13.1.08

O Cheiro do Ralo




2006
Comédia?
Direção: Heitor Dhalia
Roteiro: Marçal Alquino e Heitor Dhalia




Diz Selton Mello que esse filme não é comédia. Por que é que todo mundo ri? Eu também acho que não é comédia, mas por falta de como classificá-lo, resolvi deixar assim. Mas eu sei porque eu ri, foi de desconforto, foi uma risada nervosa. Afinal, o que é aquilo tudo?

Lourenço (Selton Mello) é o dono de uma casa de penhor que possui os mais estranhos clientes. Sua vidinha nada tem de especial, mas Lourenço parece acordar dela com o insuportável cheiro do ralo. Não é ele quem fede, é o ralo do banheiro que está com problema. As pessoas podem se confundir com isso... Com essa preocupação rondando sua cabeça, Lourenço vai a uma lanchonete e se apaixona pela bunda da garçonete (Paula Braun).

Dizer que virei fã do Heitor Dhalia talvez seja pouco. O cara é genial e dá orgulho de saber que ele é brasileiro - imagino o que sentem os pernambucanos. Ele conseguiu fazer um dos melhores filmes brasileiros que eu já assisti. É um diretor que sabe dirigir um filme de maneira inovadora. Cada tomada, cada cena! Ousaria dizer que ele bate no Fernando Meirelles - e o Fernando Meirelles, p*#% que pariu! Mas é realmente ousadia minha dizer isso tendo assistido apenas um filme do Sr. Dhalia. Veremos o que direi depois de ter assistido Nina. Mas sinceramente, ele não perde em nada para Spike Jonze (Quero ser John Malkovich) ou Wes Anderson (Os Excêntricos Tenembaums).

Acho que todos já estão carecas de saber, e duvido que alguém discorde, que Selton Mello faz miséria quando... quando nada, sempre. E ele se encontrou com o cult - vide seus últimos seriados na tv. Na verdade o elenco todo do filme é simplesmente ótimo, inclusive a dona da bunda, Paula Braun. Esta eu não conhecia e realmente é uma atriz excelente - ou assim ela foi, pelo menos nesse filme.

O Cheiro do Ralo é baseado em um livro de Lourenço Mutarelli. Não li o livro, mas o roteiro é ótimo. Ele vai aos poucos nos mostrando que o cheiro do ralo vem, sim, de Lourenço (o protagonista, não o escritor). E quanto mais Lourenço tenta acabar com aquele cheiro, mais podre ele próprio vai ficando. Obcecado pela tal bunda e com a certeza de que o dinheiro compra absolutamente tudo, Lourenço é a personificação do povo brasileiro.

Também edição, cenário, figurino, fotografia, tudo é moldado de forma a fazer o filme ainda mais perturbador e até mesmo claustrofóbico. E aí sou obrigada a voltar ao assunto da classificação do filme. É comédia? Cara, eu ri. Mas que filme estranho! Tudo é esquisito, todos são anormais, as situações beiram o absurdo - erro meu, elas são absurdas - e muitas vezes você fica extremamente desconfortável. E é aí que você ri. Você ri pelo desconforto em ver que aqueles absurdos todos estão, pelo menos um pouquinho, retratando você mesmo. Os diálogos são bizarros, a edição é primorosa e no final tudo o que me restou foi a sensação de que tinha acabado de ver um filme bom demais para mim.

Interessado em entender porque eu acho que esse filme é "esquisito"? Acho que sem assistir o filme é impossível, mas isso aqui dá uma idéia: www.ocheirodoralo.com.br

6 comentários:

Rick Lima disse...

Oi Thalita. Bom, pra começar, eu li o livro. Sou suspeito então em dizer que o livro é melhor que o filme. Mentira. Tal qual os primeiros livros adaptados para o cinema de Harry Potter, Heitor Dhalia e Selton Mello foram fidelíssimos à fonte. Até mais. Ainda conseguiram ser originais. O que prova a criação de uma cena fantástica (quissá a melhor do longa): quando o protagonista - perdoe, prefiro chamá-lo assim porque no livro ele não tem nome - assisti um vídeo, sei lá, de uma tal de Samanta Rose. Que obsessão (aêê!). Claro, óbvio, como todo bom fã do livro, me queixo da falta de uma ou outra passagem. Mas, fazer o quê? O filme já ficou ótimo assim. Sem falar que nos extras do DVD, Dhalia inseriu cenas do livro que não foram para versão final do filme e ainda lançou um comentário sarcástico de corar de rir. Lourenço, ou melhor, "o cara que parece com o cara do comercial da bombril" é o melhor personagem da literatura brasileira em anos. Lourenço Mutarelli, o autor, é desenhista de HQs e lançou outro livraço, O Natimorto, que, se Deus quiser, também vai ganhar sua versão em celulóide. E Heitor Dhalia. Que diretor, hein!? Se você gostou de O Cheiro do Ralo vai adorar Nina com a Guta Stresser. Ou, quem sabe, estranhar muito. Afinal, Nina não é um filme convencional. A narrativa lembra um pouco a de Pi de Darren Aronowski. Mas o filme em si é uma mistura de surrealismo, Dostóieviski, Kafka e HQs - com direito a inserção de desenhos bizarros de... Lourenço Mutarelli! E ainda tem Wagner Moura, Lázaro Ramos, Matheus Nastergale e Selton Mello em pontas fantásticas. É isso.

Abraços cinematográficos.

tha disse...

Nossa, Rick, estou com Nina em casa. Com esse seu comentário, acho que desse fds não passa!

Rodrigo Fernandes disse...

tava com esse filme na mão, mas não assiti... nao sei porque, mas nao tive coragem.. curto o trabalho do selton, achoe le um ótimo ator... ele tá muto bom em meu nome não é johnny, mas sei lá.. não qis asssitir ainda esse, pois to com a ligeira impressão de que irei odia-lo... e não sei porque...

tha disse...

Bom, Rodrigo, O Cheiro do Ralo não é um filme comum. Dos comentários que eu vi por aí, a maioria amou, mas quem não amou, odiou. Vai do perfil da pessoa, do tipo de filme que gosta. O filme é ótimo, mas não é para o paladar de todos.

Qto ao Meu Nome Não É Johnny, estou morrendo de vontade de assistir!

pink disse...

aproveitei minha gripe e vi o filme. Adorei! Da vontade de ler o livro! Ja tinha lido a sua critica, mas voltei depois de ver o filme pra verificar... como sempre, adoro seu jeito de escrever!
beijao

tha disse...

Q gripe bôua, hein! rs