17.3.08

El Laberinto del Fauno (O Labirinto do Fauno)





2006
Fantasia, Drama
Direção: Guillermo del Toro
Roteiro:
Guillermo del Toro






Conta-se de uma princesa fada que se apaixona pelos humanos e resolve se tornar uma ela mesma. Anos depois, quando ela está reencarnada em uma menina chamada Ofélia (Ivana Baquero), o Rei resolve trazê-la de volta ao mundo das fadas. Na Espanha, no final da Guerra Civil, Carmen (Adriadna Gil) - mãe de Ofélia - se casa novamente, e a menina vai morar em uma grande casa, tendo como padrasto o terrível e facista Capitão Vidal (Sergi López). Fascinada pelos contos de fada, Ofélia descobre, em meio a todo o horror da guerra, um enorme labirinto, onde conhece um Fauno. O Fauno, ao perceber que ela é a princesa-fada, a instrui sobre como deve proceder, e quais perigos enfrentar, para retornar ao mundo das fadas.

O que uma criança pode fazer quando o horror e a guerra invadem a sua vida? O que fazer quando sua mãe se casa com um homem perigoso e poderoso? Como manter algum gosto em viver? Ofélia cria um mundo próprio onde pode se refugiar de todo o mal que a cerca, onde pode viver aventuras e acreditar que é uma fada e que seu pai a espera ansiosamente num mundo mágico. Enquanto Capitão Vidal se preocupa em eliminar qualquer pessoa que julgue ser algum tipo de ameaça ao seu poder (ou qualquer um que lhe der na telha) das maneiras mais frias possíveis, e em salvar seu futuro herdeiro - que está sendo gerado por Carmen -, Ofélia tenta se refugiar num mundo de fantasia.

Quem pode dizer se tudo era real, ou se era apenas fruto da imaginação fértil de uma criança? Essa é a maior qualidade que o filme possui, na minha visão. E, contraditoriamente, essa é a questão menos importante. Porque, verdade ou não, Ofélia acreditou em tudo. E, mais do que a história, ela foi o sopro de esperança e luz naquele mundinho que envolvia as maldades do Capitão Vidal.

Guillerme del Toro consegue criar uma história de fantasia quase tão real quanto as que contam os livros de História. Guillerme del Toro consegue trazer, num filme de fantasia, toda a veracidade que se poderia encontrar em qualquer documentário. A diferença está apenas em como contar uma história triste e pesada, passível de ser real, de maneira que ela consiga nos trazer esperança, leveza e ternura. O Labirinto do Fauno poderia ter sido um filme sobre dor e crueldade, mas, ainda que os mostre, é um filme sobre esperança. Sobre a possibilidade de dar certo, apesar de parecer estar tudo errado.

Tendo isso em vista, del Toro cria um roteiro muito bem escrito, onde ele permeia a fantasia e a realidade nas medidas corretas e sem quebrar o ritmo filme (como eu já vi acontecer, é só ver o exemplo de
Assombração). Também utiliza a seu favor fotografia, trilha-sonora e ótimas atuações, criando um filme que deve ficar no limiar da perfeição.

Será que eu recomendo?

Ah, e vale dizer que O Labirinto do Fauno é um filme também para adultos que não gostam de fantasia, mas gostam de filmes bons.


Eu queria deixar uma coisa bem clara. Vi muita gente comparar O Labirinto do Fauno com A Dama na Água, talvez por ambos serem do gênero Fantasia e terem sido lançados no mesmo ano. Eu não vou fazer isso porque acho que eles abordam o gênero de maneiras absurdamente distintas e inusitadas. Gosto dos dois, e é só o que tenho a dizer sobre isso.

3 comentários:

Marcus Vinícius disse...

Filmaaaaaço!!! Concordo, Fauno é sobre esperança, mesmo num cenário como a guerra, totalmente adverso a esperança.

Beijos!

Rodrigo Fernandes disse...

Adorei tbm esse filme.... é como o marcus falou aí em cima... esperança e fantasia no lugar onde não era pra ter isso, teoricamente... uma especie de reugio que a garotinha encontra dentro de um cenário de horror...
faz tempo qeu não acesso esse blog, passarei a frequenta-lo masi vezes...
abraços

Dra. Mônica Asperti Brandão disse...

Assisti O Labirinto do Fauno já faz algum tempo. Posso dizer que me deixou uma impressão não especificamente de esperança. Mas sim, de como a mente desta garota encontra saida através da fantasia, para a dureza imposta pela sua vida. O interessante para mim é que o Fauno tambem lhe impõe uma série de situações difíceis e terríveis para ela, num paralelo com sua vida real. A fantasia surge das escassas possibilidades que ela tem de poder enfrentar esta fria realidade, e assim como em contos de fadas , os objetivos traçados pelo Fauno servem como meios para ela tentar solucionar o terror e deseperança de sua vida. No filme, a gorota mesmo em suas fantasias, esta sempre no limite entre conseguir ou não superar uma prova de empenho total, de vida ou morte. No final, apesar de voce sentir algo de esperança, isto foi conseguido atraves de muita doação por parte da garota, ela pagou com sua vida.