9.12.07

The Abominable Dr. Phibes (O Abominável Dr. Phibes)


1971
Terror, Comédia
Direção: Robert Fuest
Roteiro: James Whiton e
William Goldstein




Comédia e terror? É, basicamente um belo de um humor-negro. É o riso nervoso causado pela desgraça e pelos receios dos personagens. Mas é de certa forma leve, quero dizer o humor é leve, não algo forçado. É o resultado da sensação de estranhesa que as mortes nos trazem, de um certo absurdo que gira em torno delas todas. Você ri, mas sabe que algo naquilo te incomoda, e com o tempo você percebe que o que te incomoda é basicamente o Dr. Phibes.

Nove médicos terão suas mortes inspiradas nas 10 pragas do Egito do Antigo Testamento. O Ispetor Trout (Peter Jeffrey) se encarregará de tentar desvendar quem é o serial-killer responsável por tão ediondas mortes, mas ele parece sempre chegar um minuto tarde demais. O serial-killer é Dr. Anton Phibes (Vincent Price), um famoso organista tido como morto, que busca vingança contra os que ele acredita serem responsáveis pela morte de sua esposa (Caroline Munro).

Outro dia eu estava lendo o blog de uma amiga minha - que nada tem a ver com cinema, diga-se de passagem - e lá ela falava sobre aquela música "More than Words". Pois essa música ilustra muito bem o que eu penso do Vincent Price nesse filme. O homem não fala uma palavra o filme inteiro - quer dizer, fala mas não fala - e consegue passar tudo, e mais um pouco, somente através de sua interpretação corporal e facial. E isso, porque uma das características mais marcantes de Vincent Price é sua voz (lembrem-se da introdução que ele fez em Thriller de Michael Jackson), e nesse filme ele faz uma atuação impressionante sem usá-la.

Os outro atores? Bem, o inspector dá o tom cômico do filme e o faz muito, muito bem. A maior parte do restante é formada por praticamente figurantes, fora o Dr. Versalius (Joseph Cotten) que tem um pouco mais de presença no filme - e também é bom. Agora, a tal da ajudantezinha do Dr. Phibes é uma lástima! E olha que ela também nem abre a boca. O papel dela exigia muito charme, elegância e ela tinha que, pelo menos saber dançar; mas a moça é sem graça, dura que nem um pau, dança parecendo um robô e não chega a ter 1 milésimo da beleza da falecida. Na verdade, acho que aquela moça é a única coisa que impede esse filme de ser perfeito.

Ah, mas a história do filme é ótima e a direção é primorosa. Robert Fuest soube criar um filme onde tudo está exatamente na medida certa. Como uma pequena ilustração do que digo, veja a imagem no início do post. Que enquadramento! E o figurino é maravilhoso, as músicas, o humor, as mortes. As mortes!! Nunca o cinema tinha conhecido tamanha criatividade envolvendo o quesito "assassinato".

Aí, um dia ouvi uma mocinha dizer que Jogos Mortais era tido como uma cópia de O Abominável Dr. Phibes, mas que aquilo era um absurdo. Eu particularmente nunca tinha ouvido essa comparação antes - e nem depois. Mas se eu tivesse que dizer que algum filme se aproxima da proposta de O Abominável Dr. Phibes, esse filme seria Seven, não Jogos Mortais. Claro que não há um pingo sequer de humor-negro em nenhum desses dois filmes, mas Seven também trata de punição, também usa a religião como base para essa punição. E mesmo assim, Seven tem seus méritos próprios que o fazem se distanciar, e muito, do filme estrelado por Price. Quanto a Jogos Mortais, Dr. Phibes não quer dar uma chance de vida às suas vítimas - a não ser em apenas um dos casos - ele quer matá-las mesmo.

Em todo caso, levemente parecidos ou não, O Abominável Dr. Phibes é um filme maravilhoso. É daqueles que merecem ser vistos diversas vezes para que se possa atentar para todos os detalhes. Ele merece ser assistido sempre e sempre será bom, independente da época em que isso for ocorrer.

Um comentário:

Adriana disse...

Amo todas as sequências do Dr Phibes... Muito massa o ator e as mortes eram impressionantes!