meio do trecho mais difícil da vida de João. E aí que a gente chora litros. Eu, pelo menos, como mãe de um menininho fofo, chorei bastante.

Já que estamos falando em personagens, eu preciso falar mais sobre a mãe de João (Júlia Lemmertz). Apesar de uma parca aparição ao longo do filme, a falha figura materna acabou se tornando o bode espiatório para toda a trama. Fica claro que a mãe do rapaz não tinha a menor preocupação em saber de onde seu filho tirava tanto dinheiro e, mesmo tendo literalmente o abandonado quando ele mais precisava dela, tenta posar de super mãe indignada. Assim, para quem ficou com um pé atrás com o fato de o filme 'perdoar' todos os erros de um marmanjo irresponsável, a figura da mãe ausente se encaixa perfeitamente como uma ótima desculpa para explicar essa questão.

Entretanto, ainda fica a dúvida: João poderia ser isento de seus 'pecados' com a simples justificativa de ter uma orientação falha? Apesar de o filme ter vendido que sim, eu não concordo muito. Mas deve-se louvar o fato de o filme ter conseguido construir um personagem que cativa sem precisar esconder seus malfeitos. Talvez não seja uma história comprada por todos; eu comprei. Eu sei que é contraditório, pois eu tenho conciência de que fui comprada, mas me vendi assim mesmo. Ponto para Mauro Lima.


Contudo, tirando esse grande mérito com relação à construção do personagem, Meu Nome Não É Johnny não traz mais outras grandes qualidades. É um filme muito bom e bem feito, porém um pouco superestimado.


28.11.10

The Last Exorcism (O Último Exorcismo)



2010
Terror, Suspense

Direção: Daniel Stamm
Roteiro: Huck Botko e Andrew Gurland



Lá vamos nós outra vez. Outro filme em que o câmera-man é um dos personagens, dessa vez num falso documentário, O Último Exorcismo desafia a possibilidade do desgaste.

Reverendo charlatão, Cotton Marcus (Patrick Fabian) é um exorcista que não acredita em Deus nem no diabo - mas se julga um prestador de serviços eficiente, funcionando como um placebo. Depois de ler uma notícia em que um garoto morre durante um exorcismo, o homem começa a acreditar que sua profissão pode fazer mais mal do que bem às pessoas. Por isso, ele decide fazer um documentário em que expõe toda a falcatrua que existe por trás dos exorcismos, numa tentativa de acabar com essa prática. Assim, ele e uma pequena equipe vão em viagem para registrar seu último exorcismo, mas nem tudo sai como esperado.


Primeiro tivemos um desgaste do tema 'exorcismo' com Exorcista - O Início, Dominion e O Exorcismo de Emily Rose. Agora, quase 10 anos após o sucesso de A Bruxa de Blair, estamos vivendo uma overdose de filmes que se lançam como falsos documentários ou falsos filmes caseiros, como [REC] (1 e 2), Cloverfield e Atividade Paranormal (1 e 2). Dessa forma, não satisfeitos em abordar um tema fragilisado pela sua repetição, O Último Exorcismo decidiu abordar dois.

Com isso, quando o filme consegue fugir do lugar comum de um lado, entra no lugar comum do outro. É assim em diversas passagens, como o início com veia introdutória e com as perguntinhas aos moradores supersticiosos da pequenina cidade, aos moldes de A Bruxa de Blair; o exorcismo no celeiro de O Exorcismo de Emily Rose; os contorcionismos de qualquer filme de possessão. Até mesmo o final (e não leia o que vem a seguir se não quiser conhecê-lo ainda), ao mostrar um fim bastante trágico e muito diferente do usual dentre os filmes exorcisantes, repetiu a cena mais escolhida dentre os falsos documentários / caseiros: o corre-corre, a imagem super tremida e o grand finale da câmera caindo ao chão.

Além disso, quando O Último Exorcismo atinge a cena que, à priori, seria seu maior objetivo, o que é apresentado é de pouco interesse. Fora os impressionantes contorcionismos de Ashley Bell, que vive a possuída Nell, nada de chocante acontece. Há um diálogo quase banal entre Cotton e o demônio dentro de Nell, além dos citados contorcionismos. E tudo pelo qual esperávamos acabou antes mesmo de começar.

E, assim como a passagem do exorcismo é broxante, da mesma forma acontece no restante dos momentos chaves. Novos spoilers a seguir: enquanto é fácil aceitar que a câmera não mostra as mortes em A Bruxa de Blair e Atividade Paranormal, o fato de estarmos com a sede de sangue insaciada pelo exorcismo sem sal torna quase irritante o momento final que esconde as três mortes do filme.
O que ajuda também na nossa revolta contra esse desfecho é a cena em que Cotton e sua equipe voltam para casa após descobrir que Nell está grávida de um namoradinho. Desnecessário tentar fingir que o filme terminava naquele ponto, com aquela música leve de happy ending. Era tudo tão previsível que eu cheguei a rir. E o que dizer sobre a morte do gatinho? O problema é que eu estava tão entretida imaginando a cena cômica (garota possuída por um demônio correndo pelo gramado enquanto se preocupa em filmar seu trajeto), que nem consegui me concentrar no bixano, coitado. Até porque o sangue do pobre tapou a nossa visão borrando a lente da câmera.

Entretanto, não só de defeitos é feito O Último Exorcismo. Contando com um bom elenco de atores desconhecidos, todos convencem em seus papéis, além de apresentarem personagens plausíveis - Cotton e Nell possuem a pitada certa de carisma necessário para envolver o espectador com a trama. Como sempre, digo que esse é um fator importantíssimo, senão um dos mais importantes ao se produzir um filme. Um personagem ou ator errado pode acabar com qualquer chance de o filme causar impacto no público.

O Último Exorcismo também conta com uma introdução bastante interessante das motivações de Cotton e é fator importante na construção do personagem. Outro bom momento é quando da reviravolta na história, em que o pai da menina quase se torna o grande vilão, injetando adrenalina em algo que parecia morno demais. E funciona, pois as correrias pela casa, o desconforto dos personagens por estarem longe de seus domínios e a confusão causada pela súbita mudança da fonte de terror fazem a tensão atingir bons picos no espectador.

Porém, é o fato de ficar em aberto a existência da possessão que se torna o grande trunfo que não pode ser ignorado. Junto a isso, agrega-se que o filme realmente funciona como maneira de escancarar a sempre existente exploração das pessoas utilizando-se de suas crenças.

Assim, apesar dos deslizes, o filme de Daniel Stamm consegue trazer algo de inovador em seu enredo. E, mesmo estando longe de se firmar como um dos grandes exemplares do terror, O Último Exorcismo é interessante ao seu modo.

21.11.10

Paranormal Activity 2 (Atividade Paranormal 2)



2010
Terror, Suspense
Direção: Tod Williams
Roteiro:
Michael R. Perry, Christopher B. Landon e Tom Pabst



Com algumas diferenças, o que vemos em Atividade Paranormal 2 é o já visto no primeiro. Entre melhorias e 'piorias', vale como explicação para a história e como uma revisitação às sensações que se tem ao assistir Atividade Paranormal.

Kristi (Sprague Grayden), seu marido Daniel (Brian Boland) e sua enteada Ali (Molly Ephraim) estão muito felizes com a chegada do novo mebro da família, o pequeno Hunter (William Pietro / Jackson Prieto). Quando o garoto já completou seu primeiro ano, um arrombamento na residência da família faz com que Daniel decida intalar um sistema de câmeras de vigilância interno. Porém, com o passar dos dias, Kristi e Ali começam a acreditar que a casa na verdade está sendo assombrada por um demônio.

Apesar da enorme semelhança com seu antecessor, Atividade Paranormal 2 poderia ser muito bom, se não falhasse justamente nos momentos em que tenta corrigir as falhas do outro. Uma das mudanças mais significativas fica a cargo do número de câmeras usadas no filme e a drástica diminuição da câmera em primeira pessoa. Porém, temos com isso uma faca de dois gumes. O recurso serve como uma maneira de diminuir a necessidade daquelas tomadas que não se justificariam num caso real - como ligar a câmera para discutir a relação, ou continuar filmando enquanto sua vida está por um fio.

Entretanto, com isso, nas cenas noturnas temos uma quebra de tensão, pois as imagens mudam rapidamente, mostrando a cada momento um cômodo da casa. Assim, perde-se a melhor coisa do primeiro filme,
que era o crescente medo e apreensão gerados pela imagem estática noturna do quarto do casal, em que a qualquer momento algo sobrenatural poderia acontecer.

Além disso, a filmagem em primeira pessoa era um ótimo recurso para aproximar o espectador da história, colocando-o quase como um personagem e fazendo-o sentir com mais intensidade os dramas e medos dos protagonistas. Porém, em Atividade Paranormal 2 esse tipo de cena não tinha como se sustentar sem a motivação do obcecado Micah para tal, o que fez com que o uso da filmagem em primeira pessoa fosse radicalmente diminuído. Mata-se assim, de uma tacada, os dois grandes pontos fortes de Atividade Paranormal.

Outra diferença visível fica a cargo do aumento do elenco. Além dos três protagonistas, do garotinho e de uma pequena participação da empregada da família, o filme ainda conta com Katie e Micah, os únicos principais personagens do primeiro filme. Temos também personagens um pouco mais carismáticos, principalmente pela presença do lindo menininho e de uma cachorra bastante simpática, o que ajuda muito a não deixar o filme cansativo enquanto apresenta o dia-a-dia da família.

Ainda assim, como no filme anterior, a ação demora muito a começar. E, com o problema da quebra-de-clima das excessivas mudanças de cômodos nos períodos noturnos, Atividade Paranormal 2 se torna tão maçante quanto o primeiro durante os 40 minutos iniciais.

De qualquer forma, mesmo com as modificações (para o bem ou para o mal), Atividade Paranormal 2 mantém o mesmo clima do anterior, utilizando-se até mesmo de sustos exatamente iguais. E sua maior qualidade é, de longe, a explicação que dá para os acontecimentos do primeiro filme. É um filme interessante para quem gostou do primeiro, mas não se sustenta sozinho.

14.11.10

Lista: 10 filmes de chorar

Quando eu estava assistindo Ilha do Medo, ao final eu chorava tanto que meu marido acordou assustado (sim, ele é do tipo que dorme em filmes). Pensando nisso, comecei a me lembrar de quais foram as cenas cinematográficas que mais fizaram-me chorar. Assim, hoje, ao invés de escrever sobre um filme, decidi listá-las.

Pode-se pensar que nem foi difícil selecionar as 10 cenas abaixo, visto que sou uma grande manteiga derretida. Entretanto, como eu choro em quase todos os fimes que assisto, não foi trabalho tão fácil separar 'o joio do trigo'.

Os filmes estão listados em ordem crescente de intensidade lacrimal:


10. Ilha do Medo
Cena: revelações finais.

Cuidado, contém Spoiler: Quando o personagem principal, Teddy Daniels começa a se lembrar de quem ele realmente é e no vídeo surge a cena em que ele chega em casa para encontrar sua esposa louca e seus três filhos afogados no lago, eu me descabelei. Filme agora não pode mais mexer com filho, fico tresloucada de chorar! A frase final do Teddy, dando a entender que ele sabia que seria lobotomizado, também deu um novo gás às lágrimas.


09. Uma Lição de Amor
Cena: toda a metade final do filme.

Olha, pra ser bem sincera, tenho poucas lembranças sobre esse filme. Uma delas é que chorei muito. Também, um drama que conta a história de um homem com retardo mental que está prestes a perder a guarda da filha... É de matar, né.


08. Titanic
Cena: quando o navio afunda e pessoas ficam presas.

O que foi aquele James Cameron mostrando as pessoas que ficaram presas em um dos níveis do navio? Precisava colocar aquela mulher abraçando as duas criancinhas na cama, cantando para elas dormirem? Isso foi apelação só pra fazer eu convulsionar de tanto chorar! E acontece toda santa vez que eu assisto o filme. Eu não consigo passar por essa cena incólume...


07. O Pianista
Cena: o velhinho da cadeira de rodas.

Taí outro que eu lembro pouco. Mas eu chorei tanto, mas tanto, que garrei ódio do filme. Sério mesmo. Quando eu vi a cena dos nazistas jogando o velhinho de cadeira de rodas pela sacada, eu fiquei tão revoltada, que me levantei chorando e saí da sala. Tiveram que parar o filme, porque eu estava desidratando de tanto chorar. Depois disso, fiquei muito tempo me recusando a reassistir o filme.


06. Em Busca da Terra do Nunca
Cena: momentos finais.

Eu tinha ido no cinema para ver o filme com minhas amigas (saudades...) depois de entregar um trabalho descomunal na faculdade e estávamos todas zuretas por não termos dormido quase nada à noite. Eu já comecei a chorar a cada referência que o filme mostrava sobre as coisas que inspiraram Barrie a escrever Peter Pan. Mas foi o final que nos pegou de jeito. Quando o filme acabou, continuamos imóveis nas cadeiras, loucas de tanto chorar, quase histéricas. E, entre lágrimas e suspiros, eu falei algo como: "É uma falta de educação eles acenderem as luzes assim, sem nem dar um tempo para a gente se recompor...". Foi quando uma de nós caiu na gargalhada, me chamando de maluca. E foi assim que fomos das lágrimas ao riso descontrolado em menos de 5 segundos. Todas começamos a rir enlouquecidamente. Nem conseguíamos sair do cinema de tanto que dávamos risada. As pessoas que estavam na fila, para a sessão seguinte, nos olhavam com estranhamento - também, pudera. Eu culpo a noite mal dormida e os nervos à flor da pele.


05. À Espera de Um Milagre
Cena: quando Eduard Delacroix vai à cadeira.

Apesar de metade dos personagens desse filme ser composta por assassinos sanguinários, é estranho como a gente passa a gostar de praticamente todos eles. E Delacroix é o assassino mais fofo e simpático que o cinema já produziu. Então, quando chega a vez de ele ir à cadeira, eu já estava soluçando. Só que aí, ainda tem o agravante da cena. O resto você já sabe.


04. Doce Novembro
Cena: último quarto do filme.

Esse filme é complicado porque eu o assisti em uma época em que minha tia começou a piorar do câncer novamente. Basta dizer que continuei chorando durante um bom tempo após o término do filme.


03. A Vida é Bela
Cena: depois que Guido esconde Giosué, já no final do filme.

Cuidado, contém spoiler: Quando o Guido deixa o filho, com a recomendação de que não saísse de seu esconderijo por nada nesse mundo, e encontra os soldados, eu demorei a entender o que estava acontecendo. A câmera não mostra nada, só o som dos tiros. Nossa, eu não acreditava que ele tinha morrido! Eu, que estava assistindo sozinha, parei o filme e comecei a andar pela sala chorando alto e dizendo "não! não é possível! ele não pode ter morrido!" - é, bem louca assim mesmo.


02. Meninos não Choram
Cena: cena final.

Assim como em Doce Novembro, o filme terminou e eu continuei lá, sentada chorando. Soluçava e chorava copiosamente enquanto meu marido me abraçava e tentava me acalmar. A grande diferença nesse caso é que o choro foi exclusivamente pelo filme, sem agravante pessoal.


01. Paixão de Cristo
Cena: o filme todo.

Acho que perdi uns 3 litros de água durante a exibição desse filme. Tinha ido ao cinema com meu marido e encharquei a camiseta dele com minhas lágrimas. Solucei o filme IN-TEI-RI-NHO. E depois, conversando com minha tia Dê, quase morri ao ouví-la dizer que foi ao cinema DUAS VEZES ver o filme, porque na segunda queria prestar atenção nos detalhes técnicos! Quer dizer... quê????!!!


Bom, esses são as minhas cenas choradeiras. E você, já está imaginando quais são as suas cenas? Conta aí.

7.11.10

Paranormal Activity (Atividade Paranormal)



2007 / 2009
Terror, Suspense

Direção: Oren Peli
Roteiro: Oren Peli





Com uma proposta simples a até bem executada, Atividade Paranormal peca onde não poderia, mas entrega um filme satisfatoriamente 'corrigido' aos cinemas.

Katie (Katie Featherston) desde sua infância enfrenta o medo de ocasionalmente presenciar estranhas manifestações paranormais à sua volta. Quando as manifestações voltam a perturbá-la e ao seu namorado Micah (Micah Sloat), este decide comprar uma câmera para tentar registrar os fenômenos.


Atividade Paranormal é um filme independente, feito com um orçamento de cerca de irrisórios U$15.000,00
, que foi lançado em alguns festivais em 2007, quando despertou o interesse da Paramount e de Steven Spielberg. Inicialmente, Spielberg tinha a intenção de refilmá-lo, colocando o próprio Peli na direção, mas após alguns percalços a idéia foi abandonada. A Paramount acabou optando por apenas fazer alguns cortes e pequenas inserções de cenas, mudando inclusive o final, por sugestão de Spielberg, e lançando o filme nos cinemas apenas em 2009. Não sem antes utilizar de uma bela estratégia de marketing que colocou Atividade Paranormal no mapa rapidamente.

A história do filme é muito simples e comum, a execução é bastante adequada, utilizando de idéias boas. As cenas noturnas (mesmo as em que nada acontece) são praticamente todas interessantes. A contagem do tempo é quase um personagem e o olho não sabe se se preocupa em averiguar a velocidade do marcador, ou se checa se tem algum fenômeno noturno acontecendo. Da mesma forma, o modo como os fenômenos vão se tornando cada vez mais presentes e impactantes, faz com que o filme cresça muito ao longo de sua projeção e crie uma ótima atmosfera de grande tensão.

Assim, a proposta é louvável, porém é um chute na trave. Eu quase gostei. Mas algumas cenas que a gente vê são injustificáveis demais, os atores são ruins demais, os personagens são inverossímeis demais. Aliás, está aí o maior problema: o personagem Micah é babaca demais. E eu não estava mais aguentando esse cara. Se o casal fosse mais simpático, talvez não tivesse sido uma tortura ficar 40 minutos sem que NADA acontecesse.

Eu assisti as duas versões do filme que pouco diferem, mas cujas pequenas mudanças são bastante importantes. Por sorte, alguém também achou o Micah um pé e cortou o que pôde de suas babaquices - questão de uma ou outra fala, realmente quase nada, mas já ajudou muito a deixar o filme mais interessante. Além disso, algumas cenas foram inseridas para a versão dos cinemas, que, entre cortes, inserções e mudanças, acabou ficando cerca de 10 minutos mais curto que o original. O final oficial é bem mais assustador, mas tão bom quanto o original. A diferença é que o segundo final dá margem à sequencia que, inclusive, já saiu nos cinemas.

A verdade é que me decepcionei demais com esse filme. Eu, que amei Bruxa de Blair e, diferente de Cloverfield, nesse caso não dá pra não pensar no filme da bruxa, já não aguentava mais ficar sentada esperando acontecer alguma coisa em Atividade Paranormal. Entretanto, devo adimitir que as qualidades existem e que é um filme de terror que pode facilmente cair no agrado das pessoas que gostam do gênero.

31.10.10

Shutter Island (Ilha do Medo)




2010
Suspense

Direção: Martin Scorsese
Roteiro: Laeta Kalogridis






Você não imagina a minha emoção neste momento por estar iniciando uma crítica de um filme lançado neste ano. Não me lembro quando foi a última vez que assisti a um tão recente! Então, vamos ao que interessa:

Ashecliffe é um hospital psiquiátrico para loucos criminalmente condenados e perigosos, localizado em uma ilha chamada Shutter Island. Após o desaparecimento de uma de suas pacientes, os dois agentes federais Teddy Daniels (Leonardo DiCaprio) e Chuck Aule (Mark Ruffalo) vão até a misteriosa ilha para iniciar uma investigação. Entretanto, os psiquiatras Dr. John Cawley (Ben Kingsley) e Dr. Jeremiah Naehring (Max von Sydow), os funcionários e até mesmo os pacientes de Ashecliffe parecem estar todos escondendo algo.

Ilha do Medo é um filme baseado no livro Paciente 67, de Dennis Lehane. A história, ambientada em 1954, ganhou todo um clima noir nas mãos do inspiradíssimo Scorsese. Eu não sou especialista em film noir, mas algumas referências ao gênero são claras, como a trilha-sonora exagerada, o tema obscuro envolvendo conspirações, o figurino, algumas tomadas de câmera e até mesmo uns pequenos erros pontuais de continuidade que só podem ter sido propositais (em dado momento uma personagem bebe água de um 'copo invisível').

Após filmes como Os Infiltrados e O Aviador (que, a propósito, também contam com DiCaprio no papel do protagonista), que foram sem dúvida ótimos filmes, eu ainda aguardava que Scorsese voltasse a me encantar da maneira como o fez em Cabo do Medo ou Taxi Driver. E foi com Ilha do Medo que Scorsese conseguiu. Me conseguiu.

Sério, eu estou embasbacada. Estupefata. Boquiaberta. Desbaratinada. Apaixonada.

Não posso dizer que o filme é absolutamente perfeito. Ao menos, não o é para muita gente. Seu alvo mais criticado é o roteiro, julgado previsível em demasia e com explicações além da conta nas cenas finais. Não nego que tais características existam, mas não consigo vê-las como um grande problema (ou mesmo como um problema at all), tendo em vista o modo como a direção as conduziu. Veja bem, após uma segunda sessão do filme, fiquei convencida de que a previsibilidade não só não é apenas uma característica, como é proposital. Assim, da mesma maneira como todos escondem a verdade do agente Daniels, ao mesmo tempo eles querem que ele a descubra o quanto antes. Consequentemente, essa mesma relação acaba se dando entre Scorsese e o espectador.

Quanto às explicações, não as achei excessivas. Decerto que qualquer um já havia entendido o recado ao final de Ilha do Medo, mas cada 'repetição' e reafirmação dos fatos tem seu propósito na própria história. Além disso, ainda que eu encarasse essas questões como defeitos ou pequenos 'pecados', a última cena já serviria para neutralizá-los.

A despeito disso, não há como negar que Scorsese estava tão inspirado que atingiu aqui um nível de excelência magistral. A trilha-sonora é absurdamente sufocante e angustiante. A cena que retrata o trajeto feito pelos agentes desde o cais até o hospital é de se tirar o fôlego - e nesse momento o filme praticamente ainda nem havia começado! Auxiliada por essa trilha e por uma fotografia impecável, a história se desenvolve de maneira quase claustrofóbica, criando um suspense psicológico como poucos vistos. De alguma forma, o diretor conseguiu transformar a insanidade em algo quase palpável, uma entidade que nos ameaça e da qual devemos fugir - mas ela está sempre no nosso encalço. Inclusive, já nos primeiros minutos do filme, comentei com meu marido que o Scorsese estava era querendo nos deixar loucos.

Os efeitos especiais merecem um comentário à parte. A tecnologia é tão bem empregada, que se torna uma aula para os diretores mais novos e afoitos. Os efeitos são utilizados somente quando a cena pede e apenas o suficiente para enriquecê-la. Não é o uso da tecnologia pela tecnologia - é a tecnologia pela arte.

E sobre os atores, não irei falar? Oh, sim, impossível passar em branco. Não só DiCaprio, como todo o elenco. Mark Ruffalo e Ben Kingsley seguram seus papéis em uma dosagem milimétricamente calculada, estão perfeitos - principalmente se avaliados em uma segunda visita ao filme. Max von Sydow mantém uma postura ameaçadora, mas sem exageros, igualmente excelente. A pequena aparição de Jackie Earle Haley é digna de nota. E, claro, DiCaprio, demonstrando mais uma vez sua imensa capacidade. Se é que alguém ainda duvidava de seus dotes, não há como negá-los após assistir Ilha do Medo. Eu sempre o tive como um grande ator, mesmo quando todos o julgavam apenas um rostinho bonito. Aliás, se alguém me apontar um trabalho em que o rapaz esteja mesmo que mediano, ganha um prêmio. Novamente, Scorsese entrega a DiCaprio um personagem complexo e com uma enorme carga dramática - em certos momento Daniels me lembrou a Srta. Giddens de Os Inocentes -, e ele recebe o papel com muita segurança e habilidade.

É como eu disse, Scorsese me ganhou. Vejo Ilha do Medo se inserindo com facilidade entre os meus filmes preferidos, independente de gênero. E falo, sem medo, que é um dos melhores suspenses já feitos até hoje.

24.10.10

The Fourth Kind (Contatos de 4º Grau)




2009
Ficção Científica, Suspense
Direção: Olatunde Osunsanmi
Roteiro:
Olatunde Osunsanmi
e Terry Robbins






Como cinema (no sentido físico e não conceitual) não faz parte do meu vocabulário há alguns anos, não tive o prazer de ser tapeada pelo Sr. Osunsanmi. Não sei se eu cairia na farsa (prefiro acreditar que não), mas dentro da sala de cinema, onde o filme parece engolir a gente, não duvido que eu ficaria inicialmente abalada com esta película. Mas não foi o caso, claro. Vi em casa, muito tempo depois de já saber do golpe publicitário, e fui percebendo as diversas falhas que comprovam, antes de qualquer notícia, que Contatos de 4° Grau não passa de mais uma ficção.

A psicóloga Dra. Abbey Tyler (Milla Jovovich / Charlotte Milchard) perdeu recentemente o marido em circunstâncias muito estranhas, e sua família ainda sofre com essa súbita falta. Moradora de Nome, uma pequena cidade do Alaska, a Dra. Tyler decide dar continuidade ao tratamento dos pacientes de seu marido, que apresentavam estranhas coincidências entre os casos. Aos poucos, Abigail percebe que essas coincidências podem ter alguma ligação com a morte de seu marido, e podem colocar sua vida e a de seus filhos em perigo.

Inicialmente apresentado como sendo baseado em fatos reais, Contatos de 4° Grau traz uma novidade que o faz se destacar dentre seus predecessores: paralelamente às cenas gravadas com os atores em estúdio, Osunsanmi nos apresenta também as supostas gravações reais cedidas pela 'verdadeira' Dra. Abigail Tyler. Essas imagens 'reais' muitas vezes dividem a tela com as cenas dramatizadas, para que possamos acompanhar simultâneamente as duas versões da história e atestar a fidelidade do filme aos acontecimentos.

Ao mesmo tempo que esse diferencial age a seu favor, por sua inovação e ousadia, é também o seu maior problema. Isso porque Milla Jovovich não é apenas fisicamente muito diferente de Charlotte Milchard, como a caracterização as distancia ainda mais. Enquanto Charlotte apresenta uma Dra. Abigail em frangalhos, estrambólica e que em alguns momentos beira o catatonismo de quem já não tem mais forças, Milla está ainda mais linda do que de costume, nos brindando com uma personagem forte e decidida. Claro que a diferença de comportamento se dá por a personagem estar sendo vista em diferentes momentos da sua vida. Porém, isso não minimiza os fatos, já que, com isso, a impressão que fica é a de que temos duas pessoas distintas - o que dificulta a aproximação entre o espectador e a protagonista.

Una a essa partição da personagem principal as diversas falhas e inverossimilhanças de roteiro e temos um filme que não consegue sustentar sua mentira nem mesmo enquanto está sendo assistido. Eu não fico ofendida pela tentativa de ser enganada, ao contrário. Porém, se é para enganar, faça-o bem feito. Como eu disse, talvez dentro de uma sala de cinema, com aquele som alto e a telona que nos envolve,
Contatos de 4° Grau poderia até conseguir me confundir durante a sessão, mas um breve contato com o mundo real já seria o suficiente para que meus neurônios acordassem de seu estado hibernatório.

Apesar disso tudo, devo confessar que gostei do filme. As gravações da Dra. Abigail podem não ser muito esclarecedoras pois pouco de fato mostram, mas as imagens retorcidas e os gritos fazem um bom trabalho no quesito "manter o espectador apreensivo". E o efeito deve ser ainda maior em quem tem predisposição a acreditar em extraterrestres. No fim, acho que o saldo é positivo, mas com tanto potencial para ser um filme excelente, fica um gostinho de insatisfação na boca.

14.10.10

Avatar

2009
Aventura, Ação,
Ficção Científica
Direção: James Cameron
Roteiro: James Cameron



Eu queria muito assistir esse filme em 3D, porque era a única coisa que me incitava a assití-lo. A sinopse era muito comum e aquele povo azul não me conquistou à primeira vista. Mas eu tinha uma curiosidade por esse 3D tão falado. O problema é que não consegui ir ao cinema e nessa eu perdi a oportunidade.

Jake Sully (Sam Worthington) deverá substituir seu irmão gêmeo em uma missão especial em um novo mundo chamado Pandora. A missão é controlar os corpos Na'vi criados em laboratorio (avatares) pela Dra. Grace Augustine (Sigourney Weaver) e se passar por um desses nativos de Pandora. É assim que ele conhece Neytiri (voz de Zoe Saldana), uma Na'vi que o ajudará a compreender os valores e a cultura desse povo.

É estranho como alguém consegue ser tão hábil na direção de um filme a ponto de em apenas um minuto de cena já conseguir prender completamente a atenção de um telespectador que sequer tinha vontade de assistir ao filme pra começo de conversa. Pois foi assim que aconteceu. Eu estava de passagem na casa dos meus pais e meu pai quis me mostrar a qualidade do blu-ray que ele havia comprado. Assim, ele colocou a primeira cena de Avatar. Em menos de um minuto eu exigi que ele parasse o filme. Motivo? É que apenas com aquela cena curtíssima já me deu uma vontade enorme de saber o que viria a seguir, e eu sabia que não poderia assistir ao filme todo naquele momento. Então, era melhor parar tudo logo, antes que eu fosse tragada pelo filme. Por sorte, no mesmo final de semana, descobri que meu sogro estava com Avatar em sua casa. Não preciso dizer que na primeira oportunidade coloquei o filme pra rodar, não é?!

Fiquei impressionada com a maneira como James Cameron conseguiu fazer um roteiro que, ainda que rasíssimo, me manteve envolvida com aquela história desde o seu início até o último segundo. Mesmo esta sendo tão previsível e comum. E, sabe, por mais que eu adore filmes e goste de conversar e escrever sobre eles, ainda não consigo compreender como é que um cara consegue fazer esse tipo de coisa: deixar interessante e intrigante uma história que eu praticamente já conheço.

E não é só a história. Os personagens também são todos uma releitura de milhares que já os precederam inúmeras vezes. Jake, Dra. Grace, Neytiri, os vilões Coronel Miles Quaritch (Stephen Lang) e Peter Selfridge (Giovanni Ribisi) e até mesmo o secundário Norm Spellman (Joel Moore). Todos personagens que eu já vi tantas vezes em tantos filmes. E, ainda assim, são personagens cativantes (ou odiosos) e envolventes, são personagens que são bem apresentados e provocam empatia no espectador. A gente sente o que eles sentem e compreende suas ações.

Dentro desse âmbito, é bom citar que os atores são todos excelentes. Sigourney Weaver dispensa comentários e mais uma vez dá um banho de atuação que deixa qualquer um embasbacado; Sam Worthington em seu segundo papel de grande destaque provou que é capaz de segurar um filme de peso com bastante eficiência e Giovani Ribisi simplesmente conseguiu me fazer esquecer que ele é o irmão doidinho da Phoebe na série Friends (o que não é fácil!).

Outro fator que ajudou sobremaneira a dar vida aos personagens e ao filme como um todo foi a excelência tecnológica dos efeitos especiais. Os Na'vi ficaram tão perfeitos que a gente esquece que eles não existem de verdade. Eles têm expressões tão bem feitas que parecem ser simplesmente excelentes atores grandes e azuis! E todo o cenário, a natureza, as plantas que brilham... Tudo perfeitamente produzido com um realismo incrível. Durante o tempo de duração do filme Pandora existiu, os Na'vi existiram; era turo real para mim.

E foi assim que, apesar dos pesares, Avatar me conquistou. Talvez não seja o melhor filme do ano, mas com certeza é um filme que irá entrar para a história das aventuras. É um filme que seduz a gente, que faz querer reassistir e dividir com quem a gente gosta. E, vamos combinar, tecnologicamente ele já vem se tornando referência para o cinema que o sucede.

6.6.10

War of the Worlds (Guerra dos Mundos)





2005
Ficção Científica, Ação
Direção: Steven Spielberg
Roteiro: Josh Friedman
e David Koepp






É muito difícil ser objetivo e imparcial quando se vai escrever sobre alguém de quem se é fã. Nesses casos, muitas vezes até mesmo os defeitos do ídolo podem se tornar qualidades aos nossos olhos. Temo que esse tipo de coisa aconteça comigo quando o assunto é Steven Spielberg. Mas vamos ver no que dá.

Ray (Tom Cruise) vai passar o fim de semana com seus dois filhos: Rachel (Dakota Fanning), de 10 anos, e o adolescente Robbie (Justin Chatwin). Os dias já prometiam não ser fáceis, visto o relacionamento distante e complicado que o pai tem com os filhos, mas tudo piora muito quando rapidamente a desestruturada família se vê em meio a um terrível e desesperador ataque alienígena que se transformou em uma verdadeira guerra.

Há quem diga que Steven Spielberg seja muito blockbuster, outros o acham demasiadamente piegas. Eu acho que, quando quer, ele é genial. Ser blockbuster, ao meu ver, não é um defeito por si só. Se o filme é bom, um blockbuster pode ser a melhor opção para se ver no cinema num dia de descontração. Quanto a ser piegas, salvo raras excessões, Spielberg conhece a dificílima receita de se dramatizar uma cena de modo a comover sem melodramatizar. É raro encontrar alguém que consiga permear ótimas cenas de drama com maravilhosas tomadas de ação (ou ação com humor, ou drama com ação e humor) tão bem como ele. Mas voltarei a falar disso mais adiante.

Antes, vou falar sobre dois dos atores. Dakota Fanning dispensa comentários, mas vou falar mesmo assim: a menina é descomunal. Toda vez que assisto a um filme com ela me surpreendo com sua atuação, suas expressões, a capacidade que ela tem de chorar com vontade, de gritar com ódio, de rir com alegria e tudo devidamente tão real - sem falar que ela tem a impressionante habilidade de interpretar papéis diferentes sem nunca remeter a algum de seus trabalhos anteriores. Destaque para a cena em que Ray coloca seus filhos no carro, logo no começo do filme, quando Rachel ainda não sabe o que está acontecendo, mas está com muito medo e confusa, cheia de lágrimas nos olhos.

O outro ator, claro, é Tom Cruise. Logo no início do filme, quando Ray ainda nem chegou em casa para receber seus filhos, dá uma certa impressão de que Tom Cruise passará o filme todo interpretando ele mesmo, um verdadeiro babaca. Porém, rapidamente vê-se que não é o caso, ele impressiona pouco depois, quando Ray entende a gravidade da situação em que se encontra. Tom representa com bastante propriedade tanto o homem que se vê perdido em seu relacionamento com seus filhos, quanto o homem que se vê perdido em meio a uma guerra intergaláctica.

Agora eu volto ao que comentava no início. Permeado com eletrizantes sequências de ação, que fazem a gente segurar a respiração, Spielberg nos presenteia com ótimas passagens de pseudo-calmaria, em que os personagens são obrigados a enfrentar a falta de intimidade entre eles. São momentos importantes para humanizar os personagens, criar a fatídica empatia com o espectador do filme. Spoiler: uma das cenas finais, quando Ray finalmente chega com Rachel em seu destino e a entrega para a mãe é memorável. Tom Cruise fica afastado da filha e da ex-mulher, a câmera aberta faz questão de mostrar que, após tudo o que passou nas últimas horas para chegar naquele lugar, Ray está deslocado e só (ele estava quase mais à vontade com os extraterrestres). E, quando estamos a ponto de mandar que alguém, pelo amor de Deus, seja educado e receba esse homem mais calorosamente, surge seu filho Robbie (que uma hora dessas está dado como morto pelo pai) e o abraça. Ok, ok, acho que eu é que sou piegas...

Eu poderia falar de outras coisas também, como a bela fotografia, os ótimos efeitos-especiais, a trilha-sonora adequada. Poderia falar também do final controverso, que muitos consideram ridículo (mas nem esse defeito consigo impor ao filme, pois considero esse final perfeito). Mas, na verdade, só queria comentar sobre uma outra coisa mais: Spielber conseguiu, nesse filme, me fazer sentir o mesmo que eu sentia nos seus filmes 'de antigamente' e voltei a ser uma criança entusiasmada. Eletrizante não é a melhor palavra para descrever as sequências de ação desse filme, elas são ultra-empolgantes, desconcertantes e, ao mesmo tempo, aterrorizantes e desesperadoras. Spielberg mostra nesse filme como é um diretor corajoso ao escancarar na tela quão fatais são os invasores. E essas sensações nos atingem, não importa quantas vezes já tenhamos assistido esse filme antes.

É uma pena eu não conseguir passar com tanta ênfase o que significam, em termos sensoriais, as inúmeras tomadas de ação esmagadora. É uma pena que eu termine o meu texto com uma sensação de que não consegui exprimir como Guerra dos Mundos é um filme emocionante demais, em todos os sentidos da palavra. Contudo, posso recomendá-lo, para que veja com seus próprios olhos e tire suas próprias conclusões.

23.5.10

Failure to Launch (Armações do Amor)



2006
Comédia, Romance
Direção: Tom Dey
Roteiro: Tom J. Astle e
Matt Ember







Mais uma vez vejo muitas promessas gerando bastante decepção. Armações do Amor é um filme que tinha tudo para ser excelente e original, mas não passa de outra comédia romântica como tantas outras.

Al (Terry Bradshaw) e Sue (Kathy Bates) são um casal que não aguenta mais que Tripp (Matthew McConaughey), seu filho de trinta-e-tantos anos, more sob seu teto. Por isso, contratam Paula (Sarah Jessica Parker), que promete conquistá-lo e amadurecê-lo a ponto de fazer com que ele finalmente decidisse sair da casa dos pais e ir morar sozinho.

Armações do Amor, exceto por esse título horrível no Brasil, nem é ruim. Apesar de se resumir a apenas mais uma comédia romântica dentre tantas outras, é divertido, tem uma história interessante, personagens carismáticos, uma bela fotografia. Em um panorama geral, mesmo não figurando entre os melhores de sua categoria, é um filme que tem sua graça.

Contudo, poderia ser muito melhor. Com Kathy Bates no elenco, seria imprescindível que os pais do trintão tivessem mais relevância. Uma abordagem mais intensa no relacionamento do casal de meia idade que se encontra privado da liberdade pela presença ad eternum de seu filho renderia bons frutos - vide a ótima cena em que Al é surpreendido por Tripp alimentando os peixes do aquário, o surpreendente é que Al faz isso enquanto está completamente pelado. Em vez disso, o roteiro apostou em uma história comum e previsível, onde a problemática entre os pais e o filho não passa de uma desculpa para o envolvimento entre os personagens de Mathew McConaughey e Sarah Jessica Parker.

Esta última, por sinal, interpreta uma personagem com pouco carisma e que, apesar de ser a personagem principal, passa por uma tranformação que não convence. Mesmo no final do filme ela é extremamente arrogante e demonstra pouco sofrimento com a perspectiva do término de seu relacionamento com seu par romântico. Mathew, em contrapartida, está ótimo como o trintão ridículo, porém, sozinho não consegue fazer da paixão entre Tripp e Paula algo crível. O diálogo entre os dois, numa das cenas finais, é sofrível. Já o casal formado pelos melhores amigos de ambos, Kit (Zooey Deschanel) e Ace (Justin Bartha), é muito mais simpático e engraçadinho - eu torci mais para esses dois ficarem juntos do que para Paula e Tripp.

Outro detalhe do filme que me desagradou bastante foram as cenas em que Tripp é atacado por animais reconhecidamente dóceis. É um toque de pastelão gratuito e que não combina com o clima do restante do filme.

Enfim, continuo com essa sensação de que houve um desperdício de elenco, atores que poderiam render um filme ótimo - me arrisco a dizer que visualizava até um possível concorrente para Entrando Numa Fria Maior Ainda. Porém, acabei encontrando um filme legalzinho e que quer concorrer com Hitch, mas perde.

9.5.10

I am Legend (Eu Sou a Lenda)


2007
Suspense, Ação
Direção: Francis Lawrence
Roteiro: Mark Protosevich
e Akiva Goldsman




Esse filme me foi recomendado por diversas pessoas que não gostam de filmes de terror, nem de monstros. E ele me parecia que seria basicamente isso, de modo que a curiosidade aguçou.

O ano é 2012 e um vírus, originado pela tentativa de se conseguir a cura para o câncer três anos antes, havia transformado pessoas em desfigurados e desumanizados seres sedentos por sangue e com grande sensibilidade a qualquer tipo de luz. O único sobrevivente de New York, e talvez do mundo, é Robert Neville (Will Smith), um cientista imune ao vírus que se sente culpado por não ter conseguido conter a devastação do mundo. Acompanhado de sua fiel cachorra Samantha, ele se esforça por se manter vivo, não enlouquecer, encontrar outros sobreviventes. E tenta a todo custo descobrir uma cura para o vírus e conseguir reverter a situação.

Ao assistir Eu sou a Lenda, tive a impressão de que ele tinha alguma pretensão de ser uma versão de suspense de O Náufrago. Samantha faz as vezes de Bola Wilson - e é extremamente carismática e cativante. Mas Will Smith não é exatamente um Tom Hanks e, além disso, a ilha do náufrago não estava infestada de ‘zumbis’ noite afora. O desenrolar de Eu sou a Lenda é cheio de momentos dramáticos – que de fato me fizeram chorar bastante, mas fica a sensação de que tudo não passou de um pouco de forçação de barra para conseguir colocar mais profundidade a um simples ‘filme de zumbis’*. Porém, no fim das contas, Eu sou a Lenda acabou conseguindo realmente ser um ‘filme de zumbis’ diferenciado e muito bom.

Nesse ponto já deve haver várias pessoas gritando com a tela do computador: não são zumbis!!! Porém, eu peço desculpas a essas pessoas, pois continuarei me referindo ao filme dessa forma. Mesmo que tecnicamente os monstrinhos não sejam zumbis, pois não são mortos-vivos, mas são praticamente isso.

Voltando. Como eu disse, Will Smith não é exatamente o melhor ator de sua geração, mas ele consegue carregar o filme praticamente inteiro completamente sozinho, e consegue fazer isso com bastante competência. Já está se comprovando que ele é um ótimo ator e não apenas um ótimo comediante. Uma surpresa é a presença de uma brasileira, Alice Braga, filha da Sônia Braga. O papel não é grande, mas, tendo em vista a pouca quantidade de personagens ao longo do filme, digamos que ela é a terceira personagem com maior destaque na trama (claro, a Samantha é a segunda). E Alice Braga não faz feio e já mostrou um belo dum potencial (só desconte um tiquinho de puxa-saquice minha por ela ser brasileira).

Apesar disso, mais ou menos a partir do ponto em que a nossa brasileira aparece é que o filme começa a não me entusiasmar tanto quanto antes, culminando em um final que não me pareceu tão apoteótico quanto tenta ser. O ato heróico se mostrou mais como um pretexto para dar mais ênfase ao nome do filme, do que um final daquele tipo: ‘nossa, esse era realmente o melhor final para esse filme’.

Por esse motivo, e também por outros citados no início do meu texto, acredito que, apesar de Eu sou a Lenda ter conseguido se destacar dentre os ‘filmes de zumbis’, ele não me pareceu mostrar uma abordagem tão profunda quanto a de, por exemplo, Extermínio – o qual preciso rever, por sinal. Eu sou a Lenda é um filme realmente muito bom, do qual eu gostei muito. Mas é um pouco pretensioso.


* Deve-se destacar que o que eu estou chamando de zumbis são, de acordo com o romance homônimo no qual o filme foi baseado, vampiros. Não li o livro, mas no filme eles pouco se assemelham ao que classicamente se entende por vampiros.

25.4.10

MEME: Beldades do Cinema

Com mais de um ano de atraso, finalmente me toquei que deixei para trás esse meme divertido que a Cecília, do Cenas de Cinema, me passou. A ordem é o seguinte: fazer uma lista com os atores que considero serem os mais lindos do cinema e, se for o caso, da tv.

Em ordem de beleza crescente, segue minha lista:


10. Ralph Fiennes



09. Jude Law



08. Antonio Banderas



07. Brad Pitt



06. Heath Ledger




05. Paul Newman



04. Joaquim Phoenix



03. Harrison Ford



02. Tom Cruise



01. Johnny Depp



Não vou repassar o MEME para ninguém, pois o tempo passou e já não sei quem já participou da brincadeira. Mas se alguém tiver a intenção de dar seguimento, me avisa nos comentários e eu colocarei o link abaixo.

11.4.10

John Tucker Must Die (Todas Contra John)





2006
Comédia, Romance
Direção: Betty Thomas
Roteiro: Jeff Lowell






A gente sabe que coisa tá ficando feia quando começa a fazer críticas de filmes que assistimos na tv aberta. O pior é que o danado do filminho me prendeu e eu, que precisava dormir cedo, fiquei assistindo até o final.

O típico garoto popular, John Tucker (Jesse Metcalfe), é chegado em passar conversa nas meninas da escola. Ele já havia desenvolvido a impressionante (?) habilidade de fazer com que nenhuma garota ficasse sabendo de seus outros casos concomitantes, mas, logicamente, sua sorte não durou muito tempo. Heather (Ashanti), Beth (Sophia Bush) e Carrie (Arielle Kebbel) são três de suas 'vítimas', garotas com personalidades opstas e que descobrem que estavam sendo traídas pelo seu amado desde... desde sempre. Elas se juntam à típica, mas bonitinha, looser Kate (Brittany Snow) e a convencem a ajudá-las a se vingarem de John.

Acho que o que chamou a minha atenção para esse filme foi a aparente intenção de ser um novo 10 Coisas que Eu Odeio em Você. Dentre as semelhanças, destaco inicialmente duas: usaram uma das principais músicas da trilha-sonora desse ótimo filme, e o mocinho Scott (Penn Badgley) também tem cabelo comprido - mas seu papel é tão insignificante que não consegui colocá-lo na sinopse! Porém, o fator mais importante, que co-relaciona os dois filmes, é o diferencial no roteiro. Assim como o 10 Coisas... (e todos os outros), Todas Contra John tem uma história extremamente previsível, mas nos dois casos, ela não é igual à de nehum desses outros filmes do gênero (ou, pelo menos, não que eu saiba). Foi o interesse pela história inédita que me fez ficar no sofá quando o filme começou, e foi o fato de a história se mostrar interessante que me fez continuar no sofá até o seu final.

Mesmo assim, Todas Contra John não é um filme com a qualidade de seu 'muso'. Já que estou comparando, senti muita falta de um enfoque um pouquinho maior no personagem Scott; os personagens, inclusive a protagonista, são muito mais rasos; e o casal principal Kate+Scott não provoca tanta empatia quanto deveria, nem o 'sub-casal' Kate+John. O longa tenta ser inovador, mas acaba não sendo tão diferente do que se esperaria de um filme com a sua classificação.

Eu procurei ver quais outros filmes a diretora já havia feito, mas, apesar de eu não imaginar que encontraria algum título interessante em sua lista, me surpreendi ao descobrir que ela fez 3 filmes conhecidos: Dr. Dolittle, 28 Dias e Only You. Uma coisa eu digo, nunca imaginaria que esses filmes tivessem um mesmo diretor. E me surpreendi mais ainda com Only You nessa lista, que é um filme que eu gosto bastante.

No fim das contas, não sei se valeu a pena ficar acordada por causa do filme, mas ele me fez lembrar de 10 Coisas que Eu Odeio em Você, um filme que marcou minha adolescência, o que já é um ganho por si só. Todas Contra John é um filme mediano, mas não é tão ruim como a grande maioria dos filmes adolescentes dos últimos, sei lá, 10 anos.

28.3.10

The Exorcism of Emily Rose (O Exorcismo de Emily Rose)




2005
Suspense
Diretor: Scott Derrickson
Roteiro: Paul Harris Boardman e Scott Derrickson





Um tempo atrás eu havia comentado com meu marido que eu estava precisando assistir um filme de suspense, de preferência um que eu nunca tivesse assistido antes E que fosse bom. Um ou dois dias depois eu vi que ia passar O Exorcismo de Emily Rose na tv aberta e, mesmo já tendo assistido antes, me agarrei a esse filme como se fosse água no deserto. Será que é por isso que eu gostei mais dele nessa segunda vez?

O Padre Moore (Tom Wilkinson) está sendo julgado pelo homicídio de Emily Rose (Jennifer Carpenter). Ele é acusado de ser o principal responsável pela sua morte após uma tentativa frustrada de exorcisá-la. Sua advogada, Erin Bruner (Laura Linney), tentará provar a inocência desse homem, enquanto começa a questionar suas próprias crenças.

Eu não havia me interessado muito por esse filme quando o assiti pela primeira vez. Eu gosto muito de filme de terror, como deve ser visível, e também gosto muito de filmes de tribunal. Acho que acabei criando uma expectativa muito grande para esse filme. Além disso, pelos rumores que havia ouvido, eu estava esperando por algo mais chocante, mais terror, e o que encontrei foi um suspense. Aí, caí no meu erro mais recorrente: não analisei o filme direito por despeito. Eu sou uma mocinha muito emotiva. Não no sentido de chorar à toa (se bem que eu choro à toa), mas no sentido de que meu emocional muitas vezes suplanta o meu racional. Enfim, dessa vez, eu estava tão cinematográficamente carente que fiz questão de ver o filme dublado mesmo. E, mesmo assim, fiquei fascinada com ele. Não duvido que seja meu lado emotiva falando mais alto (agora pensendo para o lado oposto), mas dessa vez eu tenho mais definidos os motivos que me levam a ter gostado tanto do filme.

Uma outra particularidade minha é comparar as coisas, ou relacioná-las. E aí que O Exorcismo de Emily Rose, que antes eu imaginava que seria muito como O Exorcista, acabou me lembrando um pouco A Profecia (1976). A característica que mais evidencia essa semelhança é o fato de o demônio agir não apenas pelo corpo da possuída (ou, no caso do filme mais antigo, pelo Damien), mas também de maneira completamente desligada dele. Ou seja, nos dois filmes o demônio utilizou elementos naturais e/ou tecnológicos para atemorizar, intimidar e, até mesmo, atacar aqueles que tentaram interferir em seus objetivos. Outra semelhança está num enfoque mais investigativo e psicológico que pode ser encontrado nos dois filmes: Erin tenta encontrar provas de que o Padre Moore é inocente, enquanto Robert Thorn investiga para tentar entender o comportamento estranho de seu filho adotivo - e são suas descobertas, somadas aos acontecimentos que eles próprios testemunham, que irão por em cheque tudo aquilo que sempre acreditaram.

Os três atores principais estão simplesmente excelentes. Laura Linney demonstra muito bem a crise na qual a sua personagem entra durante o filme, e ela faz isso de maneira coesa e muito realista. Jennifer Carpenter, praticamente estreando no cinema (afinal, quem era ela antes desse filme?), conseguiu dar conta do recado em um papel com forte carga dramática, mas sem ser caricata ou exagerada. Por fim, Tom Wilkinson entra tão bem no personagem que é difícil lembrar que ele não é, realmente, o Padre Moore. E é, em parte, graças à atuação desses três que o espectador chega a também ficar em dúvida quanto a que acreditar.

Ainda assim, a direção e a edição são os principais 'culpados' por esse grande acerto do filme (e que pode igualmente ser considerado o grande erro). As cenas se intercalam entre o julgamento e a história da possessão de Emily Rose propriamente dita. Tanto a medida contida de contar o filme, quanto esse vai e vem de cenas, fazem do filme algo extremamente realista e plausível. O roteiro também prima em manter tudo bem amarradinho e coerente. Todas as cenas e reações dos personagens são milimétricamente calculados, sem parecer mecânico e impessoal.

E é essa a grande crítica que pode ser feita à película. O filme prometia ser de terror, e com essa expectativa em mente, fica a sensação de que faltou ousar nas cenas de possessão, de que faltou mais choque. Algo mais ao estilo de O Exorcista mesmo. Foi o que fez com que eu, e muitos outros, tivesse ficado descepcionada com o que vi. Contudo, analisando friamente, tenho minhas dúvidas se seguir essa linha mais visualmente pesada teria resultado em um filme tão bom. Afinal, mesmo contidas, as cenas presentes em O Exorcismo de Emily Rose são suficientes para dar um clima tenso, assustador e sombrio ao filme.

O importante é se ter claramente que, apesar do marketing furado, a intenção do filme é ser um suspense de tribunal. Assista ao filme pensando nisso e não irá se decepcionar.