5.2.07

Lady In The Water (A Dama na Água)



2006
Fantasia
Direção:
M. Night Shyamalan
Roteiro:
M. Night Shyamalan



A Dama na Água é (mais um) filme que gerou polêmica dentro e fora do círculo “shyamalaniano”. Fãs ou não desse (fabuloso) cineasta, muitas pessoas e a grande maioria dos críticos, consideraram esse o pior filme de Shyamalan, um grande engodo, ou, simplesmente, uma grande merda. Inclusive, tão grande é a legião de desgostosos do filme, que o mesmo concorreu a 4 Razzie Awards (Troféu Framboesa): Pior Diretor, Pior Filme, Pior Roteiro e Pior Ator Coadjuvante (M. Night Shyamalan).

Sinopse: Cleveland Heep (Paul Giamatti), o zelador de um edifício de apartamentos, encontra uma narf (uma espécie de ninfa) na piscina do condomínio. Seu nome é Story (Bryce Dallas Howard) e ela está presa no nosso mundo. Aos poucos, Cleveland vai descobrindo com a mãe de Young-Soon Choi (Cindy Cheung), uma das moradoras do condomínio, tudo sobre o Mundo Azul de onde Story veio. E com a ajuda dos moradores, Cleveland irá tentar ajudar Story a voltar para esse mundo.

É fato que os contrários ao filme acreditam que quem gostou dele apenas fez o de praxe: pôs chifre em cabeça de cavalo. Ou seja, os primeiros repetem com certa veemência que os segundos, a cada filme novo do diretor, ficam inventando mensagens secretas que não existem. De qualquer forma, queiram admitir ou não, A Dama na Água traz uma série de mensagens e criticas à sociedade. Algumas, absurdamente óbvias.

O condomínio, onde a história se passa, aparece como um pequeno exemplo do mundo como ele deveria ser, com uma “amostra” de suas várias etnias, culturas e diferenças, e todos cooperando para resolver as questões que aparecem. Porém, em contra partida, toda tv que aparece ligada durante o filme mostra apenas guerra, ou seja, como o mundo realmente é "lá fora".

Shyamalan usa vários momentos para criticar a postura dos EUA, sendo o mais claro quando usa uma grande águia como suposta salvadora da narf, significando que os EUA são atualmente a nação com mais recursos para ser essa salvadora. Porém, ao mesmo tempo, ele usa o scrunt (uma espécie de monstro que tenta por diversas vezes matar a narf) como outra metáfora para como os EUA vêem usando esses recursos hoje.

Além disso, o livro que o personagem de M. Night Shyamalan, Vick Ran, está escrevendo é uma crítica à sociedade, e acho que esse livro é uma alusão ao próprio filme. O tal livro se chama "O Livro de Receitas". O próprio Cleveland, julgando-o à primeira vista diz "Isso é uma bobagem...", mas ao conhecer o verdadeiro conteúdo do livro descobre que ele não é o que parece. Ao meu ver, o mesmo acontece com o filme: à primeira vista, é apenas um filme fantástico para crianças (e apenas como isso, ele já é lindo demais), mas depois você percebe que ele é muito mais.

Inclusive, o livro não é a única referência que o filme faz a si próprio. O personagem do crítico Harry Farber (Bob Balaban) é mais uma metalinguagem usada, mostrando, entre outras coisas, que a crítica atual em geral fala mais do que sabe.

Existem uma série de outras possíveis interpretações e ligações com uma visão política e crítica, porém eu gosto muito de pensar na parte "infantil" desse filme. Nesse sentido, A Dama na Água tem como mensagem o “se você acredita em fadas, bata palmas” de J. M. Barrie, porém com uma abordagem diferente. E é delicioso ver que todos nesse filme simplesmente “batem palmas” sem a menor hesitação e ver como os outros moradores abraçam a causa de Story. Acho linda a pureza dos personagens, a inocência de todos; o modo como o Cleveland e a Story conversam tão de pertinho sem ser constrangedor.

E apesar de todas as críticas que o filme faz, ele me deu certo alívio, principalmente ao ver como aquele condomínio é um reduto de gente boa. Spoiler: Inclusive, a única pessoa mais arrogante e egoísta do filme, é a única que morre.

Curiosidades:

* Como os quatro filmes anteriores de Shyamalan, A Dama na Água seria produzida na Disney, mas por “diferenças criativas” o diretor resolveu fazê-lo na Warner Brothers. Este fato virou assunto para um livro intitulado "The Man Who Heard Voices: Or, How M. Night Shyamalan Risked His Career on a Fairy Tale".

* A trama do filme é baseada no conto infantil que M. Night Shyamalan escreveu para seus filhos.

* Apesar de Paul Giamatti ter sido a primeira opção para o papel de Cleveland Heep, também pensou-se em Kevin Costner para fazê-lo. Por sorte, Giamatti aceitou o papel antes mesmo que Kevin Costner tivesse sido contatado.

Frases Marcantes:

* Young-Soon Choi: “Mr. Heep, minha mãe me contou mais sobre o conto infantil antes de jogar uma almofada em mim.”

* Anna Ran: “Ele está ouvindo a voz de Deus através das palavras cruzadas!”

* Young-Soon Choi: [repetidamente] “Tchau Mr. Heep.”

* Anna Ran: “Mr. Heep is a playa!” (desculpem, mas traduzida essa frase perde a graça…)

2 comentários:

pink disse...

Que linda a critica!! Adorei! Ainda mais ter estado junto com vc qdo vimos o filme! Continue assim, viu, que vc vai longe nessa "brincadeira" de blogar criticas! To morrendo de saudades!

William Ribbeiro disse...

Adorei a critica também. sou, talvez, o maior fã desse filme!!! é meu filme preferido até hoje. já ouvii varias criticas sobre ele, ambas ruins, mas nada influencia em minha opinião que esse é o melhor filme do mundo!!! obrigado por reforçar minha opinião^^