1.12.08

Mais uma vez, ausência.

Olá a todos os que ainda aparecem por aqui na esperança de encontrar algum post novo sobre filmes.

Bem, já faz algum tempo que eu não atualizo esse blog e o motivo é duplo:

1. Um problema técnico me impossibilita de acessar o blog com a frequência que eu gostaria.
2. Um 'problema' (que eu prefiro chamar de solução) pessoal tem tomado a minha atenção na maior parte do restante do meu tempo. Isso resultou em uma enorme diminuição na minha já precária frequência de assistir filmes. E sem filmes, sem posts.

Nesse segundo item, eu me refiro à minha mais nova alegria: existe um pequeno ser dentro de mim já há mais de três meses. Não, não se trata de lombriga ou parasita semelhante. É nada menos que um bebê. Poucas outras coisas coneguem tirar minha atenção desse fato, e duas delas são algumas outras mudanças pelas quais estou passando: uma no âmbito profissional e outra que mistura um pouco os âmbitos profissional e pessoal. Em meio a isso, não sobra muito tempo para que eu possa (ou tenha pique de) postar nesse blog.

Nas últimas duas semanas recebi alguns comentários em diversos posts espalhados pelo blog e eu fiquei muito feliz em ver que ele ainda interessa àqueles que são tão amantes de filmes quanto eu. Não posso deixar de dizer que o comentário deixado por Annix chegou a me emocionar! Eu peço desculpas pelo fato de não ter respondido a algumas perguntas feitas nesses comentários, mas um dos principais motivos de isso ter acontecido é o problema técnico já mencionado. Acho que a principal questão que ficou sem resposta foi quanto ao filme Um Estranho à Minha Porta, mas ainda hoje irei responder ao comentário.

Não sei quando o Pipoca no Edredom poderá voltar ao seu funcionamento normal. Talvez no início do ano que vem, algumas das mudanças pelas quais estou passando já tenham entrado em normalidade - algo por volta de Janeiro/Fevereiro. Aí, provavelmente eu voltarei a postar, pelo menos a cada duas semanas. Mas no início de Janeiro eu virei dar uma posição mais exata da situação.

Enfim, agradeço a todos que elogiaram até hoje o blog e que pacientemente ainda o visitam. Peço desculpas pelo sumisso, tanto deste blog, como por não visitar mais aqueles blogs que eu sempre tive o prazer de ler e comentar. Juro que ainda voltarei a frequentá-los, ok?!

Beijos e abraços a todos! E já desejo feliz festividades a vocês!

Até 2009!

8.9.08

Batman




1989
Ação, Aventura, Suspense
Direção: Tim Burton
Roteiro:
Sam Hamm e Warren Skaaren




E aí, com toda essa onda de The Dark Night que teve, resolvi rever os dois primeiros filmes do Batman. Não para comparar, apenas porque deu uma saudade e uma vontade de relembrar.

Bruce Wayne (Michael Keaton) é aparentemente um jovem extremamente rico e excêntrico, que gosta de dar festas em seu castelo em Gotham City. Porém, quando o céu escurece, ele é Batman, o rapaz atormentado que sofre com a lembrança de ter visto seus pais serem assassinados na sua frente, e que luta para que sua cidade natal seja liberta da violência e corrupção. com a ajuda de seu fiel mordomo Alfred Pennyworth (Michael Gough). Enquanto poucos acreditam que existe um justiceiro que aparece nas madrugadas para enfrentar os vilões que o crepúsculo traz, uma linda fotógrafa, Vicki Vale (Kim Basinger), pretende desvendar quem é o homem-morcego. Porém, alguém mais acredita na existência do Batman: Jack Napier (Jack Nicholson), que em um acidente ocorrido durante um tiroteio, pedeu a pouca sanidade que possuía e, desfigurado, passou a se auto-denominar Coringa.

Nem vou entrar na comparação entre este filme e os dois novos do Christopher Nolan. Primeiro porque é um filme do Tim Burton e devemos lembrar que seus filmes nunca foram... comuns. Segundo porque as épocas e os públicos são completamente diferentes.

Batman foi feito para adolescentes e jovens que conheciam o herói diretamante dos quadrinhos. Jovens que queriam ver a aventura do homem-morcego com toda a fantasia que permeava suas mentes, com as alegorias de uma cidade fantástica, lúgubre e perigosa. Tim Burton foi a melhor escolha que se podia fazer para retratar essa aventura e essa Gotham City. Tim Burton e seus cenários, que têm como clara fonte de inspiração o Expressionismo Alemão, era tudo o que o filme precisava para ser o sucesso que foi.

Ninguém esperava que fosse um filme complexo e que abarcasse com fidelidade impecável cada detalhe dos quadrinhos. Os garotos queriam tão e somente poder ver o Batman na telona, mas um Batman que não viesse acompanhado de "Tum" e "Ploft" e "Paf" e "Bam". Mas algo mais pesado do que o que o filme retratou provavelmente seria chocante demais para eles, e não seria bem aceito.

Talvez Michael Keaton não tenha sido a melhor escolha para interpretar o Batman. Sim, ele é um ótimo ator e ele conseguiu captar a essência do personagem sem mergulhar muito na complexidade que ele possui. Porém, convenhamos, Michael Keaton é demasiado diminuto para o papel. Não que ele seja nanico, mas estamos falando do Batman! E sua altura fica ainda mais em evidência quando se coloca Kim Basinger para fazer o papel da mocinha.

Então, chega-se inevitavelmente no Coringa. E todos esperam que eu opine, por fim, se o Heath Ledger se saiu ou não melhor do que Jack Nicholson. Pois bem, digo que não. E por um motivo já comentado acima: o filme que se esperava na época não poderia nunca conceber um Coringa com a carga dramática que Heath Ledger trouxe para as telas na versão mais nova. Não há um ator, entre os dois, que tenha sido 'melhor'. Heath Ledger esteve perfeito como o Coringa de The Dark Night, assim como Jack Nicholson esteve perfeito como o Coringa de Batman. Jack Nicholson conseguiu balancear humor negro e perversão como poucos poderiam fazê-lo e disso saiu o clássico Coringa que viveu no imaginário daqueles garotos durante anos a fio.

Os garotos cresceram e se tornaram homens e é para esses homens que foi feito Batman Begins e sua sequência. Mas Batman é apenas um filme de super-herói e foi criado como tal. E o filme é o que se esperava que ele fosse naquela época por aquele público. E digo, que mesmo depois de tantos anos, foi mágico revê-lo.

25.8.08

Saam Gaang Yi (Três... Extremos)

2004
Suspense, Drama


Três... Extremos é o segundo volume a juntar três contos de três diferentes diretores e três diferentes localidades, tendo sido o primeiro volume chamado apenas Três. Para Três... Extremos foram selecionados três diretores asiáticos conceituadíssimos: Takashi Miike, do Japão; Fruit Chan, de Hong Kong; e Chan-wook Park, da Coréia do Sul.

Todos os contos têm em comum o que o próprio nome do filme já pressupõe: situações extremas. Todos abordam temas como a vaidade, inveja, ciúme, culpa, remorso; e sempre de forma crítica e inusitada. São contos sobre os seres humanos, quem quer que sejam e onde quer que estejam, e suas falhas. São contos que colocam as pessoas em situações adversas e extremas: o que você faria se não existissem os limites? Até onde o homem é capaz de chegar?




Box (A Caixa)
Direção: Takashi Miike
Roteiro: Haruko Fukoshima
e
Bun Saikou




A escritora Kyoko (Kyoko Hasegawa) sonha todas as noites que está envolta em plástico, dentro de uma caixa, conforme é enterrada viva. Tristes lembranças de seu passado começam a se tornar cada vez mais recorrentes, enquanto ela tenta sobreviver ao presente.

De todos os contos, este é o que mais remete ao cinema oriental de terror que vem se tornando cada vez mais convencional. Mas, ainda assim, em nada ele é como os outros. Adimito, porém, que quando comecei a assistí-lo, fiquei meio preguiçosa de prosseguir, por crer ser mais do mesmo. Por sorte, insisti e descobri que na verdade ele é realmente mais do mesmo, ou melhor, muito mais. O tipo de narrativa faz-nos lembrar muitas vezes de A Tale of Two Sisters, mas o roteiro e a direção extravasam um pouco mais para o onírico. Bem, onírico talvez não seja uma definição exatamente precisa, mas acho que é a que mais se enquadra aqui.

Miike tem uma filmografia que o deixou mais conhecido por seus filmes de um terror mais gore e extremamente violento. E, somado ao título de Three... Extremes, o espectador acaba esperando por algo nessa linha. Porém, o curta é muito mais poético, suave e delicado do que se espera - mas ainda é possível reconhecer o Takashi Miike de Imprint. A história é confusa, e vai se tornando pesada conforme se torna clara, até culminar em um clímax denso e num final que causa certa angustia e estranhamento.

A fotografia é belíssima, assim como a trilha sonora; e o roteiro expesso se torna mais agradável em uma segunda vista, onde ele pode ser mais absorvido em alguns detalhes impossíveis de serem percebidos numa primeira instância. Destaque para algumas cenas com o uso já conhecido (e batido) da câmera que caminha lenta, seguida por dois cortes que adiantam a imagem - mas aqui, o recurso é somado a uma trilha sonora delicada que, ao contrastar com o efeito da câmera, evita o exagero que costuma resultar em seu uso mais recorrente (ou seja, quando combinado a trilhas sonoras pesadas e 'impactantes').




Dumplings (Escravas da Vaidade)
Direção: Fruit Chan Kwoh
Roteiro: Lilian Lee





A Sra. Li (Miriam Yeung Chin Wah) é uma atriz que vê sua carreira perder o brilho e seu marido se afastar. Culpando o avanço da idade, resolve recorrer a uma cozinheira local, Tia Mei (Bai Ling), cujos dumplings (uma espécie de pastel de carne, prato típico chinês) possuem a fama de rejuvenescer as mulheres.

O segundo curta conta com direção e edição um pouco mais tradicionais, chamando a atenção pelo tema, o modo de abordagem e pela fotografia de Christopher Doyle (A Dama na Água).

A câmera segura somada a uma fotografia colorida (com predominância do verde e do vermelho) deixam o filme visualmente belo e simples. Em contrapartida, Dumplings aborda a temática do apreço demasiado pela beleza física e pela juventude, além de também citar a questão do aborto e, mais superficialmente, o incesto. Essa abordagem é feita de uma forma drástica e exagerada, remetendo ao horror a que a vaidade pode levar. Assim, a beleza visual do curta mascara o grotesco brilhantemente retratado pelo roteiro – exatamente como acontece com seus personagens.

As atuações são primorosas, tanto de Bai Ling, indicada para o Hong Kong Film Awards como melhor atriz, quanto de Miriam Yeung. Destaque para uma das cenas finais, quando a Sra. Li está na banheira e a câmera dá um close em seu rosto – a expressão no rosto dela, que vem a seguir de movimento assustador (prefiro não relatá-lo aqui) que ela faz, é algo de gelar a espinha. Cheguei a ficar na dúvida quanto a possibilidade se ser essa a melhor cena para fechar o curta, apesar de a cena final ser psicologicamente ainda mais impactante.

Outro ponto de interesse são os efeitos sonoros. É fato que os efeitos sonoros dos filmes asiáticos têm muito peso e destaque. Isso acontece também nos três curtas de Three... Extremes. Porém, o fator psicológico fez com que o efeito do som dos dumplings sendo mastigados pela Sra. Li produza um resultado ainda mais efetivo do que o nos outros dois contos. Aliás, Dumplings me parece ser verdadeiramente o mais chocante dos três curtas apresentados.

Dumplings conta também com uma versão longa-metragem, de mesmo nome.






Cut
Direção: Chan-wook Park
Roteiro:
Chan-wook Park






Um cineasta (Byung-hun Lee) e sua esposa pianista (Hye-jeong Kang) são presos em um set de filmagem por um figurante (Won-hie Lim). O figurante alega que o cineasta é um homem demasiado bom e que precisará provar ter alguma maldadedentro de si estrangulando uma garotinha. O tempo corre, e cada cinco minutos de exitação lhe custará um dos dedos de sua mulher.

Chan-wook Park. Aquele da trilogia Sympathy for Mr. Vengeance / Oldboy / Lady Vengeance. Aquele do humor negro estranho e inusitado. É também o diretor e roteirista do conto que eu mais gostei em Three... Extremes.

Este talvez seja o mais estranho dos três, cuja história parece mais violenta, descabida e tétrica (mas menos grotesca). Me chama a atenção por ser tão diferente dos outros (ou de qualquer outro filme). Assim como também me agradou o cenário; a fotografia, muito colorida e extravagante; e o domínio que o diretor tem com relação ao uso da câmera – visivelmente mais aprimorado e seguro do que nos outros curtas.

O tema do conto é a inveja (e, talvez mais mascarado, também o é nos outros dois). Da mesma forma, também em Cut, o desenrolar da trama tem conseqüências extremas – trama que, por sinal, é pouco complexa, diferentemente de seu final. Aliás, o final é algo que deixa o espectador catatônico e confuso.

Por fim, como não podia faltar, encontramos nesse curta o recorrente humor desajustado e ‘fora de lugar’ de Park – mas que também existe em uma dosagem que chega a ser impressionante. É um humor que nos pega desprevenidos, da risada que resulta mais pela surpresa e estranhamento do que pela verdadeira graça. E logo o tom do filme volta ao seu rumo anterior, como se nada tivesse acontecido. Não sei bem se é um humor negro tanto quanto é apenas humor, um humor à lá Chan-wook Park.

Um filme à lá Chan-wook Park.

17.8.08

Ratatouille



2007
Animação, Comédia
Direção: Brad Bird
e Jan Pinkava
Roteiro:
Brad Bird
e Jan Pinkava




Já fazia um certo tempo que eu assisti a última animação que me deixou empolgada. Teve Madagascar, teve Carros, mas apesar de serem desenhos engraçados e bem bonitinhos, não foram assim, como Shrek, Procurando Nemo, A Era do Gelo ou Os Incríveis. E eu já estava desistindo. Até assistir Ratatouille.

O pequeno ratinho Remy não é como os outros. Remy tem olfato e paladar aguçados que fazem com que sua mente divague imaginando os melhores sabores, as melhores combinações alimentícias. Remy não quer mais comer lixo, ele quer ser um cozinheiro! E é na amizade com o atrapalhado Linguini, faxineiro de um famoso restaurante cujo dono havia falecido recentemente, que Remy encontra a possibilidade de realizar seu sonho.

Meus pais já haviam avisado: não é um desenho para crianças. E mais: é ótimo! Eu, confesso, não havia entendido muito bem o que eles quiseram dizer com isso. Lembrei de Os Incríveis, que continha diversas piadas a respeito da meia-idade, mas não conseguia imaginar que tipo de piadas poderiam ser as de um desenho sobre um ratinho cozinheiro. Pense comigo, um desenho sobre um ratinho cozinheiro. Quer coisa mais bonitinha e 'pra crianças' do que isso?

Pois bem, fui lá assistir a tal animação. Primeiro: no final expeli até minha alma pelos olhos; me matei de chorar. Segundo: não é para crianças. Terceiro: é ótimo!

Explicando. Claro que se uma criança assitir o desenho vai achar uma gracinha e vai achar o Remy cuti-cuti,e tal; mas estou certa que vai perder 80% do que ele tem a oferecer. O que deixa o filme 'adulto' não são as piadas, é o roteiro. O roteiro é muito mais complexo e trabalhado do que pode parecer, e, arrisco, um pouco tenso demais para uma criancinha. Eu fiquei mais da metade do tempo apreensiva, achando que a qualquer momento algo terrível iria acontecer - acho que é por isso que chorei tanto no final, a tensão acaba e a gente tem que colocar ela pra fora de alguma forma. De qualquer forma, o roteiro tem um desenrolar nada óbvio que ruma para um final incomum e delicioso.

Os personagens são lindamente trabalhados e, creio eu, essa foi a primeira animação que não possui o típico personagem puramente engraçado que fica na cola do personagem principal o tempo todo. O Remy é, de fato, cuti-cuti; o Linguini é engraçado - mas de uma maneira diferente - e simpático; o crítico gastronômico Anton Ego é formidável e a caracterização dele, perfeita; a cozinheira Colette é uma graça; e o chefe Gusteau é, literalmente, fofo. Talvez o personagem que eu menos tenha gostado seja o chefe Skinner, um pouco caricato demais.

O filme é muito lindo, e, se me permitem sugerir, não deve ser assistido com fome. Dá muita vontade de mergulhar nas sopas e nos pratos refinados do Remy. Aliás, ainda vou querer aprender a fazer... ratatouille.

11.8.08

The Dark Knight (O Cavaleiro das Trevas)



2008
Ação, Suspense
Direção: Christopher Nolan
Roteiro:
Christopher Nolan,
Jonathan Nolan e David S. Goyer



Não vou dizer que era o filme pelo qual eu mais esperava esse ano, mas com certeza foi o segundo. Não vou dizer que Heath Ledger nada teve a ver com isso, mas eu já estava curiosa para vê-lo na pele do Coringa antes de seu falecimento. E lá fui eu, cinema adentro, com a expectativa no colo – e ela estava prontinha para rir da minha cara.

Aqui Batman (Christian Bale) já é Batman. Mas o seu sonho de limpar Gotham City parecia que nunca se realizaria, principalmente com a chegada de um novo malfeitor: o Coringa (Heath Ledger). Porém, com a ajuda do promotor de justiça Harvey Dent (Aaron Eckhart) e do ainda não comissário James Gordon (Gary Oldman), talvez a hora de acabar com a corrupção tenha finalmente chegado.

E lá estávamos nós: o cunhado, o marido, eu e ela – a expectativa. E a cada minuto do filme, eu a via ficar cada vez menor. Até que as luzes se acenderam e quem riu fui eu. Ela havia sido superada.

Eu sei que eu não tenho o conhecimento técnico necessário para analisar o que foi esse filme com relação à HQ. Mas, o que diabos foi aquilo? Como filme, não como adaptação. O melhor filme de super-herói que eu já vi. Perfeito.

As ótimas qualidades de Batman Begins aqui se mantém. Cenário, roteiro, fotografia, direção e figurino. Grifei figurino, pois espero que quem ainda não tenha assistido ao filme, atente bem para ele. Mas gostaria de salientar com palavras o roteiro. O roteiro magistralmente construído para que em cerca de 145 minutos a gente não tenha um segundo de enfado. O roteiro que tem, mais ou menos, uns 5 clímax, sem que a gente se canse deles. Ele consegue esmiuçar todos os personagens - bem, pelo menos aqueles que nos interessam – e da forma que nos interessa. Ele mostra o que a gente quer ver, e mostra bem, mostra na dosagem certa.

E, novamente, um destaque: elenco. Uma mudança, a namoradinha Rachel Dawes teve Katie Holmes trocada por Maggie Gyllenhaal – troca que não teve muito impacto. Talvez Christian Bale tenha exagerado na voz gutural em umas duas cenas, mas ele ainda continua sendo O Batman do cinema. Aaron Eckhart e Michael Caine indiscutivemente fantásticos e Gary Oldman brilhante e perfeito, como sempre. Aliás, Gary Oldman transformando o Comissário Gordon em um personagem de empatia cada vez maior.

Mas não me alongarei mais. Por fim, chego no Heath Ledger. Como eu disse, meu conhecimento sobre a HQ é muito pequeno. O que eu conheço do Coringa me foi apresentado pelo grande Jack Nicholson, por algo de desenho animado e pelo que me contam amigos que liam os quadrinhos. Mas isso já foi o suficiente para que eu tivesse, numa listagem pessoal, esse personagem como o melhor vilão das histórias de super-herói que eu conheço. Eu gostava do sadismo, das piadas de mau gosto, do humor negro, das roupas, do modo de falar, da insanidade aparente, da inteligência aguçada, do não ter nada a perder.

Heath Ledger juntou isso tudo, mas deu ainda mais um passo. Ele foi além, até o figurino e a maquiagem ultrapassaram os limites. Aliás, está aí uma palavra que o Coringa de Ledger parece desconhecer: limites. Ele quebra as barreiras do simples humor negro – ainda não inventaram uma palavra que defina o grau de escuridão daquele humor. O modo como ele se move, o timbre da voz, a construção das frases – ou melhor, a pontuação das frases -, o tom da risada – e os momentos em que ela resolve aparecer -, a postura, o olhar, os tiques que ele faz com a boca. O conjunto todo é perfeito, e os detalhes são, cada um, algo a se prestar atenção. Mas, claro, devemos dar crédito não só a ele, porque, além de bem executados, aqueles diálogos/monólogos do Coringa são simplesmente aterradores – mesmo que estivessem sendo lidos por um ursinho cor-de-rosa. Só que, para nossa alegria, foram recitados pelo Coringa. Pelo Coringa de Heath Ledger.


Frase Marcante:

* Coringa: “Why so serious?